PORTO VELHO, RO - O senador Marcos Rogério afirmou que é o único nome com perfil ideológico de direita entre os pré-candidatos que atualmente se apresentam para disputar o Governo de Rondônia nas eleições de 2026. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Povo na TV, conduzida pela apresentadora Meiry Santos.
Questionado sobre o posicionamento político dos nomes colocados na disputa estadual, o senador respondeu que, considerando o espectro político dos atuais pré-candidatos, o Partido Liberal ocupa sozinho o campo da direita na eleição para governador.
“Eu acho, pelo espectro político daqueles que estão na disputa hoje, da direita, sim, o PL é o único candidato de direita que está, nesse momento, disputando eleição para governador. Tem outros que têm posições mais de centro, outros são de esquerda, mas com perfil ideológico de direita, eu penso que o único seja o Marcos Rogério”, declarou.
Marcos Rogério afirmou que está percorrendo Rondônia e conversando com a população para apresentar novamente seu nome como pré-candidato ao governo estadual. Ele disputou o mesmo cargo nas eleições de 2022 e classificou o cenário de 2026 como diferente, embora tenha sustentado que enfrentará novamente a estrutura do governo estadual.
Segundo o senador, na eleição anterior, o principal adversário era o atual governador, que disputava a reeleição. Marcos Rogério acrescentou que havia outros candidatos considerados fortes naquela disputa. Para 2026, declarou que os nomes são diferentes, mas afirmou que a administração estadual apresenta um candidato identificado com a continuidade do atual governo.
“É, naquela eleição eu disputei sobretudo com a máquina, o atual governador disputava a reeleição e a minha disputa principal naquele momento foi com ele, mas tinha outros candidatos fortes também disputando. Embora hoje não tenham aqueles candidatos, mas você tem a máquina novamente apresentando um nome para ser um candidato de continuidade do atual governo. Então é um cenário um pouco diferente, mas de novo nós vamos enfrentar a máquina”, disse.
Ao tratar das dificuldades que identifica em Rondônia e das prioridades de uma eventual administração estadual, Marcos Rogério afirmou que o estado possui solo produtivo, disponibilidade de água e uma população trabalhadora, mas enfrenta obstáculos relacionados à burocracia. Ele citou situações envolvendo produtores rurais e comerciantes que, de acordo com sua avaliação, realizam investimentos e planejamentos, mas encontram dificuldades para obter licenças e autorizações administrativas.
Como exemplo, o senador mencionou produtores que planejam o plantio de café, preparam o solo, obtêm mudas e estruturam projetos de irrigação, mas não conseguem a licença ou a outorga de água necessária para executar o empreendimento. Também citou comerciantes que organizam a abertura de um negócio, realizam investimentos e elaboram projetos, mas enfrentam entraves na etapa do licenciamento.
Marcos Rogério afirmou que o governo estadual precisa destravar as ações relacionadas ao desenvolvimento e defendeu que a preservação ambiental e o crescimento econômico sejam conduzidos de maneira equilibrada. Segundo ele, a expansão da atividade econômica pode gerar empregos, elevar a renda da população e ampliar a arrecadação estadual, permitindo maiores investimentos em saúde, educação, infraestrutura e segurança pública.
Na área da saúde, o senador declarou que Rondônia enfrenta problemas estruturais e gerenciais. Ele afirmou que a administração pública não deve observar as filas da regulação e os indicadores de atendimento somente como números, porque cada caso representa uma pessoa que necessita de consultas, exames especializados ou procedimentos cirúrgicos.
Marcos Rogério mencionou famílias que, diante da dificuldade de acesso ao atendimento público, promovem rifas e arrecadações para pagar exames e cirurgias na rede particular. Também relatou ter conhecido, em Itapuã, o caso de um homem identificado como Seu Levi, que teria passado por uma cirurgia de coluna dois anos antes e continuava utilizando uma bolsa de colostomia por não ter conseguido realizar o acompanhamento posterior com um especialista.
“Porque ele fez a cirurgia, mas o pós-cirúrgico o Estado não fez. Ele não conseguiu voltar. No especialista para ver como é que estava, qual seria o próximo passo, ou seja, isso não resolve. Se você não tiver começo, meio e fim no procedimento, isso é muito ruim, é um gasto mal feito, é um resultado que não entrega de volta a qualidade de vida que o paciente precisa”, declarou.
O senador também apontou a ausência do hospital de urgência e emergência prometido para Porto Velho e defendeu a descentralização dos serviços de saúde. Segundo ele, aproximadamente 70% dos casos encaminhados à capital, especialmente para o Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II e para o Hospital de Base, poderiam ser atendidos no interior do estado.
Ao ser questionado sobre sua atuação no Senado para auxiliar o governo estadual na redução das filas e na ampliação dos atendimentos, Marcos Rogério afirmou que ele e os demais integrantes da bancada federal destinaram recursos principalmente aos municípios.
O senador citou um hospital em construção em Machadinho do Oeste, além de investimentos na saúde de Ariquemes, incluindo a construção de uma farmácia e de um centro de reabilitação, recursos para custeio, pagamento de médicos, realização de cirurgias, aquisição de medicamentos e manutenção do funcionamento dos serviços.
Também mencionou investimentos em Ji-Paraná, Vilhena e Ouro Preto do Oeste. No caso de Vilhena, afirmou que recursos de sua atuação foram destinados à reforma de alas hospitalares e à realização de cirurgias eletivas. Em Ouro Preto do Oeste, declarou ter destinado recursos para cirurgias e atendimentos à população.
Marcos Rogério sustentou que os repasses feitos pela bancada federal aos municípios contribuíram para evitar um agravamento da situação da saúde. Em relação ao governo estadual, afirmou que a administração não abriu espaço para uma atuação conjunta com a bancada e não conseguiu executar recursos enviados ao estado.
“Agora no Estado, o Estado nunca abriu a porta para a bancada, nunca aceitou a ajuda da bancada e o recurso que a bancada mandou para o Estado, o Estado não conseguiu executar”, afirmou.
Questionado especificamente sobre o hospital de urgência e emergência de Porto Velho, o senador declarou que a dificuldade para a implantação da unidade não esteve relacionada à falta de recursos financeiros. Segundo Marcos Rogério, o Tribunal de Contas do Estado de Rondônia disponibilizou recursos, enquanto o governo estadual também possuía previsão financeira para executar a obra.
Ele afirmou que o estado decidiu não utilizar o recurso inicialmente disponibilizado e adotou outro modelo de contratação, identificado durante a entrevista como modelo BTS e descrito como uma parceria público-privada. Para o senador, os obstáculos decorreram de questões de gestão, liderança e planejamento.
“O Hospital de Porto Velho, o problema dele aqui não foi dinheiro. O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia colocou recurso pra fazer, o Estado tinha previsão pra fazer, depois o Estado não quis usar o recurso que foi colocado pra fazer o hospital e usou um outro modelo, que é o chamado modelo BTS, que seria uma parceria público-privada pra executar. O problema da construção do Hospital de Urgência e Emergência em Porto Velho não foi financeiro, foi gestão. Foi falta de liderança, foi falta de planejamento”, declarou.
Ao ser perguntado se retomaria o projeto caso fosse eleito, Marcos Rogério afirmou que não se trataria de uma tentativa, mas da execução da unidade. Ele classificou o hospital como uma necessidade da população, mas ressaltou que sua construção não solucionaria isoladamente todas as dificuldades do sistema estadual de saúde.
“Não vamos tentar, nós vamos fazer. É uma questão de decência com o povo do estado de Rondônia. É uma necessidade”, afirmou.
O senador disse que pretende aproximar a bancada federal do governo estadual para obter recursos e ampliar o atendimento, especialmente por meio da descentralização. Citou hospitais municipais de Cerejeiras, Seringueiras e Rolim de Moura que possuem centros cirúrgicos e leitos, mas que, segundo ele, não realizam o volume de cirurgias necessário para impedir o deslocamento de pacientes até Porto Velho.
Marcos Rogério defendeu a celebração de convênios entre o estado e os municípios, a utilização das unidades municipais como retaguarda da rede estadual e a complementação dos valores da tabela do Sistema Único de Saúde com recursos do governo de Rondônia. Segundo o senador, essa complementação permitiria ampliar a realização de procedimentos no interior.
Outra alternativa mencionada foi o uso de carretas de saúde para levar atendimentos a diferentes regiões. Ele citou como referências o trabalho realizado pelo Hospital de Amor e iniciativas conduzidas pelo setor privado.
Marcos Rogério também relatou ter visitado o Hospital Santa Marcelina e afirmou que a instituição executa um trabalho classificado por ele como de excelência. Segundo o senador, a unidade atua como retaguarda do João Paulo II e obtém resultados positivos nos procedimentos que realiza diretamente. Ele ponderou, entretanto, que pacientes encaminhados ao hospital apenas para aguardar atendimento no Hospital de Base permanecem sem previsão definida para a continuidade do tratamento.
Na parte final da entrevista, o senador foi questionado sobre a possibilidade de ser eleito governador em um cenário de eventual vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial. Marcos Rogério afirmou acreditar em uma mudança no comando do governo federal e declarou apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
O senador disse considerar que a disputa presidencial está tecnicamente empatada e que ainda haverá novos acontecimentos durante o processo eleitoral. Acrescentou que, mesmo diante de um resultado diferente daquele que defende, governaria Rondônia e buscaria recursos federais por meio da bancada.
“Obviamente que, assim, eu acredito na eleição do Flávio e se tivesse um outro cenário diferente, eu governaria com a mesma paixão, com a mesma compreensão dos problemas do estado de Rondônia e buscando a bancada federal para fazer os aportes que o estado tem direito aqui. Isso não seria impedimento nenhum”, declarou.
Marcos Rogério também informou que o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, anunciou o apoio do Podemos à sua pré-candidatura e indicou o deputado Delegado Rodrigo Camargo para integrar a composição como vice. O senador afirmou que a união representaria uma associação entre o interior e a capital e deveria produzir resultados administrativos.
Ao falar das demandas de Porto Velho, citou a RO-005, identificada por ele como Estrada da Penal, e afirmou que o trecho permanece sem pavimentação. Também mencionou uma ponte cuja construção teria sido iniciada oito anos antes e não teria sido concluída, fazendo com que a travessia continuasse sendo realizada por balsa. O senador ainda citou a estrada que liga Porto Velho a União Bandeirantes e declarou que a via não possui asfaltamento.
A apresentadora questionou Marcos Rogério sobre os enfrentamentos políticos anteriores entre ele e Léo Moraes. O senador respondeu que Rondônia foi formada por pessoas de diferentes regiões e pensamentos e que a política também reúne divergências e disputas.
Ele reconheceu que já enfrentou Léo Moraes politicamente e que também foi enfrentado pelo atual prefeito. Marcos Rogério afirmou, contudo, que atualmente atua como parceiro da administração municipal em investimentos na capital e declarou que a aliança foi construída a partir de objetivos relacionados ao estado, à capital e ao interior.
“Eu entendo. Rondônia foi composta por muita gente de diferentes regiões, com pensamentos diferentes. A política também é assim, eu já enfrentei o Léo, o Léo já me enfrentou, nós já tivemos situações de enfrentamentos, mas o Léo hoje é o prefeito da capital, eu sou o maior parceiro dele em termos de investimentos aqui na capital, um dos maiores parceiros com vários investimentos e o que nos une hoje é o amor por Rondônia, é o desejo de ver Rondônia numa direção diferente no sentido de crescimento, de progresso, de entregas para a população e o nosso compromisso com a capital e com o interior. É isso que nos fez fazer essa aliança e é o que nos motiva a estar juntos nesse momento para construir a mudança que Rondônia precisa”, concluiu.



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