PORTO VELHO (RO) - As eleições de outubro, quando serão eleitos e reeleitos presidente da República, governadores, dois dos três senadores, deputados federais e deputados estaduais, predominam nos bastidores da política regional. As convenções para escolha dos candidatos ocorrerão no período de 20 de julho a 5 de agosto e a Janela Partidária, que permite que deputados (federais e estaduais) e vereadores mudem de partidos sem a punição com a perda do mandato, como determina a Lei Eleitoral, teve início no dia 5 e será encerrada no dia 3 de abril.
O PL, presidido em Rondônia pelo senador Marcos Rogério, sai na frente com o encontro regional de hoje (14) em Ji-Paraná, quando o partido estará alinhando uma série de posicionamentos para as eleições gerais de outubro. Parece uma medida precipitada, pois estamos a pouco mais de sete meses das eleições, mas não, porque quem sai na frente sempre acaba sendo favorecido.
No encontro de Ji-Paraná, o PL estará lançando a pré-candidatura de Marcos Rogério a governador e filiando o deputado federal mais bem votado (85.596 votos) no Estado nas eleições gerais de 2022, Fernando Máximo, inclusive com a garantia de concorrer a uma das duas vagas ao Senado.
Também estão na programação as filiações dos deputados estaduais Luizinho Goebel, Alan Queiroz e Taíssa Sousa, que estão no Podemos, além do delegado Lucas Torres, do PP, ao PL. O partido tem como meta eleger no mínimo cinco dos 24 deputados estaduais para a próxima legislatura, dois dos oito deputados federais, além do governador e pelo menos uma das vagas ao Senado. E está se organizando para isso.
Nas eleições de outubro, duas das três vagas ao Senado estarão em disputa, hoje ocupadas por Marcos Rogério e Confúcio Moura, que preside o MDB no Estado. O PL, além de Máximo, que está se filiando ao partido, tem o pecuarista Bruno Scheidt como pré-candidato indicado pelo ex-presidente da República, Jair Bolsonaro.
Quem acompanha as pesquisas, que estão sendo realizadas por institutos especializados, nota que Bruno Scheidt, que deverá usar na campanha política o nome de Bruno “Bolsonaro”, vem ganhando espaço e se destaca como candidato com potencial para conseguir uma das duas vagas. Os adversários que contratam pesquisas para “consumo próprio”, não para divulgação, também constataram o bom desempenho do apadrinhado de Bolsonaro.
Após o encontro de Ji-Paraná, o PL, representado na Assembleia Legislativa (Ale) pelos deputados Jean Mendonça, de Pimenta Bueno, que vem trabalhando com muita dedicação à sua reeleição, e Eyder Brasil, de Porto Velho, que já adiantou que deixará o partido para se filiar a outra agremiação, estará trabalhando forte na pré-campanha eleitoral.
Existe enorme expectativa sobre a participação do ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, do PSDB, mas que estaria deixando o partido, no encontro do PL em Ji-Paraná. Hildon, quando deixou a prefeitura da capital após dois mandatos seguidos, tinha mais de 70% de aprovação da população, e seu nome sempre é lembrado quando o assunto é sucessão estadual. Ele é pré-candidato e, caso formate uma parceria com Rogério, será uma dupla difícil de ser vencida e com enormes chances de sucesso nas eleições deste ano.
Além do grupo liderado pelo PL, que está dando a largada para as Eleições Gerais de 2026 em Ji-Paraná, segundo maior colégio eleitoral do Estado, com cerca de 100 mil eleitores, o interior tem mais dois nomes na lista de prováveis candidatos a governador. Os dois são prefeitos reeleitos em 2024 com votações relevantes e em condições de enfrentar as urnas este ano.
Flori Cordeiro, do Podemos, presidido no Estado pelo prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, foi reeleito com 74,43% dos votos válidos, e Adailton Fúria (PSD), de Cacoal, somou 83,16% dos votos. Desde as reeleições em 2024, ambos trabalham suas pré-candidaturas a governador.
A exemplo de Marcos Rogério, Fúria e Flori dependem de um companheiro de chapa que tenha domicílio eleitoral em Porto Velho para poder formatar chapas com expectativas de sucesso nas urnas. Disputar eleições com candidatos a governador e vice com membros somente da capital ou do interior não é recomendável, porque existe uma rivalidade natural.
O bom senso recomenda que ocorra um “casamento”, com cada candidato representando uma região, ou seja, um da capital e o parceiro do interior — e também o inverso.
Flori, por exemplo, tem uma forte liderança no Cone Sul, região polarizada por Vilhena, e tem no seu apoio em Porto Velho o prefeito Léo Moraes, que preside o Podemos em Rondônia. Moraes venceu as eleições para prefeito em 2024 no segundo turno (56,18% a 43,82%) após uma virada histórica sobre Mariana Carvalho (UB), que havia vencido o primeiro turno (44,53% a 25,65%). Não há dúvida de que um vice indicado por Léo Moraes será da maior importância na luta de Flori e do partido para governar o Estado a partir de 2027.
O prefeito Fúria se reelegeu em 2024. Tem uma forte liderança na Região do Café, polarizada por Cacoal e, a exemplo de Flori e Rogério, depende de alguém da capital, não importando o sexo, mas que tenha liderança suficiente para dar suporte a uma parceria em condições de sucesso nas urnas.
Fúria tem um aliado importante, o governador Marcos Rocha, que assumiu recentemente a presidência estadual do seu partido, o PSD. Rocha afirmou durante a semana, mais uma vez, que não é candidato a senador e que cumprirá o mandato até o final, ou seja, dezembro deste ano. Com o apoio de Rocha, ou seja, da “máquina administrativa estadual”, e um bom nome de vice da capital, as chances de Fúria são reais, pois, queiram ou não, prefeitos, vereadores e deputados estaduais dependem do Governo do Estado.
Mas fica a pergunta: até onde o apoio do governador, que não realiza um bom trabalho no segundo mandato, terá influência junto ao eleitorado?



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