Publicada em 09/01/2026 às 12h01
O ator baiano Wagner Moura fez duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar a operação militar realizada na Venezuela que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. O casal responde a acusações relacionadas ao tráfico internacional de drogas.
Em entrevista ao semanário The Hollywood Reporter, publicada nesta quinta-feira (8), Moura classificou a ação norte-americana como “inaceitável”, mesmo reconhecendo críticas ao regime venezuelano. Para o ator, a forma como a intervenção ocorreu representa um risco grave no cenário internacional.
“É simplesmente inaceitável. Isso não tem nada a ver com apoiar Maduro ou seu regime — eu acho que ele é um ditador e a Venezuela merece alguém melhor do que Maduro. Mas os Estados Unidos invadirem um país, bombardearem um país, matarem pessoas em um país e sequestrarem seu presidente? É um precedente muito, muito perigoso”, afirmou.
Wagner Moura também fez uma leitura histórica da atuação dos Estados Unidos na América Latina, relacionando o episódio a políticas adotadas ao longo do século XX. Segundo ele, a situação remete a práticas imperialistas que deixaram marcas profundas na região.
“Nos faz lembrar dos velhos tempos do imperialismo americano, da Doutrina Monroe e da política do ‘grande porrete’. Todas as ditaduras na América do Sul nas décadas de 60 e 70 — como aquela retratada em O Agente Secreto, por exemplo — tiveram apoio da CIA. Portanto, isso não pode ser aceito”, declarou.
O ator ainda demonstrou preocupação com o que considera uma resposta tímida da comunidade internacional diante do episódio. Para Moura, a ausência de uma reação mais firme contribui para normalizar ações militares unilaterais, mesmo quando direcionadas a governos autoritários.
As declarações do artista repercutiram amplamente nas redes sociais e reacenderam o debate sobre intervenções estrangeiras, soberania nacional e os limites da atuação militar dos Estados Unidos em países da América Latina.



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