O “Corredor da Morte”, trecho da BR 364 de Porto Velho a Vilhena, com cerca de 700 km, continua com elevado índice de acidentes e matando pessoas. Dentre os vários que ocorreram nos últimos dias, dois motoristas morreram, um deles carbonizado.
Foram acidentes em uma rodovia que teve um leilão questionável, porque houve somente um participante e, logicamente, o vencedor. O Consórcio 4UM/Opportunity conseguiu a concessão do trecho da BR 364 por 30 anos, mas condicionado a uma série de melhorias em uma rodovia que foi construída na década de 60, com alicerce sem as mínimas condições de atender ao tráfego atual, principalmente de veículos de carga.
A média de caminhões, carretas, bitrens e treminhões, em períodos de safras de grãos (soja, milho, café) e exportação de carne bovina, que transitam pela rodovia é de 2,5 mil por dia, não computados os veículos de passeio e motocicletas. Trecho seguro, somente entre Porto Velho e Candeias do Jamari, com cerca de 25 km, que é duplicado, obra do DNIT, quando o ex-deputado federal Miguel de Souza estava em uma das diretorias do órgão, em Brasília. Há décadas.
Em razão do enorme movimento, nem mesmo o trecho duplicado conseguia se manter trafegável com o mínimo de segurança. Todos os anos, após o período de Inverno Amazônico (chuvas durante meses), os serviços de tapa-buracos eram constantes, “engordando” os bolsos das empreiteiras. Hoje, a ligação Porto Velho/Candeias do Jamari está plenamente trafegável, desde que o 5º Batalhão de Engenharia do Exército (BEC) realizou o trabalho de recuperação e tapa-buracos há anos.
O problema foi resolvido, e o trecho, mesmo com o movimento enorme de veículos pesados, se mantém em plenas condições de uso. Por que o 5º BEC não foi convocado para recuperar, restaurar e duplicar o restante da rodovia?
A concessionária Rota 364, a “administradora” da rodovia, propaga que está investindo R$ 12 bilhões em melhorias, como faixas adicionais e duplicação (?). Conclusão mesmo, somente as praças de pedágio eletrônicas (7 no trecho), que estão em funcionamento desde o início do ano. O custo estaria entre os mais caros do Brasil (R$ 21,10 por cada 100 km rodados).
A vencedora do leilão, o Consórcio 4UM/Opportunity, comprometeu-se a investir cerca de R$ 10 bilhões em 30 anos de concessão. Segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, “o projeto tem o que há de melhor em sustentabilidade. É um projeto carbono-zero que proporciona integração intermodal, ligando rodovia e hidrovia”, no caso, a Hidrovia do Madeira, através do porto do Rio Madeira, em Porto Velho.
A Nova 364 assumiu a administração da BR 364 em 2025, após vencer o leilão, e a “obra” de maior importância são as praças de pedágio. Também constam do contrato a geração de 92 mil empregos, duplicação de 107 km, 190 km de faixas adicionais, passagens de faixa (14) e 24 passarelas.
Dentre as prioridades, não estavam as praças de pedágio, que já estão funcionando. O usuário continua trafegando no mesmo piso, quase sempre deteriorado, mal sinalizado, esburacado e perigoso. Os trechos de terceiras pistas continuam os mesmos, assim como os 107 km de duplicação.
O deputado federal Lúcio Mosquini (PL) cobrou recentemente, em vídeo nas redes sociais, a concessionária Nova 364 e apresentou trechos da rodovia entre Pimenta Bueno e Porto Velho esburacados. Segundo ele, a concessionária “não faz um trabalho de restauração do pavimento. Enche a BR-364 de pare e siga, pouca gente trabalhando, pouca máquina no trecho e a rodovia cheia de buracos”. Mosquini argumentou que vem cobrando com veemência a ANTT, pedindo providências, pois a situação é crítica e os acidentes com vítimas fatais continuam.
A Bancada Federal (os três senadores e os oito deputados) deve trabalhar em sintonia para que a situação crítica da BR 364 seja amenizada. Esperar investimentos da Nova 364 é o mesmo que “chover no molhado”. A ANTT deve ser cobrada para que o contratado seja cumprido. Isso é obrigação da Bancada Federal.
O senador Confúcio Moura, presidente regional do MDB, recentemente defendeu, em redes sociais, a privatização da BR 364 e a implantação das praças para cobrança de pedágio. Mas se esqueceu de que praticamente nada foi feito. As prioridades foram as praças de pedágio.
Assim como Confúcio, os demais senadores (Marcos Rogério e Jaime Bagattoli, ambos do PL) e os oito deputados federais não se manifestaram por ocasião do leilão. No mínimo, foram omissos. A empresa vencedora, o Consórcio 4UM/Opportunity, ainda foi cortês (?!). Na época do leilão, concedeu um desconto de 0,05% na tarifa básica de pedágio, porque não teve concorrente.
Bancada Federal (senadores e deputados), deputados estaduais, prefeitos, vereadores, lideranças agrícolas, comerciais e do segmento organizado do Estado devem unir forças e buscar uma solução para o “Corredor da Morte”, como é chamado o trecho da BR 364 entre Porto Velho e Vilhena. A Rota 364 assumiu, implantou o pedágio antes de qualquer obra de relevância relacionada à segurança, como determina a concessão, e o povo está pagando pelo que não recebe. Os acidentes não diminuíram. A maioria, com vítimas.
Hoje, o usuário da rodovia, além de não ter recebido nenhum benefício em termos de segurança e melhorias ao longo da BR, ainda paga para morrer.



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