Quase R$ 48 mil em despesas de campanha e apenas 31 votos nas urnas. Esse foi o resultado da candidatura de Eliane Macena (MDB) à Assembleia Legislativa nas eleições de 2026. A relação entre os gastos declarados e a votação recebida levou a uma média de R$ 1.548,37 por voto, a maior identificada no levantamento realizado pelo Rondônia Dinâmica.
+ De R$ 5,13 a R$ 48,86: veja quanto custou cada voto recebido pelos candidatos eleitos em Rondônia
A reportagem cruzou registros financeiros declarados pelas candidaturas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com os resultados da votação em Rondônia. Os números mostram campanhas que movimentaram dezenas ou centenas de milhares de reais, mas terminaram a disputa com poucos votos e sem conquistar uma cadeira.
A expressão “custo por voto” não significa compra de votos ou pagamento a eleitores. Trata-se da divisão das despesas contratadas pela quantidade de votos recebidos. O indicador permite comparar os gastos das campanhas com o resultado nas urnas e, isoladamente, não demonstra irregularidade.
Na campanha de Eliane, foram declarados R$ 47.999,50 em despesas e R$ 55.675 em arrecadação. Dos recursos recebidos, R$ 44 mil vieram do fundo eleitoral, repassados pela direção nacional do MDB, e R$ 11.225 do Fundo Partidário, transferidos pelo diretório estadual. Juntos, esses repasses representam mais de 99% da arrecadação informada.
R$ 470 mil arrecadados e 290 votos
Na disputa pela Câmara dos Deputados, Ana Albuquerque (Solidariedade) registrou o maior custo médio por voto: R$ 1.224,90. A candidata declarou R$ 355.220 em despesas contratadas e recebeu 290 votos.
Sua campanha arrecadou R$ 470 mil, integralmente provenientes do fundo eleitoral, em repasse da direção nacional do Solidariedade.
Entre as despesas informadas estão R$ 100 mil em cessão ou locação de veículos, R$ 80 mil em serviços advocatícios, R$ 75.500 em publicidade por materiais impressos e R$ 60 mil em pessoal.
Outra candidata a deputada federal, Cleuda da Estética (Novo), também ultrapassou a marca de R$ 1 mil por voto. Foram R$ 145.633,07 em despesas para 131 votos, uma média de R$ 1.111,70. Dos R$ 154.125 arrecadados, R$ 150 mil vieram do fundo eleitoral, transferidos pela direção nacional do Novo.
Quase R$ 1 milhão em despesas e menos de mil votos
Valneria Mota (PP) declarou R$ 968.392,18 em despesas de campanha e recebeu 995 votos para deputada federal. O custo médio ficou em R$ 973,26 por voto.
A arrecadação chegou a R$ 1.116.666,43. A direção nacional do PP repassou R$ 1.032.367,51, somando recursos do fundo eleitoral e do Fundo Partidário — o equivalente a 92,45% das receitas declaradas.
Entre os maiores gastos estão R$ 271.833,65 em atividades de militância e mobilização de rua, R$ 250 mil em serviços advocatícios e R$ 120 mil na produção de jingles, vinhetas e slogans. A publicidade por materiais impressos somou R$ 101.261,20.
Na Assembleia, média supera R$ 600 em outra candidatura
Depois de Eliane Macena, Marina da Pesca (União Brasil) apresentou o maior custo por voto na disputa estadual. A candidata declarou R$ 640.481,06 em despesas e recebeu 1.044 votos, chegando a uma média de R$ 613,49.
Luciana Colares (MDB) informou R$ 46.250 em gastos e obteve 79 votos, uma média de R$ 585,44. Dra. Kamilly Phaiol (PP) declarou R$ 189.893,68 para 330 votos, o equivalente a R$ 575,44 por voto.
Pedro Abib teve o maior custo por voto para governador
Na disputa pelo governo, Pedro Abib (MDB) registrou média de R$ 157,41 por voto, a maior entre os candidatos ao cargo. Foram R$ 1.037.503,92 em despesas declaradas para 6.591 votos.
A campanha recebeu R$ 1 milhão do fundo eleitoral, repassados pela direção nacional do MDB, e R$ 47.500 do Fundo Partidário, transferidos pelo diretório estadual.
A produção de programas de rádio, televisão ou vídeo concentrou R$ 798 mil das despesas. Outros R$ 120 mil foram destinados a serviços advocatícios.
Hildon Chaves (União Brasil) e Adailton Fúria (PSD) registraram médias próximas: R$ 26,49 e R$ 26,47 por voto, respectivamente. Marcos Rogério (PL), eleito governador, apresentou média de R$ 11,27, com R$ 6.053.547,58 em despesas e 537.370 votos.
Luis Fernando liderou o custo por voto para o Senado
Na eleição para o Senado, Luis Fernando (PSD) apresentou o maior custo médio por voto do levantamento. Sua campanha declarou R$ 919.124,75 em despesas contratadas e recebeu 23.737 votos, uma relação de R$ 38,72 por voto.
Acir Gurgacz (PDT) registrou média de R$ 27,08, com R$ 1.962.991,45 em despesas e 72.490 votos.
Entre os eleitos, Bruno Scheid (PL) declarou R$ 3.451.350,25 em despesas e recebeu 474.226 votos, chegando a R$ 7,28 por voto. Dr. Fernando Máximo (PL) informou R$ 3.281.961,41 em gastos para 570.799 votos, uma média de R$ 5,75.
Valores ainda podem mudar
A apuração do Rondônia Dinâmica considera os registros declarados ao TSE disponíveis nos arquivos consultados, com atualização financeira de 8 de outubro. As informações incluem prestações parciais e podem mudar com novos registros, correções e a apresentação das contas finais.
O cálculo utiliza despesas contratadas, que podem incluir compromissos ainda não pagos, e não o total arrecadado. Os números retratam a relação entre os gastos informados e a votação recebida, sem antecipar conclusões sobre a regularidade das contas.
Confira o levantamento completo:


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