O silêncio das urnas: abstenção, votos silenciosos e o risco de surpresas na reta final das eleições em Rondônia
CARO LEITOR, a eleição não se decide apenas por quem vota, mas por quem fica em casa. Com a disputa apertada, a abstenção pode alterar o resultado. Desde 2006, a ausência no primeiro turno cresce e, em 2022, chegou a 20,79%: 32,2 milhões de eleitores. Ignorar esse contingente é desprezar uma variável importante. Cada voto válido ganha peso, mas não se pode presumir que os ausentes apoiariam o mesmo candidato. Campanhas mobilizam apoiadores, porém não controlam o comparecimento nem sabem quem ficará em casa. A reta final exige atenção aos eleitores engajados e às barreiras à participação. Neste domingo, o silêncio também contará. A urna registrará os votos, enquanto a abstenção poderá expor a distância entre a política e o eleitorado.
Ausência
A abstenção não é um detalhe das estatísticas eleitorais. Em 2022, 32,2 milhões de brasileiros deixaram de votar no primeiro turno. Em uma disputa acirrada, a diferença entre comparecimento e ausência pode ter repercussão no resultado, embora não seja possível determinar antecipadamente qual candidatura será beneficiada.
Abstenção
A decisão de não votar pode decorrer de desinteresse, descrença nos políticos, dificuldades de deslocamento ou obstáculos pessoais. Também é necessário considerar que o voto é facultativo para determinados grupos. Portanto, não se deve atribuir uma preferência política uniforme aos eleitores ausentes: abstenção não significa necessariamente apoio ou rejeição a um candidato.
Dimensionar
Para as campanhas, mobilizar eleitores e facilitar o acesso às informações sobre a votação faz parte da estratégia eleitoral. Pesquisas registram intenções de voto entre os entrevistados, mas o resultado depende de quem efetivamente comparece às urnas. Em uma eleição competitiva, compreender o território e as razões do afastamento eleitoral ajuda a dimensionar o desafio da participação.
Tentativa
Falando em mobilizar, o presidente Lula (PT-SP) e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentram os últimos atos de campanha em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, na tentativa de ampliar suas votações antes do primeiro turno.
Aposta
O presidente Lula (PT-RJ) aposta na mobilização de apoiadores e na conquista dos indecisos, enquanto busca incentivar eleitores com mais de 70 anos a comparecer às urnas, faixa em que o voto é facultativo.
Útil
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua vez, investe no discurso do voto útil para atrair eleitores da direita que ainda consideram outras candidaturas. A estratégia busca concentrar votos em seu nome e fortalecer sua posição na disputa.
Mobilização
Lula (PT-SP) encerrou a campanha com caminhada na Avenida Paulista ao lado de Fernando Haddad (PT-SP) que disputa o governo paulista. Já Flávio Bolsonaro (PL-RJ) combinou agenda no interior paulista com ato no Rio de Janeiro, seu principal reduto político. Na reta final, mobilização, comparecimento e concentração de votos tornam-se peças centrais da disputa.
Combinou
Falando em combinou, o candidato a governador Hildon Chaves (União) disse à coluna confiar na chegada ao segundo turno, apoiado por eleitores da capital e do interior. Para Hildon chegar ao segundo turno, precisa que o leitor portovelhense abrace a ideia de eleger o governador da capital.
Vantagem
O candidato a governador Marcos Rogério (PL) aposta no interior e no apoio do prefeito Léo Moraes (Podemos) em Porto Velho para sustentar a liderança e chegar ao segundo turno com vantagem confortável sobre o segundo colocado. É preciso converter apoio em votos já no domingo.
Desgastado
O candidato a governador Adailton Fúria (PSD), que rompeu com o governador Marcos Rocha, correligionário de partido, perdeu apoios importantes na capital e no interior durante a reta final. Desgastado, ainda mantém a expectativa de chegar ao segundo turno.
Votos
Os candidatos à esquerda Expedito Netto (PT), Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB) não ampliaram a preferência entre eleitores lulistas. Netto tende a reunir votos petistas; Abib, os da militância emedebista; e Samuel, votos de protesto neste pleito.
Áudio
Falando em protesto, a Justiça Eleitoral determinou a remoção de posts com áudio falso atribuído a Bruno Scheid (PL), que atacaria Silvia Cristina (PP) e Fernando Máximo (PL). Parecer técnico apontou sinais de geração por inteligência artificial no arquivo.
Falso
A Justiça ordenou que Meta e ElevenLabs preservem dados para rastrear a origem do áudio falso. A autoria da gravação e a responsabilidade por sua divulgação continuam sob apuração no TRE-RO, sem conclusão final no momento, inclusive sobre os envolvidos.
Eleição
Bruno Bolsonaro Scheid (PL) chega ao dia da eleição com apoio de setores da direita na disputa ao Senado, sustentado pelo discurso alinhado às pautas bolsonaristas. Já Fernando Máximo (PL), seu colega de partido, enfrenta questionamentos dos adversários sobre sua atuação como secretário estadual de Saúde e deputado federal, especialmente pela ausência de um hospital entregue à população de Porto Velho.
Alerta
Silvia Cristina (PP), que disputa uma vaga ao Senado, recorreu à Polícia Federal para denunciar um suposto ataque racista mediante o áudio falso usando a voz de Bruno Bolsonaro Scheid (PL). A Justiça Eleitoral de Rondônia agiu rapidamente ao determinar a remoção do áudio falso após parecer técnico apontar indícios de manipulação por inteligência artificial. O episódio acende um alerta sobre o uso de conteúdos falsos para interferir na disputa eleitoral e favorecer candidaturas.
Radar
A candidata Mariana Carvalho (Republicanos) chega à reta final em movimento de crescimento, despertando atenção no tabuleiro eleitoral. Em uma disputa acirrada, candidaturas que avançam naturalmente entram no radar dos adversários. Caso eleita, Mariana terá o desafio de representar Porto Velho e os demais municípios rondonienses no Senado Federal.
Decolar
O governador Coronel Marcos Rocha (PSD) não conseguiu transformar o peso da máquina governamental em capital eleitoral para impulsionar seu candidato ao Senado, Luiz Fernando (PSD). Sem conseguir decolar nas urnas, Luiz Fernando corre o risco de encerrar a disputa sem densidade eleitoral e sem protagonismo para projetos políticos futuros.
Alinhamento
No palanque do presidente Lula (PT-SP), os candidatos ao Senado também enfrentam dificuldades para converter alinhamento político em votos. A jornalista Luciana Oliveira (PT), o ex-senador Acir Gurgacz (PDT), Aires Mota (PV) e Neidinha Suruí (PSB) não conseguiram, até aqui, demonstrar força suficiente para capitalizar o eleitorado lulista em Rondônia.
Projeção
A coluna encerra a projeção dos cargos proporcionais para Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO), ou seja, avaliando quem pode conquistar ou renovar mandato. A análise considera FEFC, atuação parlamentar, emendas, ideologia, grupo político, base, recall eleitoral e pesquisas deste pleito.
PSOL
Comecemos pelos partidos de esquerda. O PSOL poderia lançar 25 candidatos a deputado estadual, mas registrou apenas dez. Sem nomes com potencial de votação expressiva, a legenda chega à disputa com uma nominata reduzida, comprometendo suas chances eleitorais e ampliando o risco de desperdiçar recursos.
PSB
Na mesma linha do PSOL, o PSB lançou apenas oito candidatos a deputado estadual, após intervenção do Diretório Nacional no Estadual. A decisão verticalizada da direção socialista enfraqueceu a organização partidária em Rondônia e prejudicou a formação das nominatas para as disputas federal e estadual.
PT/PCdoB/PV I
A federação PT/PCdoB/PV cumpriu parcialmente seu planejamento: o PT lançou 14 candidatos a deputado estadual, enquanto o PV apresentou seis. Já o PCdoB, sem organização suficiente, deixou de preencher cinco vagas, reduzindo o potencial eleitoral da federação na disputa proporcional.
PT/PCdoB/PV II
Na federação PT/PCdoB/PV, a deputada Claudinha de Jesus (PT) aparece como nome na disputa pela reeleição. Já a ex-senadora Fátima Cleide (PT) e o ex-senador Ernandes Amorim (PV) enfrentam o desafio de converter suas trajetórias políticas em votos para chegar à Assembleia Legislativa. Não eleitos, podem pedir música para o Fantástico.
Podemos
Nos partidos de centro, o Podemos lançou 22 candidatos, e o irmão do prefeito Léo Moraes (Podemos) deverá atuar como puxador de votos da nominata. Acredito que a legenda tenha condições de conquistar uma segunda cadeira na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO), com a Professora Gláucia Negreiros (Podemos) entre os nomes cotados para ocupar a vaga.
MDB
O MDB lançou 25 candidatos e aposta na força da nominata para eleger Rafael Claros (MDB) deputado estadual na rodada da chamada “sobra das sobras”. Os estrategistas da legenda trabalham com essa possibilidade, mas, diante do cenário que observo, não consigo enxergar um horizonte favorável para a conquista do mandato.
Avante
O Avante lançou 21 candidatos a deputado estadual. Na minha projeção, os três primeiros nomes com chances de conquistar cadeiras são o deputado estadual Marcelo Cruz, que busca a reeleição, seguido de Zé Paroca e Dr. Breno Mendes. Caso a legenda alcance uma quarta vaga, Marcos Combate, Laércio Torres e Dr. Luiz Ferrari entram na disputa pela cadeira.
Mobiliza
O Mobiliza conseguiu registrar 22 candidatos a deputado estadual. Entre os nomes conhecidos estão o ex-deputado estadual Ribamar Araújo, o ex-prefeito de Nova Brasilândia, Silas Borges, o Bombeiro Gerenildo e o ex-vereador de Ariquemes Jorge Camelô. Todos apostam na possibilidade de chegar à ALERO pela rodada da “sobra das sobras”, mas, neste momento, não consigo identificar um cenário favorável à conquista de uma cadeira.
PSD
O PSD registrou 25 candidatos a deputado estadual e reúne nomes com mandato e lideranças em busca de espaço na ALERO. Na minha projeção, os deputados estaduais Laerte Gomes e Cássio Gois caminham para a reeleição e disputam quem será o mais votado da legenda. O partido poderá conquistar outras duas cadeiras, com Jurandir Oliveira, Eyder Brasil, Raissa Bento e Everaldo Fogaça entre os nomes que entram nessa disputa.
PRD/Solidariedade
A federação partidária PRD/Solidariedade lançou 17 nomes para deputado estadual. A chapa comiserada da morte nos bastidores do poder, deve reeleger os deputados estaduais Jean Oliveira (PRD), Edvaldo Neves (PRD), Pedro Fernandes (PRD) e caso faça uma quarta cadeira para ALERO, briga o deputado Ribeiro do Sinpol (PRD), Rosângela Donadon (PRD), Gislaine Lebrinha (PRD) e ainda corre por fora, o ex-deputado federal Carlos Magno.
UP
No campo da direita, a federação União Progressista (UP), formada por União Brasil e PP, registrou 18 candidatos a deputado estadual. A projeção aponta duas vagas: Ismael Crispim (PP) deve ser o mais votado, enquanto Neoli Deiró, Ieda Chaves e Delegado Arismar Araújo disputam a segunda.
Morte
O PL montou outra “chapa da morte”, com 20 candidatos a deputado estadual, incluindo seis parlamentares em busca da reeleição. Alan Queiroz, Nim Barroso e Ninho Testoni despontam como puxadores de votos, seguidos por Luizinho Goebel e Jean Mendonça na disputa.
Corte
Na nominata do PL, também estão os deputados estaduais Delegado Lucas Torres e Dra. Taissa Souza, além de Wiveslando Neiva, filho do deputado estadual Ezequiel Neiva. Os três precisam alcançar cerca de 15 mil votos para entrar na linha de corte da legenda e disputar uma cadeira na ALERO, seja para renovar ou conquistar o mandato.
Manter
Diante do cenário desafiador da deputada estadual Dra. Taissa Souza, que busca a reeleição pelo PL e precisa alcançar cerca de 15 mil votos, Raissa Bento (PSD) surge como alternativa na disputa por uma cadeira na ALERO. Com uma estimativa de 8 mil votos para alcançar a linha de corte do PSD, sua eleição poderá manter Guajará-Mirim e Nova Mamoré com representação na Assembleia Legislativa.
Novo
O Novo lançou 25 candidatos, entre eles a vice-prefeita da capital, Magna dos Anjos, e o jornalista e apresentador Augusto José. Na minha projeção, os nomes com chances de conquistar cadeiras são o vereador Dr. Gilber e o deputado estadual Luizinho do Hospital, que busca a reeleição.
Republicanos
O Republicanos registrou 23 candidatos a deputado estadual. O deputado Alex Redano aparece na projeção de reeleição. Na disputa pela segunda e terceira vagas estão Dr. Benedito Alves, Pastor Ivanildo, Cássia do João dos Muletas e os vereadores de Porto Velho Adalto do Bandeirantes e Marcio Pacele.
Sério
Falando sério, a abstenção pode ser a grande incógnita das urnas em Rondônia. Enquanto candidatos contam votos, o silêncio de quem não comparece também pesa no resultado. No fim, ganha quem erra menos na eleição.


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