Publicada em 09/02/2026 às 10h18
PORTO VELHO, RO - A pré-campanha para o Governo de Rondônia em 2026 ganhou novos contornos após declarações do senador Marcos Rogério, do PL, ao admitir publicamente a construção de um diálogo político com o ex-governador Ivo Cassol, do PP, atualmente inelegível. Durante entrevista concedida nesta segunda-feira, 09, ao programa Voz de Rondônia, da Plan FM 101,7, de Ji-Paraná, apresentado por Licomédio Pereira, o parlamentar afirmou que trabalha para ter o ex-governador dentro do projeto político voltado à disputa estadual, ao mesmo tempo em que condicionou alianças à capacidade de contribuição das lideranças envolvidas.
A declaração surge dias após Marcos Rogério se encontrar com o ex-mandatário do Executivo e postar em suas redes sociais uma foto junto ao aliado e a seguinte frase: "Com governador Ivo Cassol tratando do futuro de Rondônia. Boa conversa, grandes lições e um diálogo que soma experiência e visão de futuro", anotou à época.
Já na entrevista, ao responder sobre a possibilidade de alinhamento entre o chamado grupo Cassol e sua pré-candidatura, o senador afirmou que busca proximidade com lideranças que tenham histórico de entregas administrativas. Em declaração direta, ele disse: “Eu não quero do meu lado pessoas que fizeram mal pra Rondônia ou que não tem o que contribuir com o estado de Rondônia. Agora, quem tem uma história de entregas... Quando a gente fala de estradas em Rondônia, a gente não precisa explicar muita coisa. É dizer o seguinte, a proposta é fazer o Estado voltar ao que foi na gestão Cassol no tocante à infraestrutura”.
Na mesma fala, o senador reconheceu que gestões públicas podem ser alvo de críticas, mas reiterou a avaliação de que o ex-governador teve resultados concretos na administração estadual, sobretudo na área de infraestrutura. “Ninguém é perfeito, ninguém é cem por cento, eu não sou, ele não é, e tem gente que pode criticar isso, um ponto ou outro da gestão, pode, faz parte. Agora, foi um governador que teve entregas”, afirmou, acrescentando que encontros recentes com Cassol ocorreram com objetivo de troca de experiência e aprendizado político e administrativo.
A declaração reforça um cenário de possível rearranjo político dentro do campo conservador e de centro-direita em Rondônia, sobretudo porque Cassol mantém capital político relevante no Estado mesmo fora das disputas eleitorais diretas. Marcos Rogério afirmou que mantém conversas frequentes com o ex-governador e manifestou abertamente o desejo de tê-lo como aliado no processo eleitoral. Em fala literal, declarou: “Quando eu sento com ele, converso, semana passada eu estive lá com ele, é um aprendizado, porque ele conhece o estado de Rondônia, é apaixonado pelo estado de Rondônia, e eu tenho trabalhado para ele estar conosco no projeto sim, contribuindo, colaborando, é alguém que tem ideias boas”, descreve apontando um cenário de mestre e pupilo.
O senador também indicou que a construção política não se restringe ao ex-governador, mas faz parte de um movimento mais amplo de composição de forças para a disputa estadual. Segundo ele, há negociações em andamento com outras lideranças políticas e regionais, embora sem detalhamento público dessas conversas. Ele afirmou: “Eu não tô divulgando muitas conversas, mas eu estou conversando muito, dialogando muito, buscando parcerias, porque ninguém é bom sozinho. Ninguém vai resolver o problema do estado de Rondônia sozinho”.
Durante a entrevista, o parlamentar vinculou a necessidade de alianças políticas ao diagnóstico que faz da situação atual do Estado, classificando o momento como de estagnação administrativa e institucional. Ele afirmou que a reconstrução de Rondônia exigirá um grupo político amplo e com experiência administrativa acumulada, defendendo a formação de um projeto coletivo.
A menção direta ao legado da gestão Cassol, especialmente no setor de infraestrutura rodoviária e apoio ao setor produtivo, surge em meio a um debate político sobre modelos de gestão e prioridades administrativas para os próximos anos. Ao citar o período do ex-governador, o senador argumentou que o eleitor rondoniense teria memória sobre resultados administrativos daquele ciclo político. “O eleitor de Rondônia que lembra como foi o tempo de Cassol nas estradas, no atendimento ao agricultor, ele não precisa de explicação, porque ele já sabe como é que foi”, disse.
O posicionamento ocorre dentro de um contexto eleitoral antecipado, com movimentações de pré-candidaturas e articulações partidárias já em curso para 2026. A fala sobre alianças também surge em paralelo a críticas do senador a formações políticas que, segundo ele, priorizam composições eleitorais sem alinhamento programático, embora sem citar nomes específicos.
Na parte final da entrevista, o senador reafirmou que considera natural a convivência entre diferentes estilos de gestão dentro de um mesmo grupo político, desde que haja convergência em torno de propostas administrativas. “Claro, cada governante tem o seu estilo, tem o seu modo de fazer, a maneira de conduzir, isso é natural. Agora, ter pessoas que tem como contribuir é fundamental”, afirmou.
A entrevista foi concedida em Ji-Paraná, dentro da programação regular da emissora, e abordou também temas nacionais e estaduais, além de ações parlamentares e perspectivas administrativas. O foco principal, entretanto, se concentrou na disputa eleitoral de 2026 e na construção de alianças políticas para a disputa ao Governo de Rondônia, consolidando a pré-candidatura de Marcos Rogério como um dos polos de articulação no cenário político estadual.
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