PORTO VELHO, RO – O senador Marcos Rogério, do PL, pré-candidato ao Governo de Rondônia, afirmou que o Estado vive um cenário de avanço de organizações criminosas, disse que há cidades onde comerciantes recebem ordens de facções para fechar estabelecimentos e prometeu responsabilizar eventuais agentes públicos que tenham facilitado esse quadro. A declaração foi dada durante entrevista ao podcast RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova, nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, conexão direta com a verdade.
Ao se apresentar como pré-candidato ao Palácio Rio Madeira, Marcos Rogério afirmou que Rondônia está exposta a problemas graves na saúde e na segurança pública. Segundo ele, o Estado chegou a um ambiente em que a população convive com medo e domínio territorial do crime organizado. “Hoje o estado está refém de organizações criminosas que estão não só na capital, mas no interior. Tem cidades hoje de Rondônia onde o comerciante está recebendo ordem para fechar o comércio em razão de facções”, declarou.
O senador elevou o tom ao dizer que a situação não teria ocorrido sem omissão ou facilitação. “Se hoje nós temos organizações criminosas na capital e no interior, dominando territórios e espalhando medo e pavor na população, isso não aconteceu simplesmente porque alguém resolveu vir para cá. Alguém abriu a porta. Alguém facilitou. Alguém foi negligente”, afirmou. Em seguida, prometeu uma reação dura caso chegue ao Governo do Estado. “E no dia que eu tiver a oportunidade de ser governador desse estado, se houve alguém de dentro do governo que facilitou, pode contar nos dias. Nós vamos enfrentar, nós vamos colocar na cadeia e vamos devolver um ambiente de paz, de segurança e de tranquilidade para o rondoniense”, disse.
A entrevista também teve confronto político direto. Questionado sobre provocação feita por Adaílton Fúria, ex-prefeito de Cacoal, que publicou vídeo antigo com Jair Bolsonaro e falou em “ciúme de homem”, Marcos Rogério respondeu que a acusação seria vazia e disse não negar o próprio passado no PDT. “Primeiro que eu não nego o meu passado, e segundo, dizer de ciúmes, é uma retórica vazia de conteúdo. Alguém viu alguma reação minha em relação a isso?”, afirmou.
CONFIRA:
Marcos Rogério disse que o vídeo publicado por Fúria era antigo, de quando Bolsonaro ainda era deputado federal, e chegou a afirmar que talvez ele próprio tenha gravado a imagem. “Se eu não estou enganado, fui eu que gravei aquele vídeo com ele, levei ele até o Bolsonaro na época. Não teria razão nenhuma para poder ignorar uma imagem do passado e que realmente existiu”, declarou.
Ao tratar da ligação partidária de Fúria, Marcos Rogério citou o PSD e afirmou que o partido teria sido adversário de Bolsonaro na CPI da pandemia. “Quando eu estive ao lado do presidente Bolsonaro, defendendo ele naquela CPI da pandemia, o partido que mais atacou o presidente Bolsonaro foi o PSD. Foi o partido que mais prejudicou o presidente Bolsonaro no enfrentamento foi o PSD”, disse.
Sobre a própria trajetória, o senador afirmou que deixou o PDT quando entendeu que a ideologia do partido não correspondia ao que defendia. “Eu fui do PDT, mas no momento em que eu entendi que a filosofia, que a ideologia não batia com aquilo que eu defendia, eu mudei. E avancei, fui para o Democratas, depois quando houve a fusão do Democratas com o PSL virou União Brasil, eu fui convidado pelo presidente Bolsonaro para ir para o PL e estou no PL”, declarou.
O pré-candidato também falou sobre ações jurídicas envolvendo adversários. Segundo ele, não houve iniciativa judicial por causa do vídeo antigo de Fúria com Bolsonaro, mas existiu uma ação relacionada a outro conteúdo. “Era um material que fazia referência não só à pré-candidatura dele, mas veiculava inclusive o número de campanha. Isso é claramente crime eleitoral”, afirmou. Marcos Rogério disse ainda que, sobre o vídeo antigo, levou o episódio “na esportiva” e preferiu o silêncio.
Outro ponto de atrito foi a concessão da BR-364. Marcos Rogério afirmou que o governo Lula deixou como “grande obra” para Rondônia a implantação do pedágio. “A grande obra do presidente Lula para Rondônia nesse aspecto da 364 foi implantar o pedágio. Esse foi o presente que o governo Lula deu para Rondônia”, disse. Ao comentar a Expresso Porto, ele negou que se trate de recurso federal ou emenda parlamentar sua. “O que está acontecendo na Expresso Porto é uma antecipação de obras, fruto de uma articulação do senador Marcos Rogério, que é o presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado Federal, junto à ANTT, e aliada ao esforço do prefeito Léo Moraes”, declarou.
O senador afirmou que o dinheiro usado na obra vem do pedágio pago pelos usuários. “Na Expresso Porto, o governo federal não está nos dando nada. E também não é emenda do senador Marcos Rogério antes que alguém queira dizer que o senador está se apropriando daquilo. Não”, disse. Para ele, o problema não é necessariamente a concessão, mas o valor cobrado. “Eu não sou particularmente contra a concessão. Eu acho que ela é uma alternativa. Eu sou contra o abuso. Não dá para aceitar Rondônia pagar um dos pedágios mais caros do Brasil e não ter obras”, afirmou.
Questionado sobre Confúcio Moura e a tentativa de reduzir a tarifa, Marcos Rogério disse que ninguém conseguirá baixar o valor “no canetaço” após a contratação do modelo. Ele afirmou que a imagem pública do senador ficou associada à concessão. “Quem foi na B3, bateu o martelinho lá, dizendo que aquilo seria um grande momento para o estado de Rondônia foi ele. Enfim, hoje ele paga um preço em razão disso”, declarou. Apesar disso, disse que a defesa pela redução da tarifa é da bancada federal.
A entrevista também abordou o episódio com a ministra Marina Silva na Comissão de Infraestrutura do Senado. Marcos Rogério reconheceu que a frase “se ponha no seu lugar” foi infeliz, mas sustentou que teria sido retirada de contexto. “Eu acho que foi uma frase infeliz que foi tirada de contexto”, afirmou. Segundo ele, o pano de fundo era a discussão sobre a BR-319, em meio a um embate envolvendo o senador Omar Aziz. “Certamente eu não repetiria a frase porque ela foi retirada de contexto, mas ali foi fruto de uma grosseria da ministra”, disse.
No campo nacional, Marcos Rogério confirmou ter recebido a missão de coordenar em Rondônia a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República. “Receber oficialmente a incumbência de coordenar a campanha presidenciável de Flávio Bolsonaro em Rondônia para mim foi gratificante, porque é uma missão”, afirmou. Segundo ele, sua pré-candidatura ao Governo e o projeto presidencial do PL devem caminhar juntos no Estado. “Se a opção é por mudança, o caminho é o Flávio Bolsonaro”, declarou.
O senador também avaliou a eleição de 2022 e admitiu erros. “Cometi erros que acabaram me custando a eleição”, disse. Ele afirmou que não atribui a derrota à falta de apoio explícito de Jair Bolsonaro, mas a falhas na abordagem política e na formação de alianças. “Eu não ganhei a eleição em 2022 porque o Bolsonaro não declarou apoio explícito à candidatura do Marcos Rogério. Foram erros que eu cometi. Erros na abordagem política, na formação de alianças”, afirmou.
Sobre a aproximação com Ivo Cassol, Marcos Rogério disse manter diálogo aberto com o ex-governador, mas afirmou que respeitará a decisão dele, seja qual for o palanque escolhido. “Eu abri um diálogo com ele, o diálogo continua aberto, mas a decisão é dele e eu vou respeitar”, declarou. O senador disse reconhecer a atuação de Cassol na infraestrutura e na agricultura, mesmo que ele venha a apoiar outro pré-candidato.
A possibilidade de aliança com o Podemos, comandado em Rondônia pelo prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, também foi tratada na entrevista. Marcos Rogério afirmou que está conversando com o prefeito e buscando uma aliança em torno do projeto estadual. Sobre nomes especulados para vice, como Márcio Barreto e Rodrigo Camargo, disse que respeita ambos, mas afirmou que a escolha caberia a Léo Moraes e ao Podemos caso a composição se confirme.
Na área da saúde, Marcos Rogério defendeu que um novo hospital de urgência e emergência em Porto Velho pode ser entregue no primeiro ano de mandato, a depender do método construtivo. “Eu entendo que é possível fazer o novo hospital de urgência e emergência de Porto Velho já no primeiro ano”, afirmou. Segundo ele, o novo hospital é necessário, mas não resolveria sozinho o problema da saúde em Rondônia. O senador disse que parte significativa dos pacientes enviados do interior para Porto Velho poderia ser atendida em unidades mais próximas de casa, caso houvesse outra organização da rede.



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