PORTO VELHO, RO - A reconfiguração do diretório estadual do PSD em Rondônia, formalizada na certidão partidária com vigência iniciada nesta sexta-feira, 20, revela uma estrutura marcada pela presença de autoridades com mandato e cargos públicos, conferindo densidade política à legenda no momento em que se intensificam as articulações pré-eleitorais. O comando passa a ser exercido pelo governador Coronel Marcos Rocha, que assume a presidência do órgão partidário, enquanto o ex-senador Expedito Júnior recua para a secretaria-geral, movimento que reposiciona o equilíbrio interno e reorganiza o eixo de decisões estratégicas da sigla. A mudança aproxima a engrenagem partidária do centro do poder estadual e, na prática, tende a potencializar a capacidade de articulação política da legenda, algo historicamente associado à vantagem eletiva de quem ocupa o Executivo e à sua capacidade de definir rumos.
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A composição indica ainda a presença de figuras com trajetória consolidada na política estadual e municipal. Entre elas, o deputado estadual Laerte Gomes figura na vice-presidência, somando ao histórico de atuação parlamentar e à passagem pela presidência da Assembleia Legislativa. O prefeito de Cacoal, Adailton Antunes Ferreira, o Adaílton Fúria, também integra o grupo, posição que o coloca simultaneamente no centro da estrutura partidária e do debate sucessório estadual, condição reiterada pelo noticiário político recente ao mencionar seu nome como pré-candidato ao governo.
O arranjo partidário agrega ainda nomes com diferentes perfis institucionais e regionais. O deputado estadual José Cassiano Gois de Freitas, conhecido como Cássio Gois, aparece como integrante do diretório, assim como representantes municipais e quadros administrativos. A família Cassol também compõe o grupo, com a ex-deputada federal Jaqueline Cassol atuando na coordenação do PSD Mulher, reforçando a dimensão organizativa e setorial da legenda.
A leitura da nova composição sugere um partido ancorado em capital político já consolidado, reunindo chefes de Executivo, parlamentares e agentes públicos em torno de um eixo comum de articulação. O resultado é uma configuração que, ao mesmo tempo em que amplia a musculatura institucional do PSD, projeta a pré-candidatura de Fúria como polo de convergência desse conjunto de lideranças, criando uma narrativa de coesão interna e de projeção estadual sustentada por presença territorial e experiência administrativa.
O cenário, contudo, não se restringe a um único vetor político no interior. O prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, vem sendo referendado pelo prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, presidente do Podemos, como pré-candidato ao governo, em discurso que enfatiza a gestão municipal como vitrine administrativa e atribui centralidade à área da saúde como eixo de resultados. Durante entrevista, Moraes afirmou: “a gente tá aqui com o nosso amigo Flori, nosso pré-candidato ao governo do estado”, sinalizando a estratégia do partido de manter candidatura própria e projetar o desempenho local como argumento político.
Nesse contexto, a articulação de forças regionais com apoio da capital amplia a complexidade do tabuleiro eleitoral. A coexistência de projetos distintos — um orbitando o PSD e outro estruturado no entorno do Podemos — indica que o protagonismo do interior não se esgota em uma única liderança. A presença de outras pré-candidaturas no horizonte, como as de Marcos Rogério, Expedito Netto e Samuel Costa, adiciona novos elementos à disputa e reforça a percepção de um processo ainda em consolidação.
A análise do ambiente político recente, especialmente à luz de texto opinativo publicado pelo próprio Rondônia Dinâmica, evidencia um contraste de posicionamento que ajuda a explicar a dinâmica atual. Embora Fúria reúna uma base de apoios robusta e numericamente superior, inclusive dentro do próprio PSD, ele passou a ocupar um espaço público mais defensivo, no qual precisa reiterar com frequência que não se identifica com a esquerda, que não nutre simpatia pelo presidente Lula e que mantém alinhamento com o campo conservador e com o ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL. Essa necessidade de reafirmação cotidiana expõe um esforço permanente de reposicionamento ideológico.
No caso de Flori, por outro lado, a trajetória indica menor dependência desse tipo de sinalização simbólica, embora não inexistente, já que o discurso político se mantém mais centrado na gestão e nos resultados administrativos, evidenciando um pragmatismo que tem marcado sua comunicação e reduzido a necessidade de entrar no mesmo terreno de disputa identitária.
Assim, embora a reorganização do PSD concentre autoridades e projete Adaílton Fúria como eixo de gravidade política, o desenho atual aponta para um embate aberto, em que diferentes blocos regionais e partidários se posicionam de forma competitiva. A dinâmica sugere que, ao menos neste estágio, o quadro sucessório permanece marcado por equilíbrio de forças e por uma disputa que tende a se mostrar intensamente acirrada, especialmente levando em conta possíveis quadros fortes, como o senador Marcos Rogério, do PL. Em suma, até outubro, até mesmo superpotências podem tropeçar em eventuais kriptonitas.



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