Publicada em 05/02/2026 às 09h41
MANIPULAÇÃO
As mídias digitais revolucionaram os meios convencionais pelos quais o cidadão acessa informações, oferecendo em tempo real uma gama quase infinita de notícias. O problema é que, com elas, surgiu também uma “nova verdade”, hoje conhecida como fake news. O que no passado era apenas uma “barrigada”, no jargão jornalístico, transformou-se em versões falsas reproduzidas de forma acintosa, rápida e viral, a ponto de a mentira assumir contornos de verdade.
Um exemplo clássico em Rondônia é a falsa narrativa de que uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa teria sido feita para atender especificamente a Energisa. Se isso fosse verdade, seria flagrantemente inconstitucional, pois não se pode legislar para atender interesses individuais, sejam de pessoas físicas ou jurídicas.
REFIS
O que o Governo de Rondônia fez — assim como fazem estados e municípios em todo o país — foi encaminhar um Projeto de Lei ao Poder Legislativo criando um programa de refinanciamento de débitos tributários. O objetivo é permitir que empresas, grandes ou pequenas, quitem pendências fiscais sem o acréscimo de juros punitivos.
Isso não configura renúncia fiscal, como afirmam desinformados de ocasião. Trata-se de um instrumento jurídico legal, utilizado há décadas, para incrementar a arrecadação e evitar a falência de empresas. Muitos empresários e cidadãos comuns já recorreram ao Refis para regularizar dívidas e manter seus negócios. Ainda assim, há quem critique o mecanismo quando ele alcança empresas maiores, como se o benefício pudesse ser exclusivo. Eis a má-fé travestida de crítica moral.
ENERGISA
Antes que se diga que esta coluna faz defesa da Energisa ou que exista algum vínculo de patrocínio, é preciso esclarecer: o refinanciamento de créditos tributários é prática consolidada no sistema tributário nacional. Estados e municípios o utilizam para regularizar passivos, preservar atividades econômicas e garantir arrecadação futura.
Sem esse instrumento, muitas empresas quebrariam e jamais quitariam seus débitos, causando prejuízo ainda maior ao erário.
FAKE
Embora todas as grandes empresas devedoras sejam alcançadas pelo Refis, apenas a companhia de energia virou a “Geni” das narrativas distorcidas. É falso afirmar que a lei anistia dívidas. O que se exclui são juros extorsivos, que inviabilizam negócios e empregos.
O Tesouro estadual arrecadará milhões com o Refis, ao contrário do que propagam as fake news. Parte expressiva desse montante será repassada aos municípios. Porto Velho, por exemplo, deverá receber cerca de cinquenta milhões de reais. Não por acaso, a Associação dos Prefeitos foi uma das principais defensoras da proposta. Curiosamente, os prefeitos não foram alvo das críticas, o que revela o verdadeiro objetivo da desinformação: desgastar o governo e o parlamento.
CRÍTICA
É função do jornalismo informar e criticar governos e empresas que não se comportam de forma ética. Um país livre é aquele que garante o direito à informação sem censura ou amarras. Mas é também dever ético apurar corretamente os fatos, evitando manipulações que transformem mentira em verdade.
Por isso, os Tribunais Eleitorais têm se mostrado vigilantes neste ano eleitoral. Uma fake news, uma vez lançada, produz estragos muitas vezes irreversíveis.
INSANIDADE
O país está tão conflagrado pela polarização entre lulistas e antilulistas que até políticas públicas elementares viram disputa ideológica. O programa “Gás do Povo”, destinado a fornecer botijões de gás a famílias humildes, foi atacado como se fosse heresia política.
Só um parlamentar desprovido de sensibilidade social vota contra um projeto de alcance social tão evidente. A polarização atrai, além de fanáticos, gente incapaz de qualquer gesto mínimo de generosidade.
POLARIZAÇÃO
Os números obtidos por Jair Bolsonaro na última eleição presidencial reaparecem, com variações mínimas, nas pesquisas atuais envolvendo seu campo político. Isso demonstra que a polarização permanece sólida e tende a se repetir. Lula, por sua vez, enfrenta um antilulismo consolidado, que explica a manutenção do embate binário. O centro político segue fragmentado e incapaz, até agora, de romper essa lógica.
PROBABILIDADE
Pesquisas indicam favoritismo de Lula em diversos cenários, mas também revelam fadiga do eleitorado. O presidente é um líder histórico, porém carrega limitações naturais de um político em final de carreira. Seu capital simbólico permanece relevante, sobretudo no exterior, mas internamente enfrenta resistência crescente. A eleição tende a ser decidida menos pela paixão e mais pelo medo de aprofundamento da polarização.
MEDÍOCRE
Independentemente das preferências ideológicas, Flávio Bolsonaro nunca se destacou como parlamentar. Sua trajetória na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro foi marcada pelo escândalo da rachadinha, cuja investigação foi anulada por questões processuais que ainda causam perplexidade. Ainda assim, demonstra musculatura eleitoral suficiente para enfrentar Lula, para surpresa de petistas e céticos. A disputa será definida pelo eleitor de centro, atento aos riscos da radicalização.
VITÓRIA
Lula segue competitivo, mas seu brilho político já não é o mesmo do passado. Gafes recorrentes e dificuldades em improvisar revelam um líder que carrega cacoetes de outra era. Por isso, sua campanha tende a ser cada vez mais controlada. Ainda assim, permanece como o nome progressista brasileiro mais respeitado internacionalmente.
DIREITA
Em Rondônia, três candidatos da direita despontam como principais concorrentes ao governo. A disputa entre eles passa pela tentativa de se apresentar como o mais conservador, especialmente nos debates. Caso a polarização nacional contamine o cenário estadual, o apoio explícito de lideranças bolsonaristas poderá pesar. Marcos Rogério tende a ser beneficiado, embora ainda não seja claro se isso será suficiente para garantir a vitória.
RONDÔNIA
No segundo turno, a influência do cenário nacional pode ser decisiva. Em Rondônia, o petismo é demonizado por parcelas expressivas do eleitorado, tanto pobre quanto rico. Isso cria um ambiente adverso para qualquer candidatura identificada com a esquerda. Vencer exigirá diálogo com o centro e habilidade para neutralizar o discurso ideológico radicalizado.
CASSOL
É risível o debate nas redes sobre o suposto apoio de Ivo Cassol após uma foto protocolar. Todos desejam sua adesão, e a gritaria parte justamente de quem almejava o mesmo gesto.
Convém, contudo, não superestimar esse apoio. Cassol gosta de ser bajulado, mas não tolera ver outro na cadeira de governador. Seu respaldo costuma ser protocolar, fotográfico e sem convicção. Amor a Rondônia nunca foi seu traço dominante. Ingênuo é quem cai em suas esparrelas.



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