Publicada em 24/01/2026 às 10h36
Porto Velho (RO) - O brasileiro, no caso o rondoniense, é mesmo um povo muito bem taxado de “pacato cidadão”. E isso ficou bem definido nas eleições dos últimos anos, com mais ênfase para a Presidência da República. Os brasileiros foram verdadeiros patriotas quando saíram às ruas exigindo o fim do ciclo militar no comando do país desde 1964, quando os militares assumiram o poder por mais de 20 anos.
Hoje o Brasil é um país que se diz democrático, mas, desde o primeiro mandato de Lula, em janeiro de 2003, o sistema político-eleitoral-presidencial passa por uma situação de polarização e, nas últimas décadas, a situação não foi diferente. Este ano também caminha para uma nova eleição polarizada entre direita e esquerda, com os apaixonados por Lula e Bolsonaro disputando a preferência dos votos para seus “deuses”.
A polarização mais acentuada na política nacional vem desde o primeiro mandato de Lula (PT), de 2003 a 2010, seguido por Dilma Rousseff (PT), de 2011 a agosto de 2016, quando foi cassada, assumindo o vice Michel Temer (MDB), que terminou o mandato.
As eleições presidenciais deste ano seguem o mesmo caminho, com direita e esquerda dividindo opiniões, e teremos somente esses dois caminhos a seguir. A situação descaracteriza totalmente a condição de que o Brasil é um “país democrático”. Balela.
Mas vamos ao assunto em pauta, pois ele depende totalmente da política. Rondônia passa por um momento delicado, com o início da cobrança de pedágio — sete pontos em uma distância de pouco mais de 700 km, de Porto Velho a Vilhena — pela empresa 4UM/Oportunity, que venceu o leilão realizado pelo Ministério dos Transportes. O consórcio vencedor foi o único participante e, na época, mesmo alertados sobre a possibilidade de enfrentarmos os problemas de hoje, como preços do pedágio fora da realidade econômica regional e nacional e praticamente nenhuma obra realizada — a não ser a limpeza dos acostamentos, pinturas de faixas e alguns buracos fechados —, os nossos políticos federais foram omissos.
Desde o dia 19, os usuários do trecho da BR-364, de Porto Velho a Vilhena, estão pagando o pedágio mais caro do Brasil. A média é de R$ 21,10 por 100 km na categoria 1 (automóvel). E os nossos políticos federais (senadores e deputados), por exemplo, nada ou pouco fizeram, mas somente agora “acordaram” para a gravidade da situação, que coloca em xeque a economia regional, que depende da rodovia praticamente para tudo, não somente para o ir e vir, mas também para o transporte da produção de grãos (soja, milho, café), inclusive de boa parte do Mato Grosso, exportados pelo Porto Graneleiro do Rio Madeira, em Porto Velho, além da exportação da carne bovina.
A “faísca atrasada”, ou incompetência mesmo, dos nossos políticos federais ficou evidente esta semana, após o início da cobrança do pedágio, com “lideranças” organizando passeatas, carreatas e motociatas “protestando” contra a cobrança. Político não tem que protestar, mas sim agir, pois foi para isso que o povo o elegeu, seja para cargos executivos ou legislativos.
O governador Marcos Rocha em nenhum momento veio a público exigir dos senadores e deputados federais um posicionamento sobre a terceirização do trecho da BR-364, de Porto Velho a Vilhena, que ocasionou o leilão com somente um participante, ou seja, “missa encomendada” em favor da empresa vencedora.
Agora, depois de a “vaca morta”, os senadores Jaime Bagattoli (PL) se manifestam como críticos em potencial da cobrança abusiva do pedágio; Marcos Rogério (PL), pela “ausência de diálogo”; e Confúcio Moura (MDB) se faz de “gato morto”.
Alguns dos oito deputados federais só agora criticaram a cobrança do pedágio, mas pouco ou quase nada fizeram na ocasião do leilão. Deixaram de cumprir a função de “defensores do povo” quando era necessário e agora ocupam parte da mídia para demonstrar “revolta” contra a cobrança do pedágio, afinal teremos eleições gerais em outubro deste ano.
É importante destacar que, mesmo de forma tardia, é necessário protestar, exigir, cobrar e se mobilizar contra a cobrança abusiva do pedágio, sem praticamente obra nenhuma — mais de 100 km de duplicação, passarelas, vias de acesso, terceiras pistas, modernização da sinalização etc. — conforme o contrato de concessão.
Também é necessário que a cobrança junto ao Governo Federal, principalmente ao Ministério dos Transportes, mesmo que de forma tardia, seja discutida pelos políticos, não somente os federais, mas também deputados estaduais, prefeitos, vereadores, entidades representativas comerciais, agrícolas e institucionais, além do Governo do Estado. O período de concessão é de 30 anos e não especifica até quando as obras estarão concluídas, mas o pedágio já está sendo cobrado. Por quê?



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