PORTO VELHO, RO – O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, afirmou no podcast RD Entrevista que a gestão municipal assumiu a capital com um cenário financeiro de aproximadamente R$ 700 milhões em dívidas, considerando empréstimos, e defendeu que a administração precisa priorizar articulação institucional em vez de disputas ideológicas. A entrevista foi concedida nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em programa apresentado por Vinícius Canova, em parceria com o Informa Rondônia.
Ao tratar da relação com diferentes campos políticos, Léo Moraes disse que mantém posição de centro-direita, mas que, como prefeito, coloca a resolução dos problemas da cidade acima das divisões partidárias. “Eu tenho uma posição clara de centro-direita, mas antes de qualquer coisa eu tenho urbanidade e interesse de resolver os problemas da minha cidade, da cidade de Porto Velho, que me confiou diante do imponderável, do impossível”, declarou.
O prefeito associou essa postura à antecipação da obra da Expresso Porto, que, segundo ele, estava prevista para começar apenas em cinco anos e passou a ser iniciada já no primeiro ano. Moraes afirmou que o resultado envolveu tratativas com o Ministério dos Transportes, o senador Confúcio Moura, a ANTT e o senador Marcos Rogério. “Uma obra que era para começar em cinco anos está começando no primeiro ano. Essa obra não é investimento da Prefeitura, tampouco do Governo do Estado e do Governo Federal. É uma antecipação prevista em contrato que era para encerrar no sexto ano e que está começando agora no primeiro ano”, afirmou.
Ao comentar a circulação de caminhões na área urbana, Moraes disse que Porto Velho convive com média diária de 1,2 mil caminhões, chegando a cerca de 2 mil a 2,5 mil no pico da produção agrícola. Segundo ele, isso gera “estresse, congestionamento, acidente e morte”. O prefeito afirmou que a obra terá impacto logístico para Porto Velho, Rondônia e Mato Grosso, além de beneficiar áreas como o Hospital do Amor e as Irmãs Marcelinas.
Moraes também foi questionado sobre a vice-prefeita Magna dos Anjos e negou rompimento. Ele afirmou que não houve desavença, destrato ou desrespeito, mas reconheceu que existem projetos políticos diferentes. “Magna, eu tenho ela na mesma conta de respeito e de consideração. Ela trabalhou muitos anos comigo. Ela era do gabinete, tinha sua responsabilidade inclusive no gabinete e sempre acordou cedo, dormiu tarde”, disse. Em seguida, acrescentou: “Ela tem agora um projeto de candidatura, a gente respeita, se é no tempo certo, se deveria fazer isso, é uma questão de opinião pessoal e, se é pessoal de uma pessoa que esteve conosco, eu respeito isso.”
Sobre as eleições de 2026, o prefeito afirmou que o Podemos deseja protagonismo e que mais de um nome tem direito de se colocar como pré-candidato. Moraes citou o delegado Rodrigo Camargo e o prefeito Flori Cordeiro, de Vilhena, e negou qualquer articulação desleal dentro do partido. “O que não teve, em nenhuma medida, em nenhuma circunstância, em nenhum momento, foi qualquer puxada de tapete ou conversa que não tenha sido olho no olho entre todos os interessados”, declarou.
Ao tratar do episódio envolvendo o vereador Doutor Santana em uma entrega habitacional, Moraes afirmou que o cerimonial era do governo federal e disse que solicitou a inclusão dos demais vereadores presentes no dispositivo. O prefeito disse ter sido insultado depois da solenidade e classificou a situação como algo criado para gerar desgaste. “Parece uma cena, parece um fator criado para gerar animosidade ou quem sabe para gerar projeção, para gerar mobilização em ano eleitoral”, afirmou. Ele disse ainda que a discussão entrou em esfera pessoal e familiar, o que classificou como “inconcebível”.
Na saúde, Léo Moraes afirmou estar empolgado com o projeto do Hospital Municipal, após a compra do Hospital das Clínicas. Segundo ele, a expectativa é de início de atendimentos no segundo semestre de 2026, mais próximo do fim do período, por depender de diferentes níveis de governo e instituições. “Porto Velho, Vini, é a única capital do Brasil que não tem ou um hospital universitário ou um hospital municipal. Aliás, não tem um hospital de urgência e emergência também”, disse.
Sobre alagamentos, Moraes afirmou que não se arrepende de ter cobrado o problema durante a campanha e disse que Porto Velho está mais resiliente. Ele citou chuva de 130 milímetros em quatro horas e disse que a vazão da água melhorou após limpeza de mais de 700 bueiros, canais e instalação de eco-bueiros. “O mundo não discute alagar ou não alagar. Me fale uma cidade, Vinícius, que não alaga”, afirmou.
O prefeito também citou medidas contra queimadas, sala de situação permanente para fenômenos climáticos, uso de telemetria, drones e computadores de última geração. Ao avaliar sua passagem pelo Detran, disse que a experiência o preparou para a gestão executiva, especialmente em tecnologia, atendimento, redução de taxas, CNH Social e inclusão.
No encerramento, Moraes afirmou que a Prefeitura ainda tem uma série de projetos em andamento, incluindo saúde, mobilidade, guarda municipal, atividade delegada, inclusão, transporte gratuito para crianças autistas, requalificação de espaços públicos e obras de drenagem. “Estou empolgado, continuo motivado, com sangue no olho, com brilho no olho e com muito amor para emanar à nossa população”, declarou.



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