Publicada em 29/01/2026 às 10h17
Jesualdo Pires, ex-prefeito de Ji-Paraná e ex-deputado estadual, usou sua participação no podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, para recolocar seu nome no debate eleitoral e registrar, em tom crítico, uma sequência de queixas sobre temas que hoje rendem disputa pública entre lideranças de Rondônia. O principal deles foi o pedágio na BR-364: ele classificou o cenário como “tragédia”, disse que os “preços são abusivos” e apontou ausência de acompanhamento político durante a formatação do processo, que, segundo ele, não poderia ter surpreendido nem autoridades nem representantes do estado.
Ao ser provocado por Robson Oliveira sobre a cobrança de tarifa antes de melhorias percebidas na rodovia, Pires afirmou que não se opõe à concessão em si, mas apontou a combinação de valores elevados e execução questionada como o núcleo da irritação popular. “Eu acho uma tragédia o que está acontecendo com Rondônia nessa questão da concessão da BR. (…) Eu não sou contra a concessão. Eu acho ótima a concessão. Agora, os preços são abusivos. E agora (…) ninguém acompanhou. E agora ficam todo mundo estrelando aí. (…) a nossa classe política é pródiga em colocar a culpa em outros, em terceiros”, disse, ao comentar a troca de acusações que, na avaliação dele, se repete sempre que um tema impopular explode.
Na conversa, o ex-prefeito relatou ter medido o impacto diretamente no cotidiano: citou o registro de um deslocamento Porto Velho–Ariquemes–Porto Velho com cobrança de pedágio que, segundo ele, somou R$ 84,80 em um trecho, e projetou que a ida e volta poderia ultrapassar R$ 170, ao afirmar que já cadastrou veículos em aplicativo relacionado ao sistema. “É uma forma escorchante de preço. (…) Você sair de Porto Velho, agir para lá e voltar (…) é uma coisa absurda”, declarou. No mesmo raciocínio, afirmou estar levantando dados e disse suspeitar que o trecho estaria entre os mais caros do país por quilômetro, acrescentando que, na percepção dele, a qualidade do serviço ainda não seria compatível com a cobrança, citando vídeo que teria visto sobre buracos em segmento entre Ariquemes e Itapuã.
A crítica de Pires se estendeu ao que chamou de “modelo” e ao comportamento posterior da classe política. Na leitura apresentada por ele, depois de o processo ter avançado sem vigilância suficiente, a reação foi uma disputa de narrativa. “Foi pego de surpresa”, disse, ao concordar com a tese de que a população teria sido a principal afetada. Para reforçar o argumento, Pires conectou o pedágio à atuação histórica de órgãos e à forma como obras de manutenção foram tratadas no estado, incluindo ataque direto ao desempenho do DNIT em Rondônia. Ele descreveu a rotina de “tapa-buracos” como tardia e, por isso, mais cara, dizendo que um problema pequeno, sem resposta rápida, “cresce, vira uma erosão” e, depois, “gastavam-se milhões” em recomposição. “O DNIT pra mim sempre foi um órgão que foi muito falho em Rondônia, muito falho”, afirmou, sustentando que carga excessiva e água são inimigos centrais do asfalto e que prevenção custaria menos do que remendos tardios.
No mesmo bloco de tensionamento político, o entrevistado trouxe para o centro a afirmação de que parte do debate público em Rondônia se organiza mais por transferência de culpa do que por responsabilidade. Em diálogo com Robson Oliveira, Pires aderiu à ideia de que, nos momentos de crise, “a culpa é do porteiro”, expressão usada pelo apresentador, e sustentou que essa lógica atinge famílias e relações pessoais em período eleitoral, ao comentar que “eleição, política” cria rupturas e transforma o ambiente em “campo minado”.
Ainda no eixo das polêmicas, Robson Oliveira levou ao ar uma pergunta sobre tentativas recorrentes de “requente” de episódios de uma operação da Polícia Federal ocorrida durante uma das fases da gestão municipal em Ji-Paraná, associando o tema a críticas de “desafetos” do ex-prefeito. Pires respondeu negando envolvimento e tentou blindar a discussão com afirmações categóricas sobre sua situação judicial. “A única coisa que eu tenho que dizer é que eu nunca tive um processo. Nem cível, nem criminal. (…) Nem denunciado. Eu não tenho nada contra mim”, declarou. Em seguida, reconheceu que o assunto “chateia, principalmente a família”, mas disse que, para ele, o debate poderia ser encerrado com consulta pública a certidões. Ele também mencionou possuir apenas pendência relacionada a multa eleitoral, que estimou em R$ 20 mil e situou “não sei se foi em 2016”, além de citar “uma multa do tribunal de contas”, definida por ele como “uma besteira” e “coisa técnica”, afastando, na própria fala, a hipótese de improbidade.
Ao comentar a operação, Pires também criticou o que chamou de caráter “espalhafatoso” e afirmou não ver desfecho até hoje. Segundo ele, a deflagração teria ocorrido depois do período eleitoral, e ele disse acreditar que, se fosse antes, poderia ter causado “prejuízo demais” à sua imagem. Para sustentar a narrativa, relatou conversa com delegado e afirmou que interceptações e transcrições do inquérito teriam indicado, na visão dele, que sua postura era contrária a pressões sobre comissão de licitação. Em uma das passagens lembradas, ele citou o que atribuiu a fala do presidente de uma CPL, dizendo que, se a pressão continuasse, ele avisaria o prefeito porque “aí ele vai demitir todo mundo”, trecho usado por Pires para afirmar que a estrutura sabia que ele não toleraria irregularidades.
A entrevista também foi atravessada pela eleição de 2026 e por incertezas partidárias e majoritárias. Pires disse integrar a federação União Progressista, citando a junção entre União Brasil e Progressistas, e avaliou que o cenário ainda está “muito complexo” para definições sobre candidaturas ao governo. Ele listou nomes ventilados e mencionou fatores que, na análise dele, tornam a equação instável: PL com candidatura colocada, Adaílton Fúria como pré-candidato pelo PSD, Expedito Netto em movimento de filiação ao PT para pré-candidatura, além de referências a Hildon, Marcos Rogério e ao prefeito Delegado Flori, com quem afirmou ter almoçado recentemente. No relato, Pires ainda citou Marcelo Lucas, apontado como primeiro suplente de Sílvia Cristina, e mencionou, em diálogo com Robson Oliveira, que o empresário estaria ligado a projeto de usina de etanol a partir do milho.
Nesse mesmo trecho, Pires disse que pretende conversar com Sílvia Cristina naquela semana para entender melhor os rumos do grupo e o impacto das mudanças internas com a federação, já que, segundo ele, a deputada preside o Progressistas no estado, mas, com a união, teria passado a atuar dentro da estrutura federativa. Ele afirmou que uma candidatura da federação ao governo chegou a ser atribuída, “a princípio”, a Sérgio Gonçalves, mas disse que isso estaria indefinido. Para explicar o grau de incerteza, recorreu à metáfora técnica: chamou o cenário de “equação de décimo grau”, com “20 variáveis” em jogo.
O governador Marcos Rocha apareceu na entrevista como peça desse tabuleiro, mas sem afirmações conclusivas. Pires disse que “me parece” que Rocha não seria candidato ao Senado e afirmou não ver sentido em uma reconciliação política após acusações públicas. Nesse ponto, o entrevistado citou entrevista do governador em que, segundo ele e o apresentador, o vice foi chamado de “traidor” de forma explícita, e concluiu que, com esse nível de ruptura, “não pode ser” que haja retomada de aliança como se nada tivesse ocorrido.
No terço final da conversa, Pires também detalhou aspectos pessoais e de trajetória que ajudam a explicar seu reaparecimento no cenário: disse ser natural do interior de São Paulo, formado em engenharia civil, e afirmou ter chegado a Rondônia em 1982, atraído pelo contexto do então “novo Estado”. Relatou ter iniciado carreira na construção civil, ter montado empresa com atuação espalhada pelo estado e disse que hoje a gestão do negócio está com o genro, mantendo o mesmo CNPJ desde 1988. Ao falar sobre a entrada na política, contou que ocorreu “ao acaso”, a partir de convite para ser vice em Ji-Paraná em 2000 e 2004, eleições que disse ter perdido por diferença pequena, e que a insistência de eleitores em seu nome o levou a se candidatar, primeiro a deputado estadual em 2006, quando afirmou ter sido o quarto mais votado, depois reeleito, e, mais tarde, eleito prefeito de Ji-Paraná em 2012 com mais de 75% dos votos, com reeleição posterior com quase 70%, segundo os números citados por ele.
Sobre 2018, Pires afirmou que saiu candidato ao Senado “sem estrutura”, reconheceu erros por não ter “trabalhado o nome no Estado” e disse ter alcançado 200 mil votos, citando 48 mil em Porto Velho e aproximadamente 70% dos votos válidos em Ji-Paraná em termos percentuais. A partir daí, afirmou que recebeu convites para composições e candidaturas, incluindo menção a convite de Léo Moraes, mas explicou que preferiu se afastar e se reorganizar. Ele também disse ter ficado “sete anos” em um período sabático e, agora, afirmou estar motivado a disputar vaga de deputado federal, em especial por conta de um chamado de Sílvia Cristina, que, segundo ele, buscaria um nome “consistente” para a região central enquanto ela se coloca na pré-candidatura ao Senado.
No encerramento, Pires afirmou que já organiza a pré-campanha, montou equipe de mídia digital e declarou que pretende falar com o eleitorado de 16 a 30 anos, que, segundo ele, “não me conhece”. Na parte final, ainda fez comentários sobre mudança do ambiente político com redes sociais, sobre riscos de “lacração” e destruição de reputações em minutos, e disse que o debate deveria se concentrar em “problemas reais” do cotidiano. Ao fechar a participação, criticou a qualidade do gasto público e disse que a carga tributária alta se agrava pelo retorno ruim, mencionando países escandinavos como exemplo de imposto alto com serviço melhor, na comparação feita por ele.
DEZ FRASES DE JESUALDO PIRES NO RESENHA POLÍTICA:
01) “Eu acho uma tragédia o que está acontecendo com Rondônia nessa questão da concessão da BR.”
Disse isso ao ser questionado sobre a implantação do pedágio na BR-364 e os efeitos da concessão para a população do estado.
02) “Os preços são abusivos.”
Afirmou isso ao diferenciar apoio ao modelo de concessão e crítica direta ao valor cobrado no pedágio da BR-364.
03) “Foi tudo feito e ninguém acompanhou, ninguém se apercebeu de nada.”
Falou ao comentar a ausência de fiscalização política e institucional durante o processo que resultou na cobrança do pedágio.
04) “Você sair de Porto Velho, ir a Ariquemes e voltar dá mais de 170 reais. É uma coisa absurda.”
Declarou ao relatar o custo do pedágio em deslocamentos comuns dentro do estado, usando exemplo concreto de trajeto.
05) “O DNIT, pra mim, sempre foi um órgão muito falho em Rondônia.”
Disse ao criticar a atuação histórica do órgão federal na manutenção da BR-364, especialmente a política de tapa-buracos.
06) “Eles deixavam o buraco virar uma erosão para depois gastar milhões.”
Afirmou ao explicar como, segundo ele, a falta de manutenção preventiva encarecia as obras na rodovia.
07) “Aqui, salvo raríssimas exceções, a nossa classe política é pródiga em colocar a culpa nos outros.”
Disse ao comentar o comportamento de lideranças políticas diante da crise do pedágio e da reação popular.
08) “A culpa é sempre do mordomo, do porteiro.”
Falou ao concordar com a análise de Robson Oliveira sobre a transferência recorrente de responsabilidades na política.
09) “Eu nunca tive um processo. Nem cível, nem criminal. Nem denunciado.”
Afirmou ao reagir às tentativas de adversários de associá-lo a uma operação da Polícia Federal ocorrida durante sua gestão.
10) “Essa operação foi espalhafatosa e, até hoje, não condenou ninguém.”
Disse ao comentar a operação policial frequentemente lembrada por críticos, destacando a ausência de desfecho judicial.



Comentários
Seja o primeiro a comentar!