Publicada em 07/02/2026 às 11h30
As mais recentes articulações nos bastidores da política em Rondônia indicam que teremos eleições das mais aguerridas no Estado em outubro próximo, quando serão reeleitos e eleitos o presidente da República, governadores e respectivos vices; duas das três vagas ao Senado dos Estados e do Distrito Federal, Câmara Federal e Assembleias Legislativas. Mas, no Estado, a disputa pela sucessão estadual predomina, e todas as conversas têm como assunto predominante a política regional.
A cada dia aumenta o número de pretendentes ao cargo, que hoje pertence ao governador Marcos Rocha (PSD), que está no segundo mandato consecutivo. Até recentemente, cerca de dez políticos (prefeitos, ex-prefeito, ex-deputado federal, deputado federal, senadores, vice-governador e advogado) estavam na lista de prováveis candidatos à sucessão estadual, a maioria com possibilidades reais de sucesso nas urnas. Vários deles, inclusive, já provaram que são “bons de votos”.
Na lista de pré-candidatos que realmente estão em busca de vagas para se candidatar a governador estão nomes expressivos, como o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves, que preside o PSDB no Estado. Desde 10 de janeiro de 2025, quando deixou a prefeitura, vem realizando um trabalho permanente na capital e no interior, visando à reorganização do partido tucano em busca de lideranças expressivas nas áreas comercial, agrícola, social e política, entre outras, visando ao seu futuro eleitoral.
Após um período de “recesso”, quando se comentou que teria desistido de concorrer à sucessão estadual para buscar uma das oito vagas na Câmara Federal, Hildon botou o pé na estrada e vem visitando os municípios, reunindo-se com as lideranças regionais em busca de apoio para seu projeto e para a consolidação do PSDB, que já foi um dos grandes partidos do Brasil, inclusive elegendo o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
Além de Hildon, ex-prefeito, temos prefeitos reeleitos do interior que querem entrar na disputa pelo cargo de governador em outubro próximo.
O prefeito de Cacoal, Adailton Fúria (PSD), foi reeleito em 2024 com 83,16% dos votos válidos. Desde a sua reeleição, vem trabalhando uma candidatura a governador, pretensão que deverá se confirmar após o governador Marcos Rocha se filiar e assumir recentemente a presidência do PSD no Estado. Fúria poderá ter um vice indicado pelo grupo de Rocha que seja de Porto Velho, para proporcionar um “casamento” ideal entre interior e capital, além de poder contar com a “máquina” administrativa do Governo do Estado.
Flori Cordeiro (Podemos) também tem muitas chances de sucesso. Reeleito em Vilhena com 74,43% dos votos válidos, enfrentou adversária de família tradicional na região do Cone Sul, Rosângela Donadon. O Podemos é presidido no Estado pelo prefeito de Porto Velho, Leo Moraes, que obteve 56,18% dos votos válidos enfrentando uma adversária difícil, sua ex-colega da Câmara Federal, Mariana Carvalho (UB), que havia vencido o primeiro turno (Leo obteve 25,65% dos votos, enquanto sua adversária liderou com 44,53%).
Certamente Leo, que é um jovem político, mas experiente, estrategista e vitorioso, deve ter um nome forte da capital em condições de concorrer como vice de Flori e dar o suporte eleitoral de que ele precisa em Porto Velho, maior colégio eleitoral do Estado, onde mais de 360 mil eleitores estavam em condições de votar nas eleições de 2024.
Quem também busca espaço para concorrer à sucessão estadual é o deputado federal Fernando Máximo (UB), o mais bem votado (85.596 votos) nas eleições de 2022. Máximo tentou concorrer a prefeito de Porto Velho, mas seu partido fechou questão com Mariana Carvalho. Agora busca espaço para disputar o Governo do Estado, mas certamente não será pelo União Brasil, que recentemente fechou parceria nacional com o PP, formando a federação União Progressista, controlada no Estado pelos deputados federais Maurício Carvalho (UB) e Sílvia Cristina (PP), que presidem os partidos em Rondônia.
O PT, que sempre foi um partido com posicionamentos firmes e determinados, deverá ter como pré-candidato um recém-chegado à sigla, o ex-deputado federal Expedito Neto, que também já presidiu o PSD no Estado. Sua filiação recente ao partido e já com a disposição de concorrer à sucessão estadual é uma interrogação, mas deverá contar com a força do presidente Lula, que, admitam ou não, é um líder político inconteste e já provou isso nas urnas.
Os senadores Confúcio Moura e Marcos Rogério, que presidem o MDB e o PL no Estado, respectivamente, estariam com outros planos para as eleições de outubro. O futuro político-eleitoral de Marcos Rogério caminha para uma nova candidatura a governador. Em 2022 foi candidato, chegou ao segundo turno como favorito, de acordo com institutos de pesquisas confiáveis da época, mas acabou sendo derrotado por Marcos Rocha (UB), que se reelegeu.
Pessoas próximas a Marcos Rogério garantem que ele está trabalhando uma pré-candidatura a governador. Seria uma parceria com enormes chances de sucesso caso conseguisse trazer como vice o deputado federal Fernando Máximo, mas, devido ao ego de ambos, apesar de ser uma união viável e forte, estaria descartada. Como em política nada é impossível, de repente...
Confúcio chegou a admitir que concorreria a governador, cargo que ocupou em dois mandatos seguidos, antes de se eleger senador. Depois afirmou que o “plano futuro” seria a reeleição e, mais recentemente, que poderá deixar a vida pública após o final do mandato este ano. Quem conhece bem o senador sabe que, até as convenções partidárias (20 de julho a 5 de agosto), teremos muitas “idas e vindas”; por isso é melhor aguardar...
É importante destacar que esta semana surgiu o nome do empresário Paulo Andrade, que já foi vereador em Pimenta Bueno e militante ativo do MDB. Advogado, professor e reitor da Unopar, Paulo teria sido convidado pelo senador Confúcio Moura para concorrer à sucessão estadual nas eleições de outubro.
O vice-governador Sérgio Gonçalves, independentemente de o governador Marcos Rocha ser ou não candidato ao Senado, deverá entrar na disputa. Se Rocha for candidato, terá que renunciar seis meses antes das eleições. Nessa condição, Sérgio assumirá e disputará a reeleição com chances reais de sucesso, pois terá a “máquina” administrativa estadual em mãos.
No caso de Rocha cumprir o mandato até o final e Sérgio optar por concorrer a governador, ele terá a seu favor o irmão, Júnior, um dos mais competentes articuladores políticos do Estado, que é fundamental no processo eleitoral. Júnior Gonçalves levou Rocha a se eleger em 2018 e à reeleição em 2022, quando era considerado derrotado por Marcos Rogério.
Correndo por fora, mas sempre com chances de ganhar mais espaços na política, o advogado Samuel Costa, do REDE, busca um espaço para concorrer a governador. Tem um bom trabalho social e é um abnegado na política partidária do Estado.
Diante desse cenário de múltiplas articulações, nomes fortes e estratégias em construção, fica evidente que as Eleições de 2026 em Rondônia serão marcadas por intensa movimentação política e por disputas acirradas. Partidos tradicionais se reorganizam, novas lideranças surgem e antigos protagonistas reavaliam seus caminhos. Até as convenções, muitas alianças ainda poderão ser formadas ou desfeitas, e o quadro eleitoral seguirá em constante transformação. O certo é que o eleitor rondoniense terá à disposição um leque amplo de opções, refletindo a diversidade de projetos e visões para o futuro do Estado.



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