A Quarta-Feira de Cinzas sempre marcou o fim do Carnaval. Em outros tempos, a Festa de Momo se encerrava à meia-noite da terça-feira, quando as orquestras — hoje substituídas pelas bandas — fechavam o baile ao som da tradicional canção com o verso “adeus Carnaval, adeus; adeus, maestro também; se Deus quiser, novamente estaremos aqui no ano que vem”.
Neste ano teremos eleições gerais em outubro. Serão escolhidos o presidente da República, governadores e vices, duas das três vagas ao Senado por estado e pelo Distrito Federal, além da Câmara Federal e das Assembleias Legislativas. Mesmo com o Carnaval dominando o interesse popular nas últimas semanas, a política seguiu em movimento.
No Rio de Janeiro, na maior festa popular do mundo, uma escola de samba homenageou o presidente Lula. Como estamos em ano eleitoral e ele é pré-candidato à reeleição, o gesto pode gerar questionamentos jurídicos e até consequências no campo da elegibilidade. Até as convenções partidárias, que ocorrem de 20 de julho a 5 de agosto, os dirigentes aceleram as articulações.
Sem a necessidade de citar nomes, já é possível vislumbrar ao menos cinco pré-candidatos à sucessão estadual — tanto da capital quanto do interior — todos com potencial competitivo. Uma composição bem ajustada, independentemente da origem do cabeça de chapa, terá grandes chances de vitória.
Jerônimo Santana (MDB), entre 1987 e 1991, foi o primeiro governador eleito pelo voto direto. Na sequência vieram Oswaldo Piana (PTR), de 1991 a 1994, ambos com domicílio eleitoral em Porto Velho. Depois, Valdir Raupp (PMDB), José Bianco (PFL) e Ivo Cassol (PSDB), este último por dois mandatos consecutivos. Cassol renunciou seis meses antes do pleito de 2010, disputou o Senado e se elegeu. Em 2010, Confúcio Moura (MDB) chegou ao governo, sendo reconduzido em 2014. Entre todos os citados, apenas Jerônimo e Piana não eram do interior. A hegemonia da capital só foi retomada em 2018, com a eleição de Marcos Rocha (PSL), reeleito em 2022.
A disputa de outubro promete ser uma das mais acirradas. Antes das convenções, haverá a Janela Eleitoral, de 7 de março a 5 de abril, período em que deputados federais e estaduais poderão trocar de partido sem perder o mandato.
Em Rondônia, a movimentação já é intensa entre parlamentares que buscarão a reeleição ou outros cargos. Dos 24 deputados estaduais, pelo menos 22 devem disputar novo mandato, muitos deles preparando a mudança de legenda. Nos bastidores, as negociações são permanentes e envolvem diretamente as direções partidárias.
No cenário da sucessão estadual, a princípio não há indicativo de definição em primeiro turno. Para políticos experientes, chegar à etapa final deve ser o objetivo estratégico. Isso exige, desde já, diálogo com os demais pré-candidatos para a construção de alianças futuras.
A eleição para a Prefeitura de Porto Velho em 2024 serve como exemplo. Léo Moraes, presidente regional do Podemos, venceu apenas no segundo turno. No primeiro, Mariana Carvalho terminou na frente, com 44,53% dos votos, enquanto ele obteve 25,65%. Na etapa decisiva, mesmo sem eleger vereadores, Léo alcançou 56,18% dos votos válidos, contra 43,82% da adversária.
O cenário indica que a disputa pelo Governo do Estado será equilibrada. Se hoje já existem pelo menos cinco nomes considerados eleitoralmente fortes, a tendência é que o número de postulantes cresça até o período das convenções, ampliando a competitividade pela principal cadeira da política rondoniense.



Comentários
Seja o primeiro a comentar!