Publicada em 09/01/2026 às 11h37
Atualmente atuando ao lado de astros internacionais como Jack Black e Paul Rudd, o ator Selton Mello relembrou um período difícil da carreira em que chegou a acreditar que não teria mais espaço no audiovisual. O relato foi feito durante participação no programa Sem Censura, exibido pela TV Brasil.
Selton contou que, após crescer diante das câmeras, viu os convites para novos trabalhos desaparecerem. Segundo ele, essa era uma realidade comum para atores mirins nos anos 1980, quando o mercado audiovisual oferecia poucas alternativas além da televisão aberta e do teatro. “O cinema estava morto nesse período. Não havia streaming, TV a cabo, nada disso. Então, as portas se fecharam para mim”, recordou.
A ausência de oportunidades impactou diretamente sua autoestima e a forma como enxergava a própria carreira. “Foi um período esquisitíssimo. Eu pensei: ‘Então, eu sou péssimo, não sou ator, sou horrível’. Foi traumatizante”, afirmou ao relembrar a fase de insegurança profissional.
A trajetória começou a mudar quando Selton encontrou espaço na dublagem, que se tornou ao mesmo tempo um refúgio e uma escola. Entre os 12 e os 20 anos, ele trabalhou de forma intensa nos estúdios da Herbert Richers, mantendo o vínculo com a atuação enquanto desenvolvia novas habilidades.
Sobre esse período, o ator destacou a importância do aprendizado adquirido longe dos holofotes. “Enquanto eu me sentia péssimo como ator, achando que tinha acabado para mim, eu estava muito feliz na dublagem. Foi uma escola fabulosa na minha vida. A familiaridade que tenho hoje com a língua inglesa vem muito dessa época”, contou o irmão do também ator Danton Mello.
Hoje, ao integrar produções internacionais, Selton vê essa trajetória como um ciclo simbólico que se fecha. Ele afirmou que, durante gravações ao lado de nomes de Hollywood, costuma lembrar do adolescente que passava horas em estúdios no Rio de Janeiro dublando filmes semelhantes aos que agora protagoniza.
“É muito bonito essa volta que o mundo deu. Com 15 anos, eu achava que nem ator mais seria e estava dublando filmes exatamente nesse estilo. E agora estou aqui. A vida é bonita”, refletiu o artista, hoje reconhecido como um dos brasileiros de maior projeção no cenário internacional.



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