PORTO VELHO, RO - Quando um partido precisa explicar por que aposta em determinado projeto de governo, chega um momento em que o discurso perde protagonismo e o que realmente pesa é o repertório concreto: a capacidade de organizar a máquina, executar obras, sustentar investimentos e demonstrar controle sobre orçamento, equipes e prioridades. É justamente nesse terreno, onde a retórica vale pouco, que a pré-candidatura do prefeito de Vilhena, Delegado Flori Cordeiro, ao Governo de Rondônia pelo Podemos ganha sentido prático. Não porque a disputa de 2026 deixará de ser atravessada pela guerra de narrativas, mas porque, na hora de comparar promessas com resultados verificáveis, quem chega com entregas tende a falar mais alto.
A lógica conversa com a linha que Léo Moraes tenta imprimir em Porto Velho como gestor e dirigente partidário: a ideia de que, em um ambiente de desconfiança permanente, gestão vira credencial política. A pré-candidatura de Flori ganha corpo justamente no ponto em que muitos projetos estaduais costumam fraquejar, na passagem entre intenção e capacidade demonstrada. O recorte de Vilhena entre 2025 e fevereiro de 2026 oferece um roteiro claro de prioridades públicas com valores, cronologia e instrumentos que permitem ao eleitor comparar o discurso com a execução.
O núcleo desse argumento está na capacidade de investimento com recursos próprios, sustentada por superávit e créditos adicionais aprovados pela Câmara, viabilizando um pacote descrito como o maior da história do município, acima de R$ 60 milhões. Mais do que um dado contábil, trata-se de um dado político: revela uma gestão que organizou as contas, abriu espaço no orçamento e transformou esse espaço em obras e serviços. É aí que o perfil de outsider ganha sentido, não como performance, mas como alguém que precisa provar competência no terreno mais exposto, a execução cotidiana.
As entregas espalhadas por áreas diferentes ajudam a compor essa imagem. Na infraestrutura urbana, há sequência e escala, com pavimentação e drenagem em setores com valores definidos, obras com recursos próprios e federais, além de recuperação asfáltica e projetos estruturais para enfrentar alagamentos históricos. São intervenções que mexem diretamente com a rotina da população e costumam ser o termômetro mais imediato de avaliação.
Na mobilidade, o pacote mistura obra e política pública: alças viárias de acesso à BR-364, investimentos em segurança no trânsito e a implantação de fiscalização eletrônica baseada em dados de acidentes e mortes. Medidas que sempre geram debate, mas que foram apresentadas como resposta a um problema concreto. Soma-se a isso a ampliação da iluminação pública, com grande parte das ruas já em LED e meta de universalização no primeiro semestre de 2026, compondo a narrativa de modernização urbana.
Na saúde, área que costuma definir a percepção popular sobre qualquer gestão, a administração divulgou aumento expressivo de atendimentos na Atenção Primária e desempenho elevado em indicadores, além de investimentos em estrutura, como a ala pediátrica da UPA e novas unidades básicas. O reforço no atendimento a pessoas com TEA, com ampliação de recursos e profissionais, fecha um ciclo de ações com forte repercussão social.
Na educação, a conquista do Selo Ouro do programa Criança Alfabetizada funciona como reconhecimento externo mensurável, algo que ganha peso em um ambiente eleitoral marcado por versões conflitantes. Ao lado disso, medidas administrativas como reajuste salarial de servidores e incentivos fiscais reforçam o argumento de governabilidade, sustentando a ideia de uma máquina que funciona sem travar investimentos.
Nesse contexto, o debate interno do Podemos, por mais legítimo que seja, passa a ter custo político quando vira ruído. O deputado Rodrigo Camargo tem trajetória e desempenho reconhecidos no Legislativo, e seu papel no tabuleiro eleitoral permanece relevante. Mas, para a disputa ao governo, a tendência é favorecer quem consegue sustentar a conversa pública com elementos visíveis — obras, cronogramas, valores e indicadores. Se a legenda conseguir combinar esse perfil administrativo com força parlamentar, o ganho político é evidente.
A entrevista ao Rondônia Dinâmica adiciona um componente que costuma diferenciar pré-candidaturas protocolares de projetos que tentam se sustentar: a tentativa de amarrar discurso ao lastro administrativo. Ao se definir ideologicamente e reconhecer a necessidade de alianças, Flori procurou mostrar que a pré-campanha não pretende se limitar a identidade política, mas vender eficiência como marca.
Nesse ponto, o pacote de investimentos virou argumento central e foi apresentado como prova de capacidade administrativa, inclusive em tom de provocação, ao questionar se outras prefeituras teriam condições de lançar volume semelhante de obras com recursos próprios. Mais do que a frase em si, o que ela pretende sinalizar é a existência de um antes e depois na organização das contas municipais.
Nada disso elimina o componente político, nem a disputa narrativa que certamente marcará 2026. Mas, quando se observa o que um partido precisa apresentar para ser levado a sério em uma eleição majoritária, a resposta tende a ser direta: um nome que reduza a dependência de promessa e aumente a densidade de entrega. Abrir mão disso agora significaria trocar previsibilidade por incerteza.
Dentro das informações disponíveis, a escolha de Flori Cordeiro se sustenta como uma decisão baseada em método e evidência, não em confronto pessoal. E, quando o eleitor começar a separar narrativa de resultado, quem tiver mais resultado tende a largar alguns passos à frente.



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