O bolsonarismo passou o trator em Rondônia. Governo decidido no primeiro turno, duas vagas ao Senado, três deputados federais e sete estaduais pelo PL. Flávio Bolsonaro abriu mais de 400 mil votos de vantagem sobre Lula. Pode-se gostar do resultado ou detestá-lo. Diminuí-lo exige brigar com os números.
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E ninguém pode alegar surpresa. O aviso foi dado em 2018.
Naquele ano, Marcos Rocha, então pouco conhecido do grande público, chegou ao governo pelo PSL, partido de Jair Bolsonaro à época. Superou nomes tradicionais e mostrou que a identificação com Bolsonaro podia valer mais, nas urnas, do que uma longa biografia política. Para quem julgava conhecer os caminhos do poder em Rondônia, deveria ter sido uma lição.
Em 2022, Jaime Bagattoli, do PL, conquistou a vaga ao Senado. Mais uma vitória de um candidato alinhado ao bolsonarismo. A preferência sobrevivia à eleição anterior e continuava produzindo mandatos.
Agora, em 2026, veio a demonstração mais ampla. Marcos Rogério venceu o governo no primeiro turno. Fernando Máximo e Bruno Scheid ficaram com as duas cadeiras em disputa no Senado. Na Câmara, o PL elegeu três representantes, incluindo Lúcio Mosquini, o mais votado. Na Assembleia, conquistou sete vagas.
Oito anos depois da eleição de Rocha, tratar o resultado como uma onda passageira virou uma desculpa bastante conveniente. Sobretudo para quem continua perdendo.
A onda criou raízes. E quem esperou que ela recuasse viu o PL ocupar mais espaço.
Rondônia acompanha um avanço nacional. O partido elegeu 121 deputados federais, 19 senadores e cinco governadores no primeiro turno. Mas, no estado, o bolsonarismo tem uma sequência de vitórias que merece ser examinada por si mesma. Há continuidade entre 2018, 2022 e 2026. Mudam os candidatos, mudam as circunstâncias, e a identificação política continua rendendo votos.
O resultado de Sílvia Cristina torna essa força ainda mais evidente. A candidata do PP recebeu mais de 300 mil votos e não se elegeu. É uma votação respeitável. E foi insuficiente diante de Fernando Máximo e Bruno Scheid.
Não se pode chamar de irrelevante uma candidatura com esse desempenho. Tampouco cabe transformar sua derrota em vitória por delicadeza. Sílvia teve força. A dupla do PL teve mais.
Esse resultado também mostra que a eleição foi além de um confronto entre direita e esquerda. Sílvia pertence ao campo conservador. Havia concorrência pelo mesmo eleitorado. O PL conseguiu levar as duas vagas ao Senado, deixando de fora uma candidata com votação expressiva.
Ser de direita não bastou. O partido de Bolsonaro conseguiu concentrar a preferência.
Não significa que cada eleito deva seu mandato exclusivamente ao bolsonarismo. Fernando Máximo tem sua trajetória, Marcos Rogério tem a sua, Mosquini tem suas bases. Campanhas, apoios e trabalho político contam. Mas retirar Bolsonaro dessa equação seria tão artificial quanto atribuir tudo a ele.
O conjunto é claro: a identificação bolsonarista continua sendo uma vantagem eleitoral poderosa em Rondônia. Os adversários sabem disso. O problema é que saber não lhes deu, até agora, capacidade de enfrentá-la.
Há quem prefira censurar o eleitor. É um recurso confortável: o candidato perde, mas preserva a certeza de que estava certo. Errados seriam os milhares de cidadãos que escolheram outra opção.
Essa arrogância pode render aplausos entre os já convencidos. Votos novos, dificilmente.
O eleitor não tem obrigação de premiar tempo de carreira, currículo ou prestígio entre dirigentes partidários. Também não precisa votar em alguém porque essa pessoa se considera mais preparada. Candidatura é oferta. Voto é escolha. E, em Rondônia, a escolha tem favorecido repetidamente políticos ligados ao bolsonarismo.
A vantagem de mais de 400 mil votos de Flávio Bolsonaro sobre Lula reforça esse quadro. Não é uma diferença que se explique com um slogan sobre polarização. É uma distância que exige dos adversários alguma disposição para ouvir o estado em que pretendem fazer política.
Para os vencedores, o tamanho da conquista também elimina álibis. O PL terá o governo, os dois novos senadores e bancadas expressivas. Haverá muito poder nas mãos do partido. A responsabilidade acompanha cada cadeira conquistada.
Mas a primeira obrigação de quem analisa o resultado é reconhecer o que aconteceu. Marcos Rogério venceu no primeiro turno. Máximo e Scheid levaram o Senado. O PL cresceu no Legislativo. Flávio venceu com larga vantagem no estado.
O aviso veio em 2018, foi repetido em 2022 e ganhou volume em 2026.
A esta altura, a surpresa diz mais sobre quem analisa Rondônia do que sobre quem vota nela.


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