PORTO VELHO, RO - Pedro Abib, empresário do setor de educação, mestre e doutor em Direito, médico veterinário e pré-candidato ao governo do estado de Rondônia pelo MDB, concedeu entrevista ao podcast RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia. Ao longo de quase uma hora de conversa, o entrevistado esclareceu uma polêmica envolvendo uma notificação extrajudicial enviada a um colaborador do próprio veículo, detalhou as circunstâncias de sua entrada na política, apresentou sua visão sobre o modelo de desenvolvimento econômico que pretende defender e afirmou que sua candidatura é autônoma em relação ao senador Confúcio Moura, principal nome do MDB em Rondônia.
O episódio mais delicado da entrevista foi provocado pelo próprio apresentador, que trouxe à tona uma situação diretamente ligada ao Rondônia Dinâmica. Em outubro de 2025, o colaborador exclusivo do veículo, titular da coluna Falando Sério, Herbert Lins, havia divulgado que Pedro Abib seria candidato ao governo do estado. A publicação foi seguida de uma nota de esclarecimento e de uma notificação extrajudicial, instrumento que o apresentador classificou, em suas próprias palavras, como uma mensagem do tipo "eu vou te processar" e que, em alguns casos, pode configurar assédio judicial. O âncora do programa destacou ainda a ironia do momento: afinal, o próprio entrevistado estava sentado à sua frente como pré-candidato, o que, na prática, confirmava a informação publicada pelo jornalista.
Pedro Abib respondeu ao tema com precisão e fez uma distinção que considerou central para o esclarecimento da polêmica. "Quem fez a notificação extrajudicial não é a Católica. É a IRB Prime Care, que é uma empresa privada, que não tem relação nenhuma formal, salvo uma parceria com a Católica. Foi o doutor Ivan que é a pessoa que responde por essa empresa. Portanto, não foi essa notificação extrajudicial feita pela Católica, e jamais faria uma notificação extrajudicial", afirmou. O pré-candidato explicou ainda que, em outubro de 2025, ele de fato não havia assumido nenhum compromisso formal com o MDB nem havia manifestado ao partido qualquer intenção de se filiar. Segundo ele, os diálogos que mantinha naquele período eram com diferentes partidos, com o objetivo de viabilizar projetos institucionais, e não de construir uma candidatura. "Não havia pré-candidatura do Pedro. O Pedro jamais, naquele momento, em outubro de 2025, havia manifestado pro MDB que sequer se filiaria", declarou.
Ainda sobre o episódio, Pedro Abib não apenas rejeitou qualquer postura de hostilidade à imprensa como foi além, fazendo um convite público ao colaborador envolvido na situação. "Eu quero dizer que o Pedro não tem nenhum tipo de dúvida de que tu sentará comigo e dirá: Pedro, tu tens razão. Passaram-se dez anos e tu valoriza a imprensa. Eu valorizo, porque sem imprensa livre não tem transparência, não tem como a gente saber a verdade. Dependemos da imprensa para termos uma democracia de verdade. Então saiba, e o Herbert Lins, que o Pedro não tem nenhum problema de conversar com a imprensa, de receber notícias contra, com crítica, porque isso faz parte da democracia. Eu peço que me coloquem à disposição dele. Assim o Pedro está, para dialogar, para conversar, para ele conhecer melhor o Pedro e saber o que o Pedro quer por Rondônia", disse.
A entrevista aconteceu em uma semana descrita pelo apresentador como especialmente violenta para a imprensa rondoniense, marcada por ameaças de morte virtuais à pré-candidata ao Senado pelo PT, Luciana Oliveira; por uma suposta agressão dentro da Câmara de Vereadores; e, ainda, através de um ataque físico a um jornalista plantonista durante cobertura nas ruas da Capital. Questionado sobre o tema no conjunto desses episódios, Pedro Abib atribuiu os casos à radicalização política. "Isso são os extremos, né? Os extremos não agem com a razão. Isso é o que é se lamentar. E depois a imprensa, que vai ser aquela que vai até o limite para trazer a verdade para a população, sofre com esses extremos", afirmou.
Outro ponto de tensão da entrevista envolveu a relação entre a pré-candidatura de Pedro Abib e o senador Confúcio Moura. O entrevistador observou que o lançamento da pré-candidatura, ocorrido no final de abril, foi feito de forma discreta, aparentemente em ambiente doméstico, sem a presença de figuras políticas do partido, e que o senador não havia feito nenhuma manifestação pública de apoio nas redes sociais. Questionado se se sentia desprestigiado pelo MDB, Pedro Abib negou categoricamente e defendeu que a construção de sua candidatura parte de baixo para cima, o que classificou como algo incomum na política tradicional. "Ela não inicia vindo de cima para baixo. Ela iniciou de pessoas de baixo que identificaram e fomentaram isso para cima. O que não é tradicional na política, vocês sabem disso", disse.
O pré-candidato informou que, no mesmo dia da entrevista, havia participado de uma reunião com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e que, em cerca de duas semanas, deveria viajar a Brasília para um encontro partidário. Perguntado a respeito de eventual obrigação de seguir o projeto político do senador Confúcio Moura — descrito pelo entrevistador como um lulista empenhado na reeleição do presidente da República —, Pedro Abib afirmou ter autonomia plena. "Foi me dito o seguinte: Pedro, a pré-candidatura e futura candidatura, se vier a acontecer, é do Pedro Abib. Essa pré-candidatura não é do Confúcio Moura. Se o Confúcio Moura, na sua subjetividade, for apoiar lado A ou B em nível nacional, pauta A ou B em nível nacional, isso é algo que diz respeito à candidatura do Confúcio Moura, do senador, e diz respeito à pessoa dele. Não diz respeito à pré-candidatura e ao projeto do Pedro Abib. Me deram autonomia completa", declarou.
Essa autonomia, segundo o entrevistado, reflete o núcleo do projeto que pretende levar ao eleitorado rondoniense. Ao longo da conversa, Pedro Abib recusou sistematicamente rótulos ideológicos e defendeu o que chamou de análise caso a caso das políticas públicas, sem fidelidade a receituários fixos de direita ou esquerda. "Não tenho neutralidade, eu apenas não tenho rótulos. Porque depois o rótulo vai dizer: não, porque a direita é a favor da privatização, a esquerda é contra a privatização. Mas eu não sou nem a favor e nem contra. Eu tenho que analisar no caso concreto. Eu preciso entender se, naquele caso concreto, para aquilo que a população precisa, se o privado consegue chegar e fazer aquilo, ele que faça. Mas e se o privado não tiver interesse? Porque na análise do privado aquilo não vale a pena. Mas a população precisa daquele serviço. Quem vai fazer? É o Estado. Não tem um certo ou um errado, ou tudo privatizado ou tudo estatizado. Isso depende do caso concreto", explicou.
No plano econômico, Pedro Abib apresentou o que considera o principal desafio de Rondônia: a dependência da exportação de commodities in natura. Usando a soja como exemplo central, afirmou que o estado ainda opera dentro de um padrão que chamou de colonial, no qual produz matéria-prima barata e importa produtos industrializados caros. "A gente produz soja. Essa soja valia duas, três vezes mais do que hoje. Como é que fica essa situação? A gente ficar à deriva dessa maneira, dependendo do valor das commodities, isso é um risco. Então a gente potencializa a produção, mas vamos ver de que forma Rondônia consegue transformar a soja em proteína. E aí a gente vai gerar emprego e vender proteína e não a soja in natura", disse. O mesmo raciocínio foi aplicado ao leite, à madeira e a outras cadeias produtivas do estado, com ênfase na necessidade de beneficiamento local como forma de agregar valor e transformar a matriz econômica regional.
Desafiado sobre como seria possível sustentar uma postura de moderação num país onde, segundo o entrevistador, parte do eleitorado chega ao ponto de ingerir produtos perigosos para demonstrar fidelidade política, Pedro Abib respondeu afirmando que os extremos são uma minoria e que o maior grupo do eleitorado rondoniense é composto por cidadãos sensatos, distantes dos radicalismos. "Os extremos não representam. Os extremos estão deslocados da realidade. E não é pros extremos que a gente quer falar. A gente quer falar pro rondoniense que é sensato, e é a maior parte. Os extremos são muito poucos. Eu não tenho dúvida", afirmou.
Sobre o processo que o levou à decisão de entrar na política, o pré-candidato descreveu uma trajetória de amadurecimento que envolveu conversas com lideranças da Igreja Católica, incluindo Dom Roque e o padre Geraldo, além de reflexões familiares. Pedro Abib citou o Papa Francisco — referido durante a entrevista como o "Papa falecido, anterior ao Papa Leão" — para justificar o passo dado. "O Papa dizia: não adianta a gente criticar, criticar, criticar. O leigo da Igreja Católica tem que sair da zona de conforto e tem que ir para dentro da política. Porque a gente falar mal da política e não ir para dentro para fazer a diferença, isso é covardia. A gente tem que dar um passo de coragem", relatou.
O entrevistado também reconheceu dificuldades enfrentadas pela instituição que dirige ao tentar avançar projetos sem articulação política. Segundo ele, a demora excessiva em processos que tramitavam no Ministério da Educação foi um dos fatores que o fizeram perceber a necessidade de uma atuação mais direta no campo público. "Tu começas a perceber que, quando tu não tem uma articulação política, o que era para demorar seis meses, demora um ano e meio. O que era para ser feito em três meses, demora oito meses. Burocracia. E aquela burocracia que alguém senta em cima, que alguém tira de cima e bota para baixo, porque tu não tem articulação pública", descreveu.
Pedro Abib é filho de professores universitários, nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, e viveu cinco anos na Espanha durante a infância, entre 1997 e 2002, enquanto os pais realizavam doutorado na Universidade Autônoma de Madrid com bolsa de estudos. A família veio para Rondônia a convite de Dom Jaime, bispo de Pelotas à época e chanceler da Universidade Católica de Pelotas, que tinha relação próxima com os pais do entrevistado e os convidou para ajudar a iniciar o ensino superior católico na região amazônica. O entrevistado afirmou ter escolhido Rondônia como sua terra e descreveu a vocação para a docência como algo herdado do ambiente familiar. Sua esposa, a pesquisadora Bruna Lourenço, e as filhas Antonella e Paola também foram citadas como pilares de sua vida pessoal.
Ao encerrar a entrevista, Pedro Abib sintetizou os três eixos que pretende defender como candidato ao governo do estado e fez um apelo direto ao eleitorado. "O Pedro Abib se coloca hoje diante do povo de Rondônia para que a gente caminhe com o povo de Rondônia, que a gente esteja ao lado do povo de Rondônia, e ouvindo o povo de Rondônia, para que a gente, lá na ponta, entregue para as pessoas política pública, entregue dignidade, entregue efetivamente para as pessoas uma vida digna. E para que isso exista, eu preciso de políticas públicas sérias. Com uma tríade que vai ser defendida por mim sempre, que é a ciência, a tecnologia e a inovação, para a gente mudar o nosso estado de Rondônia e fazer dele o lugar melhor que cada um de nós quer para os nossos filhos", concluiu.



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