PORTO VELHO, RO - O deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO) saiu em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante discurso na Câmara dos Deputados, realizado na tarde da última terça-feira (19), em meio à repercussão nacional sobre a exposição de mensagens, transferências financeiras e negociações atribuídas à relação entre o parlamentar e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Na tribuna, o congressista rondoniense afirmou que Flávio havia agido de maneira correta ao se manifestar publicamente sobre o caso e encerrou a fala com elogios ao senador: “Parabéns, Flávio! Você fez correto”.
O pronunciamento ocorreu durante a 95ª Sessão da 4ª Sessão Legislativa Ordinária da 57ª Legislatura, realizada em formato deliberativo extraordinário presencial na terça-feira, 19 de maio de 2026, após a presidente da sessão, deputada Geovania de Sá (Republicanos-SC), conceder a palavra ao parlamentar do PL de Rondônia.
CONFIRA:
Ao mencionar a repercussão envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master, Chrisóstomo criticou adversários políticos e defendeu o senador diante das acusações e questionamentos públicos relacionados ao episódio. “Flávio Bolsonaro, não esquente a cabeça. Esta Esquerda é mentirosa, é cheia de ladrões! Não sou eu quem está falando, não. Os fatos dizem: mensalão, petrolão, BNDES e INSS, do qual criei a CPI. Eu sei do que eu estou falando. Ninguém assinou a CPMI. Ninguém assinou a CPI. E agora: ‘Ah, o Flávio não sei o quê e o Banco Master’. Assinem a CPMI ou a CPI”, declarou o deputado na tribuna.
A defesa pública feita pelo parlamentar ocorreu em meio à divulgação de informações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Conforme o material utilizado como base desta reportagem, mensagens vazadas apontaram a negociação de um repasse de US$ 24 milhões, valor estimado em aproximadamente R$ 134 milhões, entre o senador e o ex-dono do Banco Master. O mesmo conteúdo indica que ao menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações bancárias relacionadas ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o material apresentado, os recursos teriam sido direcionados ao financiamento da produção cinematográfica sobre Bolsonaro. Entretanto, a produtora GOUP Entertainment afirmou, em nota, não ter recebido “um único centavo” do Banco Master ou de qualquer empresa ligada a Daniel Vorcaro. O deputado federal Mário Frias (PL-SP), apontado como produtor executivo da cinebiografia intitulada “Dark Horse”, também afirmou inicialmente que não havia qualquer valor do ex-banqueiro no projeto, embora posteriormente tenha reconhecido o recebimento de recursos da empresa Entre Investimentos e Participações, pessoa jurídica que, segundo o conteúdo fornecido, atuava em parceria com outros negócios comandados por Vorcaro.
O caso ganhou maior repercussão após o vazamento de mensagens atribuídas à interlocução entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. De acordo com o conteúdo utilizado para contextualização, o senador teria relatado dificuldades para arcar com custos da produção do filme, cobrado a continuidade dos pagamentos e dito correr risco de não conseguir “honrar compromissos”. Em uma das mensagens reproduzidas no material, Flávio escreveu ao ex-banqueiro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Em entrevista à CNN Brasil, Flávio Bolsonaro negou manter relação de intimidade com Daniel Vorcaro e declarou que o uso do termo “irmão” seria apenas um “jeito carioca de falar”. O senador também confirmou ter solicitado recursos ao ex-banqueiro e classificou o episódio como a atitude de “um filho procurando patrocínio” para viabilizar a produção do filme sobre o pai.
Ainda segundo declarações reproduzidas no material-base, Flávio afirmou que os recursos obtidos foram “100% investidos no filme” e que o investimento previa retorno financeiro proporcional ao desempenho comercial da obra. O senador também declarou ter conhecido Vorcaro por intermédio do empresário Thiago Miranda, em dezembro de 2024, afirmando ter omitido anteriormente a relação em razão de cláusulas de confidencialidade firmadas entre os envolvidos.
O parlamentar afirmou ainda que outros investidores do projeto preferiram permanecer anônimos por receio de exposição política. “Os outros dez investidores, ninguém quer aparecer, todos têm contrato de confidencialidade, porque têm medo”, declarou, conforme entrevista reproduzida no conteúdo fornecido.
Outro ponto citado no material trata da transferência de US$ 2 milhões ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas que teria entre seus responsáveis legais Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Conforme o conteúdo apresentado, uma das hipóteses analisadas seria a possibilidade de parte dos recursos ter sido utilizada para custear despesas do ex-deputado federal nos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro negou que Eduardo tenha administrado recursos relacionados ao filme ou recebido valores provenientes da estrutura financeira utilizada no projeto.
O conteúdo também aponta que a Polícia Federal iniciou uma nova linha de investigação para apurar se os valores movimentados tiveram efetivamente como destino a produção cinematográfica ou se o projeto audiovisual teria sido utilizado para ocultar repasses financeiros.
Durante o pronunciamento, Coronel Chrisóstomo também dedicou parte da fala ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar afirmou estar usando uma gravata recebida do ex-presidente durante uma confraternização do Dia das Mulheres, realizada no Palácio do Planalto, e disse ter decidido utilizá-la após um sonho ocorrido na noite anterior.
“E sabe por que eu a coloquei hoje, Brasil? Porque sonhei com ele esta noite, sonhei que ele ficaria solto, que ficaria solto para fazer campanha para todo o povo da Direita, os conservadores, para fazer campanha para o filho dele, o nosso Flávio Bolsonaro”, declarou.
Na sequência, o deputado associou o sonho a uma manifestação divina e voltou a defender Bolsonaro. “Será que Deus está dando um retorno para a gente? Porque a gente ora antes de dormir. Será que Deus está mostrando o que ele vai fazer para o Presidente Bolsonaro? E é justo, porque até hoje o Brasil não entendeu por que o Presidente Bolsonaro está preso”, afirmou.
Chrisóstomo também declarou que a direita e os conservadores voltariam a vencer politicamente no país. “O Brasil quer a Direita comandando esta Nação. É o que o Brasil quer; é o que nós queremos. E nós vamos lutar dia a dia por isso, Presidente. Nós vamos lutar, porque é necessário”, disse.
No encerramento do discurso, o parlamentar voltou a defender Flávio Bolsonaro, afirmou que o senador havia sido transparente ao tratar do tema e retomou críticas à esquerda. “Então, Brasil, atente-se a isto: o Flávio Bolsonaro foi justo, foi responsável. Falou para todos os jornais o que ele fez. Parabéns, Flávio! Você fez correto. A Esquerda se esconde, porque o filho do Lula, que roubou o Brasil, roubou o INSS, os velhinhos aposentados, foi embora para a Europa com um saco cheio de dinheiro”, declarou.



Comentários
Seja o primeiro a comentar!