PORTO VELHO, RO - As duas primeiras fotografias eleitorais da disputa pelo Governo de Rondônia em 2026, produzidas pelo Instituto Veritá entre março e maio deste ano, permitem uma leitura política que vai além da simples comparação de números. O levantamento mais recente não apenas confirma a liderança do senador Marcos Rogério (PL), como também sugere um cenário de reorganização da disputa, marcado pela consolidação de novos polos competitivos, pela permanência de ativos políticos ainda fora do páreo formal e pela necessidade de alguns grupos acelerarem o próprio ritmo para evitar perda de protagonismo.
No topo do tabuleiro, Marcos Rogério segue ocupando posição privilegiada. Líder nos dois levantamentos, o senador atravessou a primeira fase do processo pré-eleitoral sem desgaste aparente e, mais do que isso, mostrou capacidade de manter vantagem mesmo diante de mudanças importantes no ambiente político testado pelas pesquisas.
Em março, quando o cenário ainda incluía o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), Marcos Rogério registrava 31,8% das intenções de voto no cenário estimulado e alcançava 38,9% dos votos válidos. Já em maio, diante de um campo sem Léo e com um Hildon Chaves agora filiado ao União Brasil e muito mais competitivo, o senador avançou para 34,5% no eleitorado total e 42,5% dos votos válidos. A manutenção da dianteira em um ambiente de maior concorrência acaba produzindo um efeito político inevitável: valoriza ainda mais o passe de um candidato que já aparece como favorito inicial da corrida.
E é justamente nesse ponto que um nome ausente da segunda pesquisa continua exercendo influência sobre a sucessão estadual. Embora tenha deixado de figurar no cenário estimulado por não disputar o Governo do Estado, Léo Moraes permanece como uma variável politicamente relevante. Em março, o prefeito da capital aparecia com 16,5% das intenções de voto no total do eleitorado, ocupando a segunda colocação e superando Adaílton Fúria (PSD), que registrava 15,4%.
Os números demonstrados pelo prefeito de Porto Velho não desapareceram com sua saída da disputa. Ao contrário, passaram a representar um capital político em aberto, potencialmente cobiçado pelos atores mais competitivos da sucessão. Nesse contexto, ganha peso a aproximação política construída entre Marcos Rogério e o chefe do Executivo municipal. Não há qualquer elemento estatístico que permita concluir transferência automática de votos, tampouco a pesquisa oferece mecanismos para antecipar comportamento eleitoral futuro. Ainda assim, existe uma lógica política elementar: lideranças competitivas costumam buscar convergência com atores que já demonstraram densidade eleitoral concreta. Se esse ativo for atraído de fato por Marcos Rogério, certamente será dele a vantagem; se for trazido por outro, idem. Quem for esperto, se adiantará.
Se essa relação evoluir para um alinhamento político mais consistente, parte da musculatura eleitoral demonstrada por Léo, especialmente em Porto Velho, poderá reforçar ainda mais a posição do senador do PL quando a disputa entrar no período efetivo de campanha. Para quem já lidera, a incorporação de um ativo político competitivo tende menos a mudar o jogo e mais a ampliar distância.
Enquanto Marcos Rogério mantém posição confortável, Adaílton Fúria avança, mas ainda sem provocar alteração substancial na correlação de forças da disputa. O pré-candidato do PSD cresceu entre março e maio em praticamente todos os cenários comparáveis, mas o ritmo do avanço ainda parece inferior ao grau de expectativa política normalmente associado a um nome apoiado pelo grupo governista e ao entorno do Palácio Rio Madeira.
Na espontânea, modalidade que mede a lembrança orgânica do eleitor sem apresentação prévia de nomes, Adaílton passou de 5,6% para 7,3%. No cenário estimulado, saiu de 15,4% para 18,0%, consolidando a segunda colocação entre os nomes testados em maio. Já na segunda intenção de voto, talvez seu indicador mais promissor, avançou de 16,0% para 21,5%, sugerindo aumento de aceitabilidade entre eleitores que ainda não consolidaram decisão definitiva.
Os números revelam crescimento real e consistente, mas sem ruptura eleitoral expressiva até aqui. Em outras palavras, Adaílton cresce, mas cresce menos do que o tamanho político do desafio que possui pela frente. Em um cenário ainda aberto, a manutenção de trajetória ascendente importa, mas talvez não seja suficiente caso adversários continuem ampliando velocidade.
E nenhum movimento entre março e maio parece tão expressivo quanto o protagonizado por Hildon Chaves. O ex-prefeito de Porto Velho talvez seja, até aqui, o principal fenômeno estatístico da corrida estadual. Em março, ainda aparecia como um nome secundário no debate sucessório, registrando 0,4% na espontânea e 8,5% no cenário estimulado, onde figurava então pelo PSDB. Dois meses depois, já sob a legenda do União Brasil, saltou para 2,5% na espontânea e 17,6% na estimulada, praticamente dobrando o desempenho em ambos os indicadores.
O crescimento se torna ainda mais robusto quando analisada a segunda intenção de voto. Hildon saiu de 10,5% em março para 21,1% em maio, registrando a maior evolução numérica entre os nomes comparáveis dos dois levantamentos. O dado sugere um movimento importante de expansão política e aumento de receptividade entre segmentos do eleitorado que ainda permanecem em fase de definição.
A aceleração da candidatura coincide com a consolidação de sua presença no debate eleitoral e com o anúncio do deputado estadual Cirone Deiró como vice, rearranjo político que passou a inseri-lo de maneira mais clara no ambiente sucessório. A pesquisa não autoriza relação causal direta entre fatos específicos e desempenho eleitoral, mas permite observar um dado objetivo: Hildon deixou de ser um personagem lateral para se transformar em competidor efetivo na corrida ao Palácio Rio Madeira.
A leitura consolidada dos dois levantamentos indica uma disputa ainda distante de definição, mas já organizada em torno de forças mais claras. Marcos Rogério preserva liderança e amplia capital político; Adaílton Fúria cresce, embora ainda sem alterar significativamente o desenho do topo da disputa; Hildon Chaves acelera e surge como principal movimento de expansão do período; e Léo Moraes, mesmo fora do páreo, permanece como um dos ativos políticos potencialmente mais relevantes do processo eleitoral.
A primeira pesquisa Veritá foi realizada entre os dias 13 e 19 de março de 2026, registrada sob o número RO-05454/2026, ouvindo 1.220 eleitores em Rondônia, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O segundo levantamento ocorreu entre 4 e 8 de maio de 2026, registrado sob o número TRE/RO-02673/2026, mantendo a mesma amostra, margem de erro e nível de confiança. Em ambos os casos, a coleta ocorreu por unidade automatizada de respostas, com reconhecimento de voz e transcrição de áudio para texto, seguindo proporcionalidade por sexo, idade, escolaridade e distribuição geográfica.



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