Publicada em 09/02/2026 às 14h58
PORTO VELHO, RO - Durante pronunciamento em sessão legislativa nesta segunda-feira, 09, a vereadora Sofia Andrade, do PL, abordou a violência contra a mulher em Rondônia, criticou o que classificou como ausência de medidas concretas por parte do poder público e fez declarações que também repercutiram no campo político e cultural. A fala ocorreu após o assassinato da professora Juliana Mattos Santiago, na última sexta-feira, 06, pelas mãos de um de seus próprios alunos.
A representante da Câmara de Vereadores afirmou que a violência contra a mulher se tornou comum em Rondônia, com destaque para Porto Velho, e declarou que debates e discursos não seriam suficientes para alterar a realidade. Em um dos trechos, disse: “Discursos não trazem a vida das mulheres que foram mortas” e acrescentou que posicionamentos públicos não garantem proteção efetiva às vítimas.
A vereadora também direcionou críticas ao comportamento eleitoral do que descreveu como maioria feminina do eleitorado. Segundo ela, haveria incoerência entre manifestações públicas de defesa das mulheres e escolhas políticas nas urnas. Em outro momento, afirmou: “Não adianta você fazer um vídeo pra sua rede social (...) e na hora de você votar, você votar num esquerdista”.
Ao tratar de estrutura estatal, mencionou limitações na rede de atendimento. Citou, por exemplo, a existência de apenas um legista para atender a capital e afirmou que delegacias especializadas não funcionariam aos finais de semana.
Ainda nesse contexto, questionou a realização de festas de Carnaval após episódios de violência, sugerindo que o estado poderia ter decretado cancelamento temporário das festividades como forma de luto coletivo. Nas palavras dela: “Será que não era o momento da gente dizer assim, olha, nós estamos de luto (...) e durante dois dias vão ser canceladas as festas no estado de Rondônia”.
Ao defender políticas públicas, declarou apoio à diminuição da maioridade penal e à castração química não apenas para condenados por estupro, mas também para agressores de mulheres. Disse que a defesa da vida exigiria mais que discursos e deveria envolver medidas legais mais rígidas.
Na parte final do pronunciamento, a parlamentar ampliou a crítica para o campo cultural e digital. Sem citar nomes diretamente, mencionou uma das mulheres mais seguidas nas redes sociais no país e afirmou que a influenciadora estaria contribuindo para a objetificação feminina. Nesse trecho, disse que existiria uma influenciadora que “vende o seu corpo na rede social e se objetifica como mulher, com uma coleira no pescoço, como uma cadela de um homem”.
Embora não tenha citado nominalmente durante a fala, trata-se de referência à influenciadora Virgínia Fonseca. Virgínia apareceu recentemente usando uma fantasia de Carnaval inspirada na apresentada décadas atrás por Luma de Oliveira em desfile carnavalesco na época em que ela mantinha relacionamento com o empresário Eike Batista. Na versão recente, Virgínia Fonseca também apareceu com uma coleira com o nome do jogador Vinícius Júnior, conhecido como Vini Jr, com quem mantém relacionamento.
No encerramento, a vereadora fez declarações pessoais sobre proteção familiar e afirmou que reagiria de forma extrema diante de violência contra mulheres de sua família. Disse: “Se um homem tocar numa irmã minha, na minha mãe, é a última coisa que ele vai fazer nessa vida”, acrescentando que preferiria enfrentar consequências legais a permitir agressão contra familiares.
O pronunciamento terminou com mensagem religiosa e pedido de proteção divina à população. Segundo ela: “Que Deus guarde cada um de vocês”.



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