Por Notícia ao Minuto - Portugal
Publicada em 11/02/2020 às 15h11
A primeira sondagem à opinião pública palestiniana desde que foi divulgado o plano da administração de Donald Trump, a 28 de janeiro, indica que a oposição ao plano não se reduz à liderança palestiniana, suscitando a preocupação de a sua aplicação poder desencadear nova vaga de violência, segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press.
O inquérito do Centro Palestiniano de Investigação Política constatou que a esmagadora maioria dos palestinianos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza (94%) se opõe ao plano.
"Acho que nunca vimos este nível de consenso entre os palestinianos", disse Khalil Shikaki, chefe do centro de sondagens.
Shikaki indicou ainda que o apoio à solução de dois Estados lado a lado caiu para o seu nível mais baixo (39%, face a uma oposição de 59%) desde que o centro começou a fazer sondagens há quase três décadas.
O apoio à solução de apenas um Estado -- há muito rejeitada pelos líderes israelitas e palestinianos -- subiu de 28% para 37% desde dezembro.
A sondagem indica ainda que 64% dos palestinianos estão a favor do recurso à luta armada como resposta ao plano de Trump.
Shikaki disse que aquela percentagem já não era tão alta desde a pior altura da Segunda Intifada (revolta palestiniana), que abalou a região de 2000 a 2005.
"Em todas as questões em que a violência é mencionada vemos um aumento, um aumento significativo", adiantou.
A sondagem, divulgada no mesmo dia em que o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, afirmou solenemente perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas rejeitar o plano de paz norte-americano, que não dá soberania ao seu povo, têm uma margem de erro de 3%.
Na sua deslocação às Nações Unidas, Abbas tenta reunir apoio internacional à sua posição.
O "plano Trump" apoia a posição de Israel em praticamente todas as questões mais controversas do conflito com várias décadas.
Considera Jerusalém como a "capital indivisível" de Israel -- os palestinianos reivindicam a parte leste da cidade para capital do futuro Estado a que aspiram -- e permite a anexação de vastas zonas da Cisjordânia com colonatos, que são considerados ilegais pela maioria da comunidade internacional.

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