Wanessa Camargo revelou que viveu uma fase complicada com o álcool no início da carreira e precisou “puxar a rédea” quando percebeu que o consumo havia saído do controle. A cantora, hoje com 43 anos, falou sobre o assunto em entrevista ao canal “Corredor 5” ao relembrar os bastidores de “Gostar de Mim”, música lançada em 2001, quando ela tinha 19 anos.
Eu ainda estava no Shopping Hills, na Barra da Tijuca, dentro de uma sala envidraçada com vista para aquele trânsito que parece punição divina em horário comercial. Eu tentava acompanhar a reunião com discussão sobre campanha, capa, viagem e publi, quando uma produtora entrou quase sem respirar e soltou: “Wanessa Camargo falou que o álcool saiu do controle.” A pauta derrubou a planilha na minha cabeça. Porque tem confissão que não pede licença: entra na sala, senta na ponta da mesa e muda o assunto.
Depois de admitir que exagerou na bebida durante uma apresentação, Nattan virou alvo de críticas de Luana Piovani, que também comentou declarações do cantor sobre Rafa Kalimann.
Na entrevista, Wanessa contou que sua geração convivia com excesso de bebida e drogas, mas afirmou que seu problema foi com o álcool. “A minha geração consumia muita droga, bebia demais. Daí eu quis falar um pouco sobre isso nessa letra”, disse a cantora ao falar da composição.
“Minha questão foi mais com o álcool. Sempre gostei de beber, era aquela coisa social. Teve um momento que o álcool começou a sair do controle, mas eu já puxei a rédea. Não gosto de nada que me tire do controle”.
Wanessa também disse que nunca usou drogas, mas reconheceu que a bebida havia se tornado um problema. “Era toda festa bebendo muito, acordava de ressaca e tinha que trabalhar. Comecei a ter problemas com o álcool”, relembrou.
O relato desmonta aquela fantasia antiga de começo de carreira como se tudo fosse só glamour, camarim e música estourada. Wanessa tinha 19 anos, estava no centro de uma indústria que exigia aparência impecável, agenda cheia, entrevista, show, pressão familiar, comparação pública e ainda precisava parecer plena no dia seguinte. Minha filha, ressaca já é uma tragédia para quem só tem que responder mensagem. Imagine para quem precisa cantar, sorrir e fingir que está tudo lindo.
No bate-papo, a cantora relacionou o período ao surgimento da síndrome do pânico, o que agravou seu estado de saúde. Ela contou que parou de beber e levou tempo até conseguir voltar a consumir álcool de forma social e equilibrada. “Parei de beber e fiquei um tempão para retomar o consumo social de uma forma saudável na minha vida”, afirmou.
Em entrevista, Wanessa contou que precisou rever a relação com a bebida após perceber que o consumo estava saindo do controle e impactando sua saúde emocional.
Wanessa também associou aquele comportamento à baixa autoestima e à falta de amor-próprio. A declaração vem em um momento em que artistas têm falado com mais franqueza sobre saúde emocional, vícios e os custos invisíveis da fama, especialmente para quem começou muito jovem e precisou amadurecer sob holofote.
Eu voltei para a reunião com a cabeça em outro lugar. Porque vestido caro, campanha internacional e mesa influente nenhuma escondem uma verdade simples: tem fase da vida em que a pessoa está linda na foto e completamente perdida por dentro. Wanessa teve coragem de dizer que perdeu o controle, percebeu o risco e freou. Isso, no idioma desta coluna, não é confissão para fofoca. É sobrevivência com microfone aberto.



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