PORTO VELHO (RO) - Em outubro serão realizadas as eleições gerais, quando serão eleitos e reeleitos presidente da República, governadores e vices; duas das três vagas ao Senado de cada estado e do Distrito Federal, além da Câmara Federal e das Assembleias Legislativas. As eleições para presidente da República monopolizam as lideranças, mas, em Rondônia, a sucessão estadual a cada dia ganha maior evidência nos bastidores, devido aos nomes que estão sendo apontados como pré-candidatos que, além de elevados (hoje temos quase uma dezena), em sua maioria tiveram ótimo desempenho nas urnas em eleições anteriores.
Rondônia tem como pretendentes à sucessão do governador Marcos Rocha, que preside o PSD no estado, os prefeitos reeleitos de Vilhena (Flori Cordeiro – Podemos) e de Cacoal (Adailton Fúria – PSD). O ex-prefeito de Porto Velho, por dois mandatos seguidos, Hildon Chaves, que está deixando a presidência regional do PSDB, também integra a lista, assim como o presidente estadual do PL, senador Marcos Rogério.
Sem demérito aos demais pré-candidatos (hoje seriam em torno de dez), os nomes citados despontam em pesquisas e já provaram que são bons de votos em eleições anteriores. O PT deverá disputar com o ex-deputado federal Expedito Neto, que chegou recentemente ao partido, e a Rede, com o advogado Samuel Costa.
Não há como ignorar o poderio de votos de Fúria, Cordeiro, Chaves e Rogério. Caso realmente sejam confirmados como pré-candidatos, teremos eleições das mais concorridas à sucessão estadual.
A composição para a disputa à sucessão estadual será fundamental para o desempenho nas urnas. Flori, Fúria e Rogério são do interior; Chaves, da capital, o maior colégio eleitoral do estado (mais de 360 mil eleitores aptos a votar em 2024). Quando deixou a prefeitura, no final de 2024, pesquisas apontavam o ex-prefeito com mais de 70% de aprovação, após dois mandatos seguidos. É um número considerável.
Fúria foi reeleito com mais de 83% dos votos válidos. Há que se reconhecer que os adversários eram bem inferiores, politicamente, aos de Flori, que se reelegeu com 74,43% dos votos válidos. Não há dúvida de que as dificuldades de Flori foram maiores, pois Raquel Donadon é de família tradicional no Cone Sul e obteve 21,47% dos votos válidos.
A reeleição de Fúria foi “menos difícil”, pois enfrentou um adversário que residia, antes das eleições, em cidade vizinha a Cacoal: o ex-deputado estadual Celso Popó (PL), que somou 12,86% dos votos válidos. Fúria se reelegeu com a expressiva votação de 40.270 votos (83,16%).
O senador Marcos Rogério foi vereador em Ji-Paraná, disputou a Câmara Federal em 2010 pelo PDT e ficou na suplência. Um ano depois, foi empossado após recontagem de votos feita pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Rondônia e assumiu o lugar de Lindomar Garçon. Em 2018, elegeu-se senador, o mais bem votado (24,06%) no estado. Nas eleições para governador, em 2022, foi candidato, chegou ao segundo turno como favorito, mas Marcos Rocha (UB) se reelegeu.
Para as eleições de outubro, o projeto de Marcos Rogério é a sucessão estadual e não há como ignorar que está entre os nomes com chances reais de sucesso nas urnas.
Os quatro despontam em todas as pesquisas realizadas por institutos especializados. O sucesso nas urnas dependerá de quem conseguir formatar uma parceria eficiente, pois é fundamental que ela seja composta por candidatos da capital e do interior.
Durante vários mandatos seguidos, os governadores de Rondônia foram do interior. Desde 1994, quando assumiu o governador Valdir Raupp (MDB), os demais — José Bianco (PL), Ivo Cassol (dois mandatos seguidos) e Confúcio Moura (dois mandatos seguidos) — também foram do interior. Porto Velho voltou a eleger o governador em 2018, com Marcos Rocha, que foi reeleito em 2022.
Para as eleições de outubro deste ano, temos uma dezena de pré-candidatos, com destaque para os quatro citados. Caso o ego não prevaleça, com a formatação de uma chapa mista (capital–interior ou interior–capital), com certeza teremos uma dupla com muitas chances de chegar ao segundo turno.
Uma parceria entre Hildon Chaves e Flori Cordeiro será difícil de ser batida. Resta saber quem seria o vice. Também a composição de Hildon e Rogério é uma dupla de respeito, assim como Hildon e Fúria ou Fúria e Hildon. Pelas circunstâncias atuais, com o governador Marcos Rocha assumindo o comando do PSD, ficará difícil uma composição com Hildon.
Há que se admitir que hoje temos o prefeito Flori no topo das notícias. Reelegeu-se pelo Podemos em 2024, e seu nome foi referendado esta semana pelo presidente estadual do partido, o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, como pré-candidato do partido à sucessão estadual. Na mesma semana, a cúpula do Novo formalizou convite para Flori se filiar ao partido e ser pré-candidato a governador.
É importante destacar que o deputado estadual Delegado Rodrigo Camargo (Republicanos – Ariquemes), que trabalhava uma pré-candidatura ao Senado, ocupou a tribuna da Ale-RO esta semana para anunciar que é pré-candidato a governador, e não mais a senador.
Como se comenta nos bastidores que Camargo estaria trocando de partido e tendo como destino o Podemos, os dirigentes do Novo, habilmente, formalizaram o convite a Flori para se filiar com a garantia da pré-candidatura a governador. No mínimo, o Novo, com Flori, teria enormes condições de negociação visando às eleições deste ano, não somente com um ótimo nome para o cargo executivo, mas também para os demais cargos: Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa.
Entre articulações partidárias, pesquisas e movimentações de bastidores, Flori passa a ocupar o centro do debate sucessório. Neste momento, é a bola da vez.



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