PORTO VELHO, RO – O senador por Rondônia e ex-governador do estado, Confúcio Moura (MDB), publicou no último domingo, 17, um texto no qual relatou a existência de búfalos selvagens em Rondônia, descreveu o histórico de introdução dos animais no território rondoniense e comentou a situação atual da antiga fazenda Pau D’Óleo, localizada às margens do Rio Guaporé, área atualmente pertencente ao município de São Francisco do Guaporé.
Segundo o parlamentar, os búfalos chegaram ao então Território Federal de Rondônia no início da década de 1950, em duas remessas realizadas com intervalo de três anos entre uma e outra. De acordo com o texto publicado por ele, eram menos de cem animais trazidos da Ilha do Marajó por iniciativa dos governadores da época, em um cenário no qual Rondônia ainda possuía reduzida atividade pecuária e enfrentava escassez de leite e de produção bovina.
Confúcio Moura afirmou que os animais foram levados para a fazenda Pau D’Óleo, situada às margens do Rio Guaporé, em uma área caracterizada por regiões alagadas e intensa presença de fauna silvestre. Ao relatar memórias da região, mencionou a grande quantidade de jacarés presentes nos lagos locais e descreveu episódios de ataque contra búfalos. “Nunca vi tantos jacarés naqueles lagos. À noite, os olhos deles brilham como tochas de fogo. De vez em quando, um búfalo é atacado e estraçalhado por dezenas de bocas famintas”, escreveu.
Ainda conforme a publicação, durante muitos anos o governo estadual manteve a administração da fazenda, mas, gradualmente, os animais passaram a permanecer sem controle direto do poder público, reproduzindo-se livremente ao longo do tempo. O senador informou que visitou a região enquanto exercia o cargo de governador de Rondônia e descreveu características do território, marcado por pântanos e áreas inundadas, sobretudo durante o período chuvoso.
No texto, o ex-governador descreveu os búfalos como animais fortes e agressivos, capazes de derrubar árvores ao se esfregarem nelas, abrir valas com os chifres e modificar pequenos cursos d’água. Também afirmou não existir uma estimativa precisa sobre o quantitativo atual do rebanho e relatou que parte dos animais teria aprendido a atravessar o rio em direção ao território boliviano.
Ao comentar a situação recente da antiga fazenda Pau D’Óleo, Confúcio Moura afirmou ter recebido uma ligação oriunda de Alta Floresta relatando a presença de agentes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizando o abate de búfalos na região. Segundo o relato reproduzido por ele, as carcaças estariam sendo deixadas no local como parte de uma tentativa de mitigação dos impactos ambientais atribuídos aos animais. “Dias atrás, recebi uma ligação de Alta Floresta informando que o ICMBio estava na área realizando o abate dos animais, deixando as carcaças para os urubus, numa tentativa de reduzir os impactos ambientais provocados pelos búfalos. Não sei se o objetivo foi alcançado”, registrou.
A referência feita pelo senador ocorre em meio à retomada oficial das ações do ICMBio na região do Vale do Guaporé, autorizada recentemente pela Justiça Federal. Após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), o instituto retomou o projeto de controle populacional de búfalos-asiáticos considerados espécie exótica invasora na Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia. A iniciativa prevê inicialmente o abate de aproximadamente 5 mil animais, quantitativo equivalente a cerca de 10% da população estimada pelo órgão ambiental.
O projeto havia sido interrompido anteriormente após questionamentos do Ministério Público Federal (MPF), que apontou ausência de um plano de controle definitivo e da realização de consulta prévia a povos indígenas e comunidades quilombolas da região. Com a reversão da suspensão judicial, o ICMBio sustenta que a medida possui caráter científico e integra uma estratégia de erradicação da espécie introduzida no Vale do Guaporé na década de 1950.
Segundo informações do instituto, pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) acompanham os trabalhos, que incluem estudos sobre os métodos de manejo empregados no abate, análise sanitária dos animais e monitoramento dos impactos ambientais associados à presença dos búfalos na reserva. O órgão ambiental aponta alterações no solo, nos cursos d’água e possíveis riscos sanitários e ecológicos relacionados à expansão da população de bubalinos na região.
Confúcio Moura também declarou que, durante sua gestão no governo estadual, buscou reorganizar a estrutura da fazenda Pau D’Óleo. Segundo ele, foi montada uma equipe com trabalhadores treinados da própria região, houve criação de cargos e planejamento de um sistema de manejo controlado do rebanho. O senador afirmou ainda que atualmente os animais já somariam milhares de cabeças.
Ao comentar os efeitos das caçadas e da presença humana sobre a dinâmica dos animais, o ex-governador afirmou: “Com a pressão das caçadas e dos tiros, os búfalos estão cada vez mais arredios, entrando mata adentro. Não recebem vacinação e representam também um risco sanitário, tanto para aftosa quanto para outras doenças.”
Apesar das observações sobre a situação atual da fazenda Pau D’Óleo, o senador concluiu o texto destacando a relevância histórica da área para a formação de Rondônia. “Apesar de tudo, é uma fazenda linda. E uma história fantástica da formação de Rondônia”, encerrou.



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