Larissa Riquelme, de 41 anos, é uma das mais de 3 milhões de pessoas afetadas pela crise do Ueno Bank, um dos principais bancos digitais do Paraguai, que teve suas operações suspensas pelo Banco Central do país nesta segunda-feira (2).
A modelo e jornalista ficou conhecida em 2010, durante a Copa do Mundo da África do Sul, quando foi apontada como musa do torneio. Em entrevista ao Band Entretê, Larissa contou que teve dinheiro e uma aplicação de renda fixa bloqueados. Além disso, ela disse que era contratada da VMedia, empresa de comunicação que faz parte do grupo que controlava o Ueno Bank.
"Mais de 300 funcionários foram desligados. Temos participado de manifestações e estamos vivendo dias de muita preocupação e incerteza", disse Riquelme.
Segundo ela, o desligamento da VMedia ocorreu de forma inesperada, sem notificações formais. A notícia da demissão em massa chegou aos funcionários por meio do Ministério Público do país. "Inicialmente, nos falaram de um prazo de 90 dias, durante o qual deveríamos aguardar novas informações", afirmou.
De acordo com Larissa, a estrutura da empresa já foi desmontada e alguns colegas já entraram com ações judiciais, enquanto outros continuam aguardando respostas. "Agora, a orientação que temos é aguardar mais oito dias para saber exatamente o que acontecerá e receber uma comunicação oficial", disse.
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"Estamos falando de dinheiro que representa anos de trabalho e planejamento. No meu caso, também tenho um investimento e estou aguardando informações oficiais sobre os próximos passos", pontuou Larissa.
O que está acontecendo no Paraguai?
O Banco Central do Paraguai anunciou no dia 3 de novembro o início do processo de resolução do Ueno Bank. Segundo o órgão, a decisão foi tomada após a constatação de que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido pelas regras do sistema financeiro. A medida prevê a atuação de interventores para verificar a situação patrimonial do banco e preservar seus ativos.
A principal preocupação passou a ser a devolução dos recursos aos clientes. Os depósitos contam com uma garantia legal de até 228,3 milhões de guaranis por pessoa e por instituição.
Nesta quinta-feira (5), o Banco Central informou o início dos pagamentos para um primeiro grupo de clientes, formado por pessoas com até 10 milhões de guaranis depositados, sem dívidas com o banco e com contas habilitadas em outras instituições financeiras. Novas etapas devem ser anunciadas pelas autoridades.
A crise do Ueno Bank também extrapolou o setor financeiro e provocou uma turbulência política no Paraguai. O banco administrava centenas de milhões de dólares em recursos públicos, incluindo valores relacionados à previdência, e as relações anteriores do presidente Santiago Peña com o grupo controlador da instituição passaram a ser alvo de questionamentos. A pressão política aumentou nos últimos dias e culminou na renúncia de Peña nesta quinta-feira (5).


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