Geferson dos Santos, à esquerda; ao lado, jovem jogando Tigrinho (IA/Grok) - Reprodução
PORTO VELHO, RO - A Câmara Municipal de São Francisco do Guaporé deve instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o suposto desvio de recursos da área da saúde que pode chegar à casa de R$ 13 milhões. A iniciativa foi confirmada pelo presidente do Legislativo, Geferson dos Santos (PDT), em entrevista exclusiva ao site Rondônia Dinâmica, na qual detalhou o estágio inicial das investigações e os encaminhamentos adotados pela Casa. O município é administrado pelo prefeito José Wellington Drumond Gouvea, conhecido como Zé Wellington (PL).
Segundo o presidente, a decisão pela abertura da comissão foi tomada após reunião com o chefe do Executivo e vereadores, logo depois de a administração municipal tomar conhecimento do caso. “A CPI será instalada hoje. O fato ocorreu na última sexta-feira, quando o prefeito nos chamou e apresentou a situação por volta das 14 horas. À noite nos reunimos e deixamos para decidir hoje”, afirmou.
Geferson explicou que, até o momento, o conhecimento do Legislativo sobre o caso se restringe às informações já apresentadas oficialmente, indicando apenas o envolvimento de um servidor da área da saúde. “Temos conhecimento de que foi um servidor da saúde e, por enquanto, é essa a informação que possuímos”, declarou.
O presidente relatou que a abertura da CPI conta com apoio integral dos parlamentares. “Não houve resistência. Para abrir a comissão precisaríamos de um requerimento com pelo menos um terço dos vereadores, e ele foi feito em nome de todos”, disse, acrescentando que, após a composição das comissões, os trabalhos começam imediatamente. “Constituindo hoje as comissões, a partir de amanhã já começam os trabalhos. Também pedimos a elaboração de um ofício para encaminhar ao juiz e ao delegado solicitando a detenção do investigado, inclusive para preservação dele, já que ainda não sabemos se agiu sozinho ou se há outras pessoas envolvidas”.
Sobre a origem das informações, Geferson afirmou que o próprio prefeito comunicou os vereadores após o caso vir à tona dentro da administração. “O prefeito nos relatou que o próprio servidor confessou após a situação ser identificada pelo contador, que percebeu um estorno nas finanças da saúde. O servidor confirmou o que estava acontecendo, foi até o gabinete do prefeito e admitiu que havia transferido valores para a própria conta para pagar jogos online. Em seguida, a assessoria jurídica o conduziu à delegacia e o prefeito nos comunicou”.
De acordo com o presidente, os valores ainda não foram oficialmente consolidados, mas giram na faixa de dezenas de milhões. “Não temos valores exatos, mas se fala em algo entre 13 e 15 milhões, todos da Secretaria Municipal de Saúde”, afirmou. Ele também informou que o servidor é efetivo e atuava há anos no setor, com suspeita de que o esquema tenha ocorrido desde maio de 2025. “Trata-se de um servidor efetivo, que trabalhava há bastante tempo na pasta. A CPI deverá apurar desde quando isso vinha ocorrendo, com previsão inicial de maio de 2025”.
O prazo inicial para conclusão dos trabalhos da CPI foi definido em reunião entre os vereadores. “Estipulamos um prazo de 120 dias”, disse.
Ao comentar o impacto do caso, Geferson afirmou que a situação é considerada grave pelo Legislativo municipal. “É um momento muito difícil, principalmente para mim, representando o povo de São Francisco. Ver um desfalque desse tamanho na saúde significa menos vidas salvas e menos cirurgias realizadas. Dinheiro público não pode ser desviado em nenhuma área, mas na saúde o impacto é ainda mais sensível, porque envolve vidas”.
O caso é investigado por órgãos de controle e segurança após a suspeita de que um servidor de carreira, lotado no setor financeiro da saúde, tenha transferido recursos públicos para contas pessoais para custear apostas em jogos online. A apuração envolve Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Contas, enquanto a Prefeitura instaurou procedimento administrativo disciplinar. A CPI do Legislativo deverá analisar a extensão dos danos e eventuais responsabilidades administrativas e políticas relacionadas ao episódio.



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