Publicada em 23/01/2026 às 08h54
Porto Velho (RO) – O início da cobrança do pedágio eletrônico no trecho concedido da BR-364, dentro do projeto Nova 364, passou a ser alvo de críticas e cobranças na Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero). Durante sessão extraordinária realizada no dia 20 de janeiro, deputados estaduais usaram a tribuna para relatar reclamações da população, apontar possíveis distorções no modelo implantado e defender revisão de valores e redistribuição das praças de cobrança. O tema ganhou repercussão após discursos que classificaram a concessão como “às avessas”, com cobrança iniciada antes da entrega de melhorias prometidas.
A discussão foi impulsionada por pronunciamento do deputado Pedro Fernandes (PTB), que apresentou o impacto do pedágio na rotina de moradores do interior, com destaque para quem precisa trafegar diariamente por trechos curtos em busca de serviços essenciais, como saúde e educação. Segundo o parlamentar, embora a concessão possa ser necessária para modernização e segurança viária, a forma como o pedágio foi implantado estaria penalizando de maneira desproporcional comunidades inteiras. “Isso não significa que podemos cobrar um valor injusto à população, principalmente quem mora ou acessa a BR-364”, afirmou. Em seguida, reforçou que vive a realidade local: “Eu moro lá, nesse município, e sinto na pele o que a população e o prejuízo que o município de Cujubim teve”.
Pedro Fernandes citou como exemplo moradores de Cujubim que precisam ir até Ariquemes com frequência para atendimento médico, estudo e outras demandas. Ao tratar do peso financeiro, ele expôs valores que, segundo disse, estariam sendo enfrentados pela população. “Se ele pagar, ida e volta, são R$ 74,00 para ir e voltar (…) ele vai pagar quase R$ 1.500,00”, declarou, argumentando que a cobrança estaria criando “verdadeiras barreiras econômicas” para a região. Ainda no tom mais duro, arrematou: “É injusto o que estão fazendo”.
Na sequência, o deputado Alan Queiroz (Podemos) afirmou que a Assembleia deve aprofundar o debate com a participação de órgãos federais e representantes políticos. Ele anunciou que há requerimento protocolado para realização de audiência pública no dia 2 de março de 2026, às 14h30, com a presença do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e de deputados federais, com o objetivo de reunir autoridades, setores produtivos e sociedade civil para discutir os impactos do modelo adotado e buscar alternativas para reduzir prejuízos à população.
O presidente da Alero, deputado Alex Redano (Republicanos), também se manifestou e reforçou o tom crítico. Na avaliação dele, a concessão teria sido estruturada de forma invertida, gerando revolta popular por iniciar a cobrança antes de entregar obras e serviços que justificassem os valores. A crítica de Redano foi acompanhada por outros parlamentares que defenderam mobilização política e institucional para discutir ajustes, considerando que a BR-364 é eixo fundamental de transporte e economia do estado.
O deputado Delegado Camargo (Podemos), por sua vez, afirmou que acompanha o assunto há meses e classificou o pedágio como um dos mais caros do país. Segundo ele, a cobrança poderia chegar a R$ 21,10 a cada 100 quilômetros para automóveis. No discurso, comparou o cenário de Rondônia com a BR-163 (MT), onde, conforme apontou, o custo seria em torno de R$ 7,50 por 100 km, diferença que, no entendimento do deputado, reforça a necessidade de revisão e pressão política.
O deputado Cássio Gois (PSD) também relatou preocupação com a distribuição das praças e mencionou situações que considerou desproporcionais, como o caso de Pimenta Bueno, onde haveria duas praças de pedágio no mesmo município, impactando moradores e atividades econômicas locais. Além de questionar o modelo de cobrança, Cássio citou dúvidas sobre a entrega de serviços e defendeu medidas para garantir que meios de pagamento sejam acessíveis, evitando que dificuldades tecnológicas virem um obstáculo adicional para famílias de menor renda.
Já o deputado Cirone Deiró (União Brasil) afirmou que vinha alertando sobre o tema há anos e criticou a forma como debates anteriores teriam ocorrido, sem a participação ampla da população e do parlamento estadual. Para ele, a reação registrada agora demonstra que o assunto não pode ser tratado de maneira restrita e exige enfrentamento político com participação social, transparência e cobrança por contrapartidas efetivas.
Com a série de pronunciamentos e a confirmação de audiência pública, o pedágio da Nova 364 tende a permanecer no centro das discussões da Alero. Parlamentares defendem que o debate avance com órgãos federais, bancada de Rondônia em Brasília e representantes da concessão, para que o modelo de cobrança seja revisto, evitando que moradores do interior e setores produtivos sejam os principais atingidos por valores considerados excessivos e por uma implantação que, segundo deputados, começou pelo bolso da população antes de entregar as melhorias prometidas.
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