Publicada em 28/01/2026 às 10h10
O toque de Midas na política
CARO LEITOR, O "toque de Midas" é uma expressão baseada na mitologia grega envolvendo o rei Midas, o Deus Dionísio e o seu fiel seguidor Sileno. Esse último, embriagado e perdido no jardim do palácio do rei Midas, em vez de ser expulso, foi acolhido, recebeu refeição e abrigo até que se recuperasse da ressaca. Em seguida, Midas entregou Sileno a Dionísio são e salvo. O deus grego, em sinal de gratidão, deu o direito a Midas de realizar um pedido que seria prontamente atendido. Imediatamente, tomado pela ganância e ambição, Midas pediu que tudo que ele tocasse se transformasse em ouro, e Dionísio atendeu ao pedido. Com desejo realizado, Midas pôs sua habilidade em teste e ficou deslumbrado ao tocar objetos e virar ouro. Entretanto, a alegria rapidamente se converteu em desespero quando tocou a comida e virou ouro, a água tornou-se ouro líquido, e a filha, uma estátua de ouro. Midas percebeu que poderia morrer por inanição, daí resolveu procurar Dionísio para se livrar da maldição. Esse último anunciou que ele se veria livre da maldição caso mergulhasse no rio Pactolo. Após banhar-se no rio, Midas se livrou da maldição. Trazido o toque de Midas para a política, pode ser interpretado como uma metáfora poderosa para uma liderança carismática e supostamente eficiente, mas que, na mitologia e na prática, contém a semente da própria destruição se a ganância por "ouro" (sucesso superficial) superar a sabedoria.
Expressão
Agora que você conhece a expressão “toque de Midas” sem precisar interromper a leitura da coluna para buscar no Google a história completa, o toque de Midas na política refere-se à capacidade de um líder político transformar apoio em vitória.
Volátil
Transformar o apoio em vitória na corrida eleitoral significa influência e transferência de votos, ou seja, o “toque de Midas”. Contudo, o toque de Midas é volátil, frequentemente se transforma em capital político exaurido e declínio de popularidade.
Pitta
O primeiro exemplo de toque de Midas emblemático na política é do ex-prefeito Paulo Maluf (PP-SP) ao contribuir para eleger o seu aliado Celso Pitta prefeito de São Paulo. Pitta nunca tinha sido político e exercido cargo eletivo, foi um desastre como prefeito. Maluf, por conta da sua escolha errada e endosso, teve sua popularidade afetada.
Dilma
O segundo exemplo de toque de Midas envolve o presidente Lula (PT-SP). No passado, em vez de escolher entre os ex-governadores do PT bem avaliados para sucedê-lo no Palácio do Planalto, preferiu escolher a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Jogo
A ex-presidente Dilma Rousseff (PT-MG), nunca tinha concorrido a um cargo eletivo, tornou-se a primeira mulher presidente do país com apoio do presidente Lula (PT-SP). No jogo do poder, lhe faltavam habilidades políticas e patinou na reeleição. Depois sofreu impeachment e afetou a popularidade de Lula e do PT.
Fleury
O terceiro exemplo de toque de Midas envolve o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia e o seu secretário de Segurança Pública, Fleury Filho. Esse último recebeu o apoio de Quércia para sucedê-lo no Palácio Bandeirantes, ganhou a eleição derrotando Paulo Maluf, porém, foi um desastre como governador e ainda traiu Quércia. Depois de Fleury, o MDB nunca mais foi o mesmo em São Paulo.
Ciro
Contudo, existem casos de sucessos de toque de Midas na política. Por exemplo, o ex-governador Tasso Jereissati endossou o seu apoio a Ciro Gomes para sucedê-lo no governo do Ceará. Ciro ganhou a eleição, fez um excelente governo, tomou caminhos diferentes, mas nunca demonstrou ingratidão a Jereissati. Atualmente, Jereissati e Ciro se unem para derrotar o PT no Ceará.
Fonteles
No Piauí, o toque de Midas envolve o ex-governador Wellington Dias e o atual governador Rafael Fonteles, ambos do PT. Ex-secretário da Fazenda estadual, Fonteles recebeu a missão de suceder Dias no Palácio de Karnak. Fonteles se elegeu no primeiro turno das eleições e se mantém fiel a Dias. Fonteles pode ser a promessa futura do PT para suceder a Lula.
Reis
Em Salvador, o toque de Midas foi entre o ex-prefeito Antônio Carlos Magalhães Neto e o seu vice-prefeito Bruno Reis, ambos do União Brasil. ACM Neto, como é mais conhecido, avalizou o nome de Bruno, que foi eleito e reeleito prefeito de Salvador. Por sua vez, os dois mantêm aliança política e não tomam caminhos diferentes.
Contexto
A metáfora do toque de Midas no contexto político sugere uma aura de inefabilidade em projetos de poder político que brilham rapidamente e geram apoio popular rápido. Tais toques na política podem esconder riscos quando falta ao aliado indicado habilidade política e capacidade de gestão e entrega.
Caiado
Falando em toque de Midas, o apoio inicial do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União-BA), ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para disputar a Presidência da República pelo União Brasil, resultou em boicote, divergências internas partidárias, jogo de intrigas e troca de farpas em público. Resultado: Caiado trocou o União Brasil pelo PSD de Kassab.
Disputar
Em vídeo publicado nas redes sociais ao lado do presidente nacional do PSD e dos governadores Eduardo Leite (PSD-RS) e Ratinho Júnior (PSD-PR), Ronaldo Caiado anunciou a desfiliação do União Brasil e filiação ao PSD. Ratinho, Leite ou Caiado podem ser os indicados para disputar a Presidência da República pela legenda de centro.
Candidato
No vídeo, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que busca contribuir com a construção nacional no próximo pleito e destacou que o PSD pretende disputar a eleição presidencial de forma unificada. Segundo ele, ainda não há definição sobre quem será o candidato do partido, mas o nome escolhido contará com o apoio dos demais governadores da legenda.
Explicar I
O candidato à Presidência da República do PSD terá muita dificuldade para explicar ao eleitor de direita e extrema-direita a participação da legenda com três ministérios no governo do presidente Lula (PT-SP). Inclusive, por compor a base aliada do governo Lula III no Congresso Nacional.
Explicar II
Nas paragens de Rondônia, o pré-candidato a governador do PSD e prefeito de Cacoal, Adailton Fúria (PSD-Cacoal), terá a mesma dificuldade do candidato a presidente da legenda para explicar ao eleitor de direita e de extrema-direita a participação do PSD com três ministérios no governo do presidente Lula (PT-SP) e na base governista petista no Congresso Nacional.
Especulações
Falando em PSD, especulações de bastidores do poder cercam o governador Coronel Marcos Rocha (União-Porto Velho). Por ele se encontrar em São Paulo, vozes ecoam afirmando que até sexta-feira Rocha anuncia a sua filiação ao PSD. Acontecendo isso, Rocha é candidato a senador.
Dificuldades
Contudo, o governador Coronel Marcos Rocha (União-Porto Velho), eleito e reeleito na onda do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), não terá dificuldades para explicar as motivações que o levaram a trocar de partido. Entretanto, Rocha deixa uma legenda que participa do governo do presidente Lula (PT-SP) por outra legenda mais a cara do governo Lula III.
Polarizado
O território político de Rondônia segue polarizado entre antipetismo e bolsonarismo. Porém, existe uma grande parcela do eleitorado composta por uma base ideológica e outra pragmática. Neste caso, o eleitor ideológico segue com as pautas de costumes e de segurança pública. Já o pragmático percebe uma melhora na economia e no aumento do poder de compra, resta saber como ambos se comportarão na eleição.
Podcast
Vale a pena assistir ao podcast Resenha Política do jornalista Robson Oliveira com o pré-candidato a governador e prefeito de Vilhena, delegado Flori (Podemos-Vilhena). Flori evidenciou sua trajetória de vida e profissional, bem como o seu ingresso na política e sua experiência como gestor público municipal.
Gestão
Durante a entrevista no podcast Resenha Política do jornalista Robson Oliveira, o prefeito delegado Flori (Podemos-Vilhena) disse que baseia a sua candidatura de governo na sua gestão frente à Prefeitura de Vilhena e do prefeito Léo Moraes (Podemos-Porto Velho) na capital, ambos são companheiros de partido, bem avaliados e governam duas importantes cidades no âmbito estadual.
Palavra
No podcast com Robson Oliveira, o prefeito delegado Flori (Podemos-Vilhena) disse que o prefeito Léo Moraes (Podemos-Porto Velho) é um gestor bem avaliado e está trabalhando bastante. Segundo Flori, Léo sempre foi leal, cumpriu acordos, tem palavra e o ajudou muito. Por fim, externalizou gratidão a Léo.
Descontextualização
Sobre a descontextualização da fala do prefeito delegado Flori (Podemos-Vilhena) em relação ao toque de Midas pelo jornalista Robson Oliveira. Flori não externalizou independência partidária e política para construir sua pré-candidatura ao governo.
Semelhança
Flori apenas disse que o apoio do prefeito Léo Moraes (Podemos-Porto Velho) não representa um toque de Midas para ganhar eleição, o candidato para receber o apoio precisa demonstrar semelhança a Léo em termos de capacidade de gestão. Flori foi mais longe ao desejar que o eleitor o veja como vê o prefeito Léo, ou seja, com capacidade de entrega.
Psicultura
O deputado estadual Luizinho Goebel (Podemos-Porto Velho) continua trabalhando nas suas respectivas bases eleitorais. Luizinho esteve em Colorado do Oeste reunido com produtores rurais no intuito de incentivar e fortalecer a piscicultura em escala local daquele município do Cone Sul.
Paroca
O vereador Zé Paroca (Avante-Porto Velho) disputará uma cadeira na Assembleia Legislativa. Paroca é um vereador com mandato parlamentar bem avaliado na capital e sem alarde, começa a colocar o pé na estrada para construir sua base eleitoral no interior.
Sério
Falando sério, o toque de Midas em relação à transferência de votos, esse fenômeno político pode se tornar um caso de sucesso ou arranhar a popularidade de quem endossa o apoio. O toque de Midas na política muitas vezes é sustentado por um "pensamento de grupo" (#groupthinking), onde a equipe ao redor do líder acredita piamente na sua infalibilidade, ignorando erros ou riscos, o que pode levar a decisões desastrosas a longo prazo.



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