Publicada em 22/01/2026 às 16h12
Às vésperas do Oscar 2026, o diretor Kleber Mendonça Filho avaliou o impacto internacional de O Agente Secreto e reforçou que o principal reconhecimento deve vir, antes de tudo, do próprio público brasileiro. Em entrevista à BBC, o cineasta afirmou que o orgulho nacional é essencial para a consolidação de uma obra cultural.
Para Mendonça Filho, o sucesso do longa mostra que o cinema pode ocupar o mesmo lugar simbólico que outras expressões populares do país. “O público consegue se identificar com o cinema da mesma forma que sente orgulho de um atleta ou de um músico em destaque”, disse, ao destacar que o filme se transformou em um fenômeno doméstico. “É incrível ver O Agente Secreto se tornando um verdadeiro blockbuster brasileiro dentro do próprio país.”
O diretor também comentou os obstáculos enfrentados por produções fora do eixo hollywoodiano. Segundo ele, fazer o cinema nacional chegar ao grande público é um desafio compartilhado por diversos países. “Isso não é um problema exclusivo do Brasil. França, Alemanha, Canadá e outros mercados lidam com a mesma disputa por espaço”, explicou.
Outro reflexo da popularidade do filme apareceu fora das salas de exibição. Durante o Carnaval, em Olinda, referências ao longa tomaram as ruas. “O bloco Pitombeira dos Quatro Cantos esteve presente, e o Wagner Moura usou a camisa de 1977 da Pitombeira. A venda ajudou a viabilizar o Carnaval deste ano e já garantiu o próximo”, contou, ao citar a expansão do filme para além do circuito tradicional.
Nas redes sociais, o engajamento do público brasileiro também chamou atenção internacional. De acordo com o diretor, a equipe da Neon, responsável pela distribuição do longa nos Estados Unidos, demonstrou surpresa com a mobilização online. “Eles ficaram encantados com a energia do público brasileiro”, relatou.
Com orçamento estimado em R$ 28 milhões, O Agente Secreto reuniu recursos de coprodutores internacionais, investimento privado e verbas do Fundo Setorial do Audiovisual. Mendonça Filho rebateu críticas ao uso de incentivo público, classificando-as como ultrapassadas. “Um país inteligente investe em cultura do mesmo modo que investe em saúde e educação. Esse dinheiro retorna multiplicado”, afirmou.
O cineasta lembrou que o Brasil produz pouco mais de 100 filmes por ano e citou países como Coreia do Sul, França, Alemanha, Canadá e México como exemplos de nações que apostam de forma consistente em suas próprias indústrias culturais. Até agora, o longa soma 56 prêmios em 36 festivais, incluindo conquistas no Globo de Ouro.
Ao comentar um episódio no Critics Choice Awards 2026, quando o prêmio de Melhor Filme Internacional foi entregue fora do palco principal, Mendonça Filho avaliou o gesto como inadequado. “Num contexto político delicado nos EUA, isso pareceu superficial”, disse, acrescentando que espera maior respeito aos filmes internacionais nas próximas edições.
Dias depois, o diretor e Wagner Moura participaram da cerimônia entregando o prêmio de Melhor Filme, oportunidade que, segundo ele, serviu para uma mensagem elegante sobre a importância do cinema internacional. “Foi um recado sutil, e ainda tivemos a honra de entregar o prêmio da Sony à equipe vencedora”, concluiu.



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