PORTO VELHO, RO - No momento em que o cenário eleitoral de Rondônia começa a se reorganizar com a abertura da janela partidária, o deputado federal Fernando Máximo afirmou, em entrevista exclusiva ao Rondônia Dinâmica, que a mudança de sigla está definida e que pretende formalizar a filiação ao PL dentro do prazo legal, que se encerra em 5 de abril. Ele declarou que, nesse mesmo movimento, se coloca como pré-candidato ao Senado pela legenda, em alinhamento com o grupo que tem o senador Marcos Rogério como pré-candidato ao governo do Estado.
“Então nesse período a gente vai fazer a filiação ao PL. E aí também como pré-candidato ao Senado pelo PL”, afirmou. Ao explicar a saída do União Brasil, disse que a construção interna se tornou inviável. “Naquele momento [refere-se às eleições municipais de 2024] ali ficou difícil construir com o partido que eu estava, que era a União Brasil. E comecei a namorar, a procurar outros partidos para poder tentar achar aquilo que era mais… e ia mais na minha linha de pensamento”, declarou.
Durante a conversa, o repórter mencionou rumores de uma suposta disputa interna por espaço dentro do mesmo campo político, citando diretamente o nome de Bruno Scheid. Máximo rejeitou qualquer conflito pessoal ou imposição. “Criaram essa confusão aí, alguém inventou essa história. E nunca teve isso, nunca tive rixa com ele, nunca tive briga com ele, nunca impus condição de ou eu ou ele. Não vejo problema nenhum de ser os dois”, afirmou, acrescentando que a narrativa de veto ou exigência não corresponde aos fatos.
A entrevista avançou para um dos pontos mais sensíveis do atual debate eleitoral: a pandemia de Covid-19. O repórter introduziu a pergunta citando que Adaílton Fúria, do PSD, pré-candidato ao governo, tem utilizado a condução da crise sanitária como mote em entrevistas, afirmando que teria batido de frente com o Estado ao manter o comércio aberto durante o período mais crítico. Diante desse questionamento, Máximo, que foi secretário de Saúde do Estado à época do pico da pandemia, afirmou que a condução em Rondônia foi pautada por equilíbrio.
“Rondônia foi um dos estados que mais manteve [o comércio] aberto do país. Com cautela, com cuidado. Você não pode ser nem 8 nem 80”, declarou. Ele afirmou que o momento exigiu decisões baseadas no que chamou de controle de danos. “Nós fizemos o que foi preciso fazer naquele momento para salvar o máximo número de pessoas”, disse, sustentando que a equipe trabalhou com os recursos disponíveis diante de uma doença nova, sobre a qual havia incertezas técnicas.
Ainda sobre a pandemia, o deputado abordou a discussão em torno da cloroquina. “Uso ou não uso? Não vou impor, nem exigir, nem excluir. Já que é um medicamento barato, que não faz mal e que pode ser que resolva alguma coisa, fica a critério do médico e a critério do paciente. Se o paciente quiser e o médico quiser, faz. Se não quiser, não faz”, afirmou, dizendo que não adotou postura de imposição nem de proibição.
Outro bloco central da entrevista tratou dos atos de 8 de janeiro e da defesa de anistia para os condenados. Máximo afirmou que, na avaliação dele, a tipificação como golpe de Estado não se sustenta nas circunstâncias descritas. “Foram mais de 1.500 pessoas presas, nenhum arma apreendida. Zero arma. Impossível o golpe de estado. Domingo, quando os poderes estavam fechados. Impossível o golpe de estado”, declarou. Ao mesmo tempo, disse que considera erradas as depredações, mas defende proporcionalidade nas penas. “Eu concordo que todos deveriam responder proporcionalmente. Quebrou janela, quebrou um relógio, quebrou uma parede, pichou”, afirmou.
Questionado se, eleito senador, encamparia pautas como impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, o deputado condicionou qualquer medida ao resultado de investigações formais. “Investigação deve acontecer. Vai chegar a impeachment? Depende do que vai dar na investigação. Eu acho que ninguém é Deus. Ninguém deve estar acima da lei”, declarou, acrescentando que qualquer providência deve ocorrer “dentro da Constituição Federal”, sem “exageros” ou acusações sem base legal.
Na parte final da entrevista, Máximo detalhou a atuação parlamentar e a destinação de recursos. Ele afirmou ter colocado quase R$ 260 milhões em emendas em Rondônia, sendo mais de R$ 172 milhões na área da saúde. Segundo ele, os valores contemplam construção de unidades hospitalares, ampliação e reforma de Unidades Básicas de Saúde, aquisição de equipamentos médicos de maior complexidade, compra de medicamentos e custeio de cirurgias eletivas. Ao mencionar os números, sustentou que a maior parte das emendas foi direcionada para projetos estruturantes, com foco na ampliação da capacidade de atendimento.
Entre os programas citados, destacou o projeto de avaliação oftalmológica nas escolas públicas, que envolve triagem médica, exames especializados e entrega gratuita de óculos personalizados a estudantes. De acordo com o parlamentar, 16 mil crianças já foram atendidas em diferentes municípios do estado. Ele descreveu que cada aluno passa por consulta com oftalmologista, realiza exames e, quando há prescrição, escolhe a armação, que é produzida de forma individualizada antes da entrega. O projeto, segundo afirmou, integra saúde e educação, com impacto direto no rendimento escolar.
Máximo também mencionou o programa voltado ao tratamento da obesidade com uso do medicamento Mounjaro, implantado inicialmente em Vilhena e Ji-Paraná e com recursos já destinados para Porto Velho. Segundo relatou, a iniciativa não se limita ao fornecimento do medicamento, mas envolve acompanhamento multiprofissional com médico, endocrinologista, nutricionista, educador físico e psicólogo, além de exames laboratoriais periódicos. Ele afirmou que o tratamento é estruturado por seis meses, com acompanhamento semanal, e que o objetivo é reduzir complicações associadas à obesidade, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.
Na agricultura, o deputado citou a destinação de tratores, implementos agrícolas e caminhões para apoio ao pequeno produtor rural. Como exemplo, mencionou uma carreta para transporte de calcário, avaliada em cerca de R$ 1,5 milhão, destinada a atender produtores que não têm condições de arcar com o frete. Segundo ele, o equipamento pode beneficiar dezenas de agricultores por viagem, reduzindo custos e ampliando a produtividade.
Na causa animal, destacou o programa de castração que, conforme informou, deve alcançar 18 mil procedimentos até abril. Ele afirmou que o projeto contempla machos e fêmeas, incluindo animais de rua, e que a iniciativa envolve parceria com protetores independentes e entidades locais. Máximo relacionou o programa à redução de acidentes envolvendo motociclistas e cães soltos, mencionando impactos indiretos na rede hospitalar.
O deputado também citou repasses para instituições que atendem pessoas com deficiência e transtornos do espectro autista. Segundo ele, todas as 38 APAEs de Rondônia receberam recursos de seu mandato, além de entidades como AMA, Pestalozzi e associações regionais voltadas ao atendimento especializado. Ele afirmou que realiza visitas frequentes às instituições para acompanhar a aplicação das emendas e verificar a execução dos serviços prestados.
Encerrando a entrevista, Máximo reiterou que a formulação de projetos de lei e a destinação de recursos, segundo ele, nascem de conversas com mães de autistas, produtores rurais, associações e sindicatos, e que considera essencial acompanhar presencialmente as obras e programas financiados com verba pública, sustentando que a fiscalização direta faz parte da responsabilidade do mandato.



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