Publicada em 21/01/2026 às 11h12
Porto Velho (RO) - Em entrevista ao Rondônia Dinâmica, na tarde da última terça-feira (20), o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro (Podemos), falou sobre o cenário eleitoral de 2026 e o surgimento de seu nome como possível pré-candidato ao Governo de Rondônia. Na conversa com a redação, ele se definiu como um político de direita, afirmou acreditar que o ex-presidente Jair Bolsonaro é vítima de “lawfare”, e comentou que a disputa majoritária exige estrutura e alianças, reconhecendo que seu partido “não vence sozinho”.
Ao tratar do tema ideológico, Flori afirmou que se considera um candidato de direita e justificou a posição com base em valores econômicos. “Eu sou um candidato de direita. Acredito no direito do cidadão de fazer as suas escolhas, na liberdade individual, no livre mercado”, declarou. Na sequência, abordou o contexto nacional envolvendo Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal. “Acho que o presidente Bolsonaro está sendo vítima de lawfare, acho que ele está sendo perseguido”, disse, ao acrescentar que não concorda com o modelo de julgamento que, segundo ele, deveria ocorrer em primeira instância. “Não acho que o ministro Alexandre de Moraes deveria ter julgado, é um inimigo jurado, então você não pode ter nem o juiz escolher o julgado e nem o julgado escolher o juiz”, afirmou.
Mesmo adotando críticas diretas, Flori disse que, no campo institucional, não enxerga problema em dialogar com atores políticos de espectros diferentes quando o objetivo é entregar benefícios à população. Para exemplificar, citou o senador Confúcio Moura e afirmou que o recebe em Vilhena quando há entregas de recursos e ações para o município.
A entrevista avançou para o tabuleiro eleitoral de Rondônia. Flori comentou que o reposicionamento do deputado Fernando Máximo — citado na conversa — alterou dinâmicas e ampliou espaço para novos nomes. Segundo ele, com Máximo se projetando para uma disputa ao Senado, “meu nome começou a aparecer”, declarou, atribuindo o movimento ao novo desenho das chapas e ao interesse de grupos em montar composições competitivas para o Executivo estadual.
Questionado sobre viabilidade, Flori afirmou que um projeto majoritário depende de apoios e da construção de base política. Ele também citou conversas e sinalizações no campo das alianças. No contexto dessas articulações, mencionou que o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, teria apresentado apoio político ao projeto, ao usar a expressão “incondicional” durante a entrevista. O prefeito de Vilhena ainda ressaltou que, para vencer uma eleição estadual, é necessário reunir forças e construir uma coalizão, indicando que o Podemos, isoladamente, não seria suficiente.
Foi nesse ponto da entrevista que Flori elevou o tom e apresentou o que definiu como um “desafio verdadeiro”, classificado por ele como inédito no debate político estadual. O prefeito afirmou que colocaria “a caminhonete do irmão em jogo” para sustentar a provocação, ao declarar que não haveria em Rondônia — nem mesmo na capital — um município capaz de iniciar o ano lançando um pacote de aproximadamente R$ 60 milhões em obras e serviços executados com recursos próprios.

Flori Cordeiro durante entrevista ao Rondônia Dinâmica / Foto: Rondônia Dinâmica
A fala foi construída a partir da defesa de que Vilhena teria conseguido estruturar, logo no início do exercício, um conjunto amplo de investimentos envolvendo diferentes áreas da administração. Flori mencionou repasses diretos a entidades sociais, como associações ligadas ao atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista e ao cuidado de idosos, ao mesmo tempo em que destacou aportes contínuos em infraestrutura básica, especialmente na substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto e na execução de obras viárias consideradas estratégicas.
Ao longo do discurso, o prefeito também citou investimentos na área educacional, com a construção de novas unidades escolares, além de intervenções no transporte público. Nesse ponto, defendeu a implantação do que classificou como o primeiro sistema de tarifa zero “verdadeiro” do estado, com frota em operação permanente. Obras de revitalização urbana, como reformas de avenidas, modernização de pontos de ônibus e ações estruturantes para contenção de alagamentos e enchentes, também foram apresentadas como parte do pacote anunciado.
Na saúde, Flori afirmou que os recursos próprios estariam sendo aplicados tanto na ampliação da estrutura da UPA quanto na construção de uma ala pediátrica. No esporte e lazer, mencionou reformas no estádio municipal e a implantação de espaços esportivos em praças de diferentes bairros. Segundo ele, a lógica do pacote seria atender simultaneamente áreas sociais, infraestrutura pesada e equipamentos públicos de uso cotidiano.
O prefeito ainda incluiu no conjunto de investimentos ações voltadas à segurança viária, como a instalação de defensas metálicas em vias de tráfego intenso, além do fortalecimento da fiscalização de trânsito, com a aquisição de veículos e motocicletas. Na área rural, citou a compra de equipamentos agrícolas, caminhões para transporte de máquinas e o apoio à organização de produtores, defendendo a criação de cooperativas e a estruturação de uma usina de beneficiamento de leite como forma de enfrentar distorções de mercado e concentração de preços.
Também foram mencionadas obras de requalificação de espaços públicos, como praças e prédios culturais, além da construção de estruturas de cobertura em áreas urbanas, que o prefeito comparou, em tom provocativo, a intervenções realizadas em grandes centros internacionais. Ao longo da entrevista, Flori insistiu que todos os valores citados integrariam um único pacote de obras e serviços viabilizado sem dependência de financiamentos externos.
Por fim, retomou o desafio lançado no início, reiterando que aguardaria a indicação de qualquer município de Rondônia capaz de apresentar, logo no começo do ano, um volume semelhante de investimentos em execução com recursos próprios, reafirmando que, na sua avaliação, “nem a capital” teria condições de fazê-lo nas mesmas proporções.
Na mesma linha de enfrentamento, Flori avaliou que a pré-campanha tende a intensificar ataques e narrativas contra possíveis candidatos. Ao comentar uma das acusações que diz enfrentar, ele rebateu o rótulo de “advogado do PT”, afirmando que se trata de uma exploração política de um caso profissional do início da carreira. Segundo ele, foi um trabalho técnico, pontual e sem militância. “Eu era um recém-ingresso… um cliente apareceu no meu escritório, e eu rendi os meus serviços para ele por um único caso, técnico, sem amor, sem paixão”, afirmou. Ele disse ainda que recebeu “meio salário mínimo” pelo serviço e ironizou a tentativa de vinculação ideológica.
Além do ambiente eleitoral, Flori abordou temas que, segundo ele, interferem diretamente no debate político e na imagem dos governos municipais, como o pedágio na BR-364. Ele afirmou que a concessão deixa “sentimento amargo” por cobrar antes de entregar investimentos e defendeu outra lógica. Para ele, “primeiro construir e depois pagar” seria mais adequado. O prefeito citou que a forma como o modelo foi estruturado gera desgaste social e sensação de injustiça. Apesar das críticas ao formato, comparou com concessões de outros estados e citou São Paulo como referência, onde, segundo relatou, o usuário percebe mais benefícios no serviço.
O prefeito também retomou embates administrativos com o DNIT, relatando que já foi denunciado após realizar obra em área marginal próxima à BR-364. Flori narrou que a Polícia Federal foi acionada após a intervenção e disse que contestou a denúncia, alegando que a ação não causava dano, mas melhoria na mobilidade urbana entre a parte antiga e a parte nova da cidade.
No trecho final, ao falar sobre gestão e vitrine administrativa para um possível projeto estadual, Flori afirmou que a saúde de Vilhena se tornou um dos pontos centrais de sua administração. Ele defendeu a adoção de modelo com Organização Social (OS), citando que seria um sistema usado por diferentes governos e que permitiria maior eficiência na operação do serviço público, com desburocratização e melhora nas entregas.
Ainda na entrevista, o prefeito mencionou a instabilidade política vivida por Vilhena antes de sua gestão, sem citar nomes, ao afirmar que a cidade teve muitos prefeitos em curto período e que a prefeitura estava desorganizada quando assumiu. Ele atribuiu à reorganização fiscal e administrativa a capacidade do município de realizar investimentos e planejar entregas, citando redução de despesas e mudança em indicadores internos da administração.
Flori concluiu reiterando que prefere tratar de temas concretos, como infraestrutura, saúde e segurança, mas reconheceu que o debate eleitoral deve ser marcado por disputas ideológicas e ataques. Na entrevista ao Rondônia Dinâmica, manteve o tom de pré-campanha ao reafirmar posicionamentos e ao admitir que seu nome está no radar da sucessão estadual, dentro de um cenário que ainda depende de costuras políticas e definições partidárias.
DEZ FRASES DE FLORI AO RONDÔNIA DINÂMICA:
01) "O Jaime Bagattoli vende todo dia gasolina para o PT."
Para rebater a pecha de "advogado do PT", Flori argumenta que prestar um serviço técnico (advocacia ou venda de combustível) não gera vínculo ideológico, citando o empresário e senador Jaime Bagattoli, do PL.
02) "Por que que em Rondônia não tinha? Por três motivos. Máfia de branco, máfia de empresário de laboratório, e de imagem e certos, não todos, sindicatos de ladrões."
Ao explicar por que o modelo de Organização Social (OS) na saúde demorou a chegar ao estado, o prefeito atribui a demora à resistência de grupos de interesse que ele classifica como "máfias" e "ladrões".
03) "Valendo a caminhonete do meu irmão! Alguma prefeitura no estado de Rondônia, inclusive a capital, tem a capacidade de lançar um pacote de obras e serviços... de 60 milhões de reais de dinheiro próprio?"
Flori utiliza o veículo de um familiar como garantia em um desafio público, provocando outros gestores — incluindo o de Porto Velho — a provarem que possuem a mesma saúde financeira em seus municípios.
04) "Lá em Vilhena, o clã dominante criou um jeito de fazer política que era imbatível. O sujeito que inventou, que era o chefe do clã, é um sujeito inteligentíssimo. Mas um gênio do mal."
O prefeito descreve a estrutura política anterior de Vilhena como um sistema desenhado para perpetuar o poder através de compromissos escusos e inchaço da máquina pública.
05) "Eu digo que ele não é um opositor que me traz problema porque ele acorda no meio-dia. Então ele não trabalha muito, então não dá pra falar."
Flori ironiza a eficácia de seu único opositor na Câmara de Vereadores, afirmando que a falta de produtividade e o horário em que o vereador inicia o dia neutralizam qualquer fiscalização.
06) "Eu gostaria de dar parabéns para vocês que conseguiram entrar nesse programa. Se bem que não, né? Porque se vocês estão aqui, vocês estão no bico do corvo."
Durante o lançamento de um programa de saúde com uso de Monjauro voltado ao tratamento da obesidade, o prefeito faz uma piada direta com os pacientes selecionados.
07) "Eu sou briguento por falar essas três coisas? Ou eu tenho independência o bastante e coragem o bastante pra desafiar esse povo a me processar e eu ir lá no Judiciário e provar que é isso mesmo que acontece."
Após atacar sindicatos e empresários do setor de saúde, ele desafia os citados a levarem a discussão para o campo jurídico, reafirmando que mantém o que disse.
08) "De um hospital que era um hospital comparado ao João Paulo II, nós passamos a ter o melhor hospital do Estado Público. Se alguém trouxer uma foto de um outro hospital público que seja igual a este, eu pago dois salários."
Neste trecho, Flori faz uma comparação agressiva com o Hospital João Paulo II, em Porto Velho (conhecido pelos problemas estruturais), e lança um desafio financeiro para quem provar a existência de uma unidade pública de saúde com padrão superior à de Vilhena.
09) "Eu era um recém-ingressado (na advocacia)... um cliente apareceu no meu escritório, e eu rendi os meus serviços para ele por um único caso, técnico, sem amor, sem paixão. Meio salário mínimo eu recebi."
O prefeito detalha o início de sua carreira jurídica para minimizar as críticas sobre ter advogado para um político do Partido dos Trabalhadores no passado, coisa que ele nega.
10) "Vilhena tem 110 mil habitantes e tem duas viaturas por turno cuidando da cidade. Quer dizer, era melhor deixar sem nada. Porque pelo menos não gastavam o combustível dessas duas viaturas."
Em tom de desabafo sobre a segurança pública e a falta de apoio do governo estadual na época, ele critica a estrutura policial insuficiente enviada para o município.



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