PORTO VELHO, RO — A ampliação da presença de agentes públicos e nomes ligados ao cenário eleitoral de Rondônia no movimento Legendários, especialmente a partir de 2025, insere a iniciativa em um momento de alta visibilidade política. A adesão de figuras conhecidas, como o senador Marcos Rogério, do PL, pré-candidato ao Governo do Estado, que participou da peregrinação em Manaus rumo ao topo de uma montanha em maio do ano passado, evidencia a conexão entre trajetórias públicas e experiências de espiritualidade promovidas pelo grupo.
O mesmo movimento alcança outros atores com mandato, como o deputado federal Lúcio Mosquini, do MDB, e os deputados estaduais Ribeiro do Sinpol, do PRD, e Delegado Lucas Torres, do PP, além de nomes que orbitam o ambiente político, a exemplo do apresentador Wiveslando Neiva, filho do deputado Ezequiel Neiva e um dos mais ativos defensores da iniciativa, e do jovem Alisson Carreiro, o Alisson Sandubas, filho de Lindomar Carreiro, “eterno” presidente do PSDB em Porto Velho. Alisson já disputou eleições e, até agora, não venceu.
A entrada no movimento pode ser interpretada, no caso dele, como um “plus” na hora de se colocar, caso queira, à disposição da sociedade como opção nas urnas. Há também o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Júnior Gonçalves, ainda dirigente regional do União Brasil. Apesar de não ocupar cargo público atualmente, Gonçalves usa suas redes sociais para se declarar defensor de valores conservadores, mais à direita. Nesse sentido, assim como no caso de Alisson Sandubas, o ingresso nas fileiras do movimento Legendários confere ao dirigente partidário mais “munição retórica” tanto para se projetar politicamente quanto para continuar endossando suas próprias qualidades na internet.
A presença simultânea de agentes públicos e aspirantes a cargos eletivos confere ao Legendários um papel que ultrapassa a dimensão estritamente espiritual e o posiciona como espaço de sociabilidade e expressão de valores. O movimento, descrito como ambiente de fortalecimento de fé e reflexão pessoal, passa a ser também interpretado como território simbólico de reforço de identidades conservadoras, muitas vezes associadas a predileções de ordem bolsonarista, como no caso de Marcos Rogério e Lúcio Mosquini. Essa leitura ganha densidade quando observada em perspectiva nacional, já que a iniciativa reúne nomes de projeção no espectro mais à direita, como Caio Coppola, o pastor Rodrigo Silva, o influenciador Thiago Nigro, o Primo Rico e o humorista Everson de Brito Silva, o Tirulipa, filho do deputado federal Tiririca.
No plano simbólico, a estética e a performance pública também compõem a narrativa. A necessidade de demonstrar virtudes e expor práticas de fé com forte apelo visual, marcada pelo uniforme de cor laranja cintilante, reforça a dimensão comunicacional do movimento. A escolha cromática, que remete de imediato à paleta associada ao Partido Novo, outro ícone do campo político à direita, projeta uma imagem de identidade e pertencimento que dialoga com o imaginário contemporâneo de construção de reputações públicas, especialmente em um ambiente pré-eleitoral.
Nesse contexto, o movimento se apresenta simultaneamente como espaço de vivência espiritual e como arena de visibilidade social, na qual trajetórias individuais são exibidas em narrativas de transformação e propósito. A presença de agentes públicos e de nomes em busca de projeção eleitoral amplia a percepção de que tais experiências podem produzir capital simbólico relevante, sobretudo quando associadas a valores morais e a discursos de renovação pessoal, elementos historicamente mobilizados na construção de lideranças políticas.
O Rondônia Dinâmica respeita a democracia, todas as religiões e suas respectivas expressões de fé. E reconhece que todo ser humano, do anônimo ao famoso, do cidadão comum à autoridade política, tem direito de exercê-la como bem entender, em qualquer espaço ou circunstância.
O papel do editorial é comentar, expor e criticar, quando entender necessário, o uso dessa vitrine para fins de projeção eleitoral, o que pode ou não ser o caso dos nomes citados. É importante lembrar que, ao longo da história, diversas entidades, organizações e movimentos foram utilizados para emprestar um verniz ético-moral às pessoas, independentemente de suas índoles particulares, estas sim passíveis de avaliação pelo eleitor, vista-se de azul césio, de verde-musgo opaco, de laranja cintilante ou simplesmente de forma comum. Em suma, Rotary International, Lions Clubs International, Maçonaria, Ordem DeMolay, Escoteiros do Brasil, JCI Brasil, Legião da Boa Vontade e Legendários, entre tantas outras, não têm o condão de insculpir em um CPF decência, humanidade e correção pública.



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