PORTO VELHO, RO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao primeiro turno das eleições de 2026 cercado por uma expectativa de vitória que não se confirmou nas urnas. A campanha transmitia uma impressão de tranquilidade, enquanto levantamentos eleitorais alimentavam a perspectiva de que o petista terminaria a primeira etapa à frente. O resultado de 4 de outubro, entretanto, contrariou essa expectativa. Flávio Bolsonaro (PL) conquistou 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos, contra 53.879.538 de Lula, ou 45,16%. A diferença de 2.224.965 votos colocou o presidente numa situação que sua campanha aparentemente não havia se preparado para enfrentar com a intensidade necessária.
A desvantagem numérica de Lula no primeiro turno não representou apenas uma surpresa eleitoral. Expôs problemas de organização, comunicação e capacidade de mobilização. A expectativa de que bastaria administrar uma vantagem para chegar à reeleição encontrou uma realidade diferente. A campanha petista enfrentou críticas internas pelo atraso na distribuição de materiais, por dificuldades de coordenação e pela demora em reagir ao crescimento do adversário. A ausência de Lula no debate da TV Globo também integrou a discussão sobre as escolhas estratégicas da candidatura. Nenhum desses fatores, isoladamente, explica o resultado, mas o conjunto ajuda a compreender por que o desempenho nas urnas provocou uma reorganização tão rápida.
O próprio presidente reconheceu deficiências na condução da disputa. Em reunião com aliados depois do primeiro turno, admitiu ter utilizado pouco o rádio e defendeu maior presença nas ruas, nas redes sociais e nos debates. A autocrítica encontrou correspondência nas mudanças observadas nas semanas seguintes. O Lula que parecia confiar na força de sua trajetória política passou a demonstrar maior disposição para disputar cada espaço de comunicação, procurar eleitores resistentes à sua candidatura e estimular uma militância que havia chegado ao primeiro turno sem a mesma intensidade de mobilização. A mudança de comportamento não comprova que existisse uma orientação de campanha baseada no clima de vitória antecipada, mas revela que a estratégia anterior já não respondia às exigências da disputa.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, transformou a identificação com o ex-presidente Jair Bolsonaro em uma votação nacional expressiva. Os 47,03% conquistados em 4 de outubro demonstraram a capacidade da candidatura de reunir eleitores de diferentes regiões, mas não garantiram a maioria necessária para vencer. O senador também passou a enfrentar o desafio de ampliar seu apoio para além do eleitorado tradicionalmente identificado com o pai. Sua vantagem inicial precisava ser preservada numa segunda votação em que ambos os candidatos buscariam conquistar eleitores de candidaturas eliminadas, reduzir rejeições e convencer os indecisos. Era — e ainda é — uma disputa nova, embora protagonizada pelos mesmos adversários.
O contraste entre os dois momentos da eleição ficou evidente nas pesquisas. Parte dos levantamentos divulgados antes do primeiro turno indicava Lula numericamente à frente, embora outros já mostrassem sinais de crescimento de Flávio. Depois da votação, pesquisas chegaram a registrar uma vantagem mais ampla para o candidato do PL. Um levantamento do PoderData, no início do segundo turno, apontou 53% dos votos válidos para Flávio e 47% para Lula. Nas semanas seguintes, entretanto, as diferenças voltaram a diminuir. A sequência demonstra que o resultado de 4 de outubro alterou o ambiente político, mas não encerrou a disputa pela Presidência.
Na reta final, o Datafolha divulgado em 22 de outubro registrou empate em 50% dos votos válidos para cada candidato, com margem de erro de dois pontos percentuais. Outros institutos, como Real Time Big Data, PoderData e Quaest, apresentaram vantagens numéricas para Flávio, dentro ou próximas das respectivas margens de erro. As diferenças entre os levantamentos impedem uma conclusão antecipada sobre a votação de amanhã, 25 de outubro. Também demonstram que nenhuma das campanhas pode substituir a mobilização efetiva por confiança excessiva nos números. O primeiro turno já havia mostrado os riscos dessa leitura.
Uma das mudanças mais expressivas da campanha petista ocorreu no ambiente digital. O deputado federal André Janones (Rede-MG) assumiu papel de destaque na organização do canal "Exército do Lula", no WhatsApp, que alcançou a marca de 10 milhões de seguidores na reta final. A estrutura passou a reunir orientações para engajamento em publicações, circulação de conteúdos, participação em atividades presenciais e outras iniciativas de mobilização. A atuação de Janones apresentou uma resposta ao desafio de alcançar eleitores fora das estruturas partidárias tradicionais. O crescimento do canal, contudo, não permite concluir que ele tenha sido responsável pela aproximação registrada nas pesquisas. Alcance digital, participação política e conversão de votos são resultados distintos.
A campanha de Flávio também precisou adaptar sua atuação às exigências do segundo turno. A vantagem obtida nas urnas passou a depender da capacidade de manter o eleitorado mobilizado e buscar apoios adicionais, enquanto a candidatura petista procurava recuperar terreno. As duas campanhas intensificaram a presença pública e a disputa pela atenção dos eleitores. Nesse ambiente, redes sociais, atos de rua, entrevistas e debates passaram a compor uma competição na qual não basta reunir apoiadores convencidos. A questão decisiva é alcançar quem ainda pode modificar o resultado.
Outro componente relevante será o comparecimento. No primeiro turno, aproximadamente 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto. A capacidade de mobilizar parte desses cidadãos constitui uma variável importante para os dois concorrentes. Também haverá a decisão dos eleitores que escolheram outras candidaturas em 4 de outubro e daqueles que ainda admitem mudar de posição. Em uma disputa apertada, organização territorial e mobilização podem produzir efeitos relevantes, embora não seja possível medir antecipadamente sua dimensão.
O resultado também definirá quem enfrentará a nova configuração do Congresso Nacional. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais e terá 28 das 81 cadeiras do Senado, tornando-se a maior bancada partidária nas duas Casas. Isso não significa, entretanto, que o partido disponha de maioria absoluta. Flávio, se eleito, encontrará uma composição parlamentar com afinidades importantes em relação ao seu campo político, mas continuará dependendo de negociações com outras legendas. Lula, se reeleito, terá de administrar uma correlação de forças que exigirá acordos ainda mais abrangentes com partidos situados fora de sua base ideológica. A dimensão da vitória presidencial não eliminará a necessidade de construir apoio legislativo.
Em Rondônia, a disputa nacional encontrou um ambiente eleitoral com características particulares. O estado foi o único do Brasil em que Flávio Bolsonaro venceu nos 52 municípios durante o primeiro turno. Foram 652.988 votos, correspondentes a 67,45% dos válidos, contra 250.667 de Lula, ou 25,89%. A diferença ultrapassou 400 mil votos. Em Porto Velho, Flávio alcançou 59,37%, enquanto Lula obteve 31,74%. O resultado não representa apenas uma vantagem eleitoral circunstancial. Revela a dimensão da presença política do bolsonarismo no estado e estabelece um ponto de partida importante para avaliar o comportamento das lideranças rondonienses diante do segundo turno.
O predomínio também apareceu nas eleições estaduais. Marcos Rogério (PL) foi eleito governador no primeiro turno, com 537.370 votos, equivalentes a 56,86% dos válidos. Fernando Máximo e Bruno Scheid conquistaram as duas vagas disponíveis ao Senado, enquanto o PL elegeu três dos oito deputados federais e sete dos 24 integrantes da Assembleia Legislativa, formando a maior bancada estadual. A partir de fevereiro de 2027, Máximo e Scheid se juntarão a Jaime Bagattoli, também do PL, fazendo com que as três cadeiras de Rondônia no Senado sejam ocupadas por integrantes do mesmo partido. É uma concentração de representação política que poderá assumir importância especial dependendo do resultado presidencial.
Apesar da vantagem bolsonarista, o campo petista reagiu em Rondônia depois do primeiro turno. A ex-senadora e deputada estadual eleita Fátima Cleide, a ex-candidata ao Senado Luciana Oliveira e a deputada estadual reeleita Cláudia de Jesus participaram das mobilizações pela reeleição de Lula. Em Porto Velho, uma caminhada organizada por coletivos juvenis, em 11 de outubro, reuniu milhares de participantes, segundo a cobertura jornalística, embora não tenha havido contagem oficial. O ato demonstrou que uma parcela da militância passou a atuar de maneira mais intensa depois da votação que colocou Flávio à frente nacionalmente e confirmou a força do PL no estado.
Luciana Oliveira permaneceu envolvida em atividades públicas mesmo depois da derrota na disputa ao Senado. Fátima Cleide participou da reorganização da mobilização petista, enquanto Cláudia de Jesus figurou entre as lideranças empenhadas no segundo turno. A presença das três também estabeleceu um contraste com a baixa visibilidade de Expedito Netto, candidato do PT ao governo estadual, nas atividades públicas em defesa de Lula depois de 4 de outubro. A diferença de exposição não permite afirmar que o ex-candidato tenha deixado de participar de toda e qualquer articulação política, mas ajuda a explicar por que seu protagonismo passou a ser questionado diante do envolvimento demonstrado por outras lideranças do partido.
Do outro lado, a campanha de Flávio contou com uma estrutura fortalecida pelas vitórias estaduais. Marcos Rogério, Fernando Máximo e Bruno Scheid participaram das iniciativas de apoio ao presidenciável. Máximo esteve em agendas em Brasília, enquanto Scheid ampliou sua proximidade com a coordenação nacional da candidatura. Lúcio Mosquini e outras lideranças do PL se envolveram em mobilizações pelo interior. Em Porto Velho, Sofia Andrade e Coronel Chrisóstomo estiveram entre os responsáveis pela convocação do "Bloco 22", também divulgado como "Bloquinho 22", na reta final. A movimentação reuniu políticos que haviam acabado de conquistar mandatos e passaram a trabalhar pela vitória presidencial do mesmo campo.
A mobilização também expôs diferenças sobre o grau de participação esperado de determinadas lideranças. Sofia Andrade cobrou publicamente uma presença mais ostensiva do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), na campanha de Flávio. O prefeito já havia sinalizado apoio ao candidato do PL, mas manteve uma relação administrativa com o governo Lula. A cobrança colocou em evidência uma questão que ultrapassa o calendário eleitoral: a diferença entre demonstrar fidelidade a uma candidatura e exercer responsabilidades institucionais que exigem diálogo com governos de diferentes partidos.
Léo Moraes oferece um exemplo concreto dessa distinção. Sua relação com a administração federal permitiu a participação da Prefeitura de Porto Velho em negociações importantes para a capital, apesar das diferenças políticas existentes entre o prefeito e o presidente. O caso mais expressivo é o primeiro Hospital Universitário de Rondônia. Em agosto de 2025, durante visita de Lula a Porto Velho, foi formalizada uma parceria envolvendo a Prefeitura, a Universidade Federal de Rondônia e o governo federal. A cooperação avançou e deixou de representar apenas um compromisso institucional.
Em 28 de setembro de 2026, o Hospital Universitário começou a receber pacientes pelo SUS, oferecendo consultas e exames especializados em cardiologia, ortopedia e oftalmologia. Em 22 de outubro, a HU Brasil informou que a unidade continuava passando por adequações estruturais e administrativas para a transferência definitiva da gestão. Estão previstos mais de R$ 82 milhões em investimentos e a ampliação da estrutura para 190 leitos de internação. Embora ainda não opere com toda a capacidade projetada, o hospital já presta atendimento à população. Trata-se de um resultado concreto da colaboração entre diferentes esferas de governo, sem que essa cooperação tenha exigido identidade partidária entre seus representantes.
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O Hospital Universitário não é o único exemplo da atuação federal em Rondônia durante o terceiro mandato de Lula. Em agosto de 2025, o governo assinou a ordem de serviço da Ponte Binacional sobre o rio Mamoré, destinada a ligar Guajará-Mirim, em Rondônia, a Guayaramerín, na Bolívia. O empreendimento avançou para etapas técnicas de sondagem, estudos e elaboração de projetos, mas a travessia ainda não foi concluída. Trata-se de uma reivindicação antiga da região, com potencial para ampliar a integração comercial e logística entre os dois países. Também foram anunciados investimentos em educação, saúde e infraestrutura pelo Novo PAC, incluindo a previsão de uma nova policlínica em Porto Velho. Essas iniciativas possuem estágios diferentes de execução e não devem ser confundidas com unidades de saúde que já funcionam na capital.
Na BR-364, principal corredor rodoviário de Rondônia, a concessão federal já passou da fase de contratação para a operação efetiva. A Nova 364 assumiu o trecho concedido em agosto de 2025, e a cobrança de pedágio eletrônico começou em janeiro de 2026. Algumas intervenções também foram concluídas, como a recuperação da ponte sobre o rio Candeias, entregue em maio deste ano. Na mesma ocasião, foi assinada a ordem de serviço da Rodovia Expresso Porto, com previsão de conclusão em dezembro de 2027. A concessão, portanto, já produz efeitos concretos, mas ainda reúne obras e obrigações futuras, além de controvérsias relacionadas aos pedágios, aos custos para os usuários e à fiscalização contratual.
Esses antecedentes permitem uma constatação importante: a rejeição eleitoral ao PT não impediu a formulação e a execução de iniciativas federais em Rondônia. Isso não significa que todos os investimentos anunciados tenham sido realizados, tampouco dispensa a cobrança por atrasos ou resultados insuficientes. Há diferenças entre anunciar recursos, assinar contratos, iniciar serviços e concluir empreendimentos. O Hospital Universitário já atende pacientes, mas ainda precisa passar por ampliações e pela transferência definitiva de gestão. A concessão da BR-364 está em operação e já possui intervenções entregues, embora outras permaneçam em andamento ou estejam previstas para os próximos anos. A Ponte Binacional avançou em suas etapas técnicas, mas ainda não está concluída. A avaliação de qualquer governo precisa considerar essas distinções, e não apenas o volume de anúncios.
Também há uma diferença fundamental entre as trajetórias dos dois presidenciáveis em relação ao estado. Lula responde, como presidente, por políticas federais que alcançaram Rondônia durante seu mandato. Flávio chega à disputa como senador e candidato à Presidência, com forte identificação eleitoral no estado e vínculos com lideranças que conquistaram espaço no Executivo e no Legislativo rondonienses. Seu eventual desempenho administrativo à frente do governo federal ainda não pode ser avaliado. O apoio recebido nas urnas demonstra força política, mas não equivale a um histórico de entregas como chefe do Executivo nacional. A comparação, portanto, exige reconhecer que os dois ocupam posições institucionais diferentes.
E se Flávio Bolsonaro vencer amanhã? Rondônia ingressará em 2027 numa configuração de alinhamento partidário particularmente expressiva. O presidente da República, o governador estadual, os três senadores rondonienses e a maior bancada da Assembleia Legislativa estarão vinculados ao PL. A proximidade entre essas lideranças poderá favorecer articulações sobre rodovias, saúde, segurança pública, logística agropecuária, regularização fundiária e integração fronteiriça. Também poderá facilitar a apresentação de demandas estaduais ao governo federal. Nenhuma dessas possibilidades, entretanto, corresponde a uma garantia de recursos ou de execução.
A força do PL no Congresso, embora relevante, também possui limites. Seus 121 deputados federais e 28 senadores não representam maioria absoluta em nenhuma das Casas. Um eventual presidente Flávio dependerá de acordos parlamentares, disponibilidade orçamentária e decisões administrativas que não estarão exclusivamente sob o controle de seu partido. Para Rondônia, o alinhamento poderá ampliar as possibilidades de interlocução, mas a obtenção de resultados continuará sujeita a critérios técnicos, contratos, licenciamento, fiscalização e negociações com diferentes setores do governo e do Parlamento.
Nesse cenário, a responsabilidade das lideranças rondonienses também se tornará mais evidente. Um estado representado por governador, três senadores e uma bancada expressiva politicamente próximos do presidente terá condições de apresentar suas prioridades por meio de diversos interlocutores. A conclusão da Ponte Binacional, a execução das melhorias ainda previstas na BR-364, a expansão do Hospital Universitário e as demais demandas de infraestrutura estarão entre os assuntos que exigirão acompanhamento. Ao mesmo tempo, os serviços e equipamentos já entregues precisarão de manutenção e funcionamento adequado. A proximidade partidária poderá facilitar reuniões e negociações, mas não deverá ser confundida com a efetiva resolução dos problemas. Quanto maior a capacidade de articulação, mais importante será demonstrar o que ela produziu.

Bruno Scheid e Flávio Bolsonaro / Reprodução-Instagram
Se Lula vencer, Rondônia enfrentará uma configuração diferente. O estado terá um governador do PL, três senadores da mesma legenda e uma representação parlamentar amplamente situada fora do campo petista. A continuidade do presidente poderá favorecer a manutenção da orientação administrativa dos projetos iniciados em seu terceiro mandato, especialmente nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. Por outro lado, a relação com as principais lideranças estaduais poderá exigir negociações políticas mais difíceis. O histórico recente demonstra, entretanto, que divergência eleitoral e cooperação administrativa podem coexistir.
Nesse segundo cenário, prefeitos e parlamentares continuarão tendo responsabilidades diante das necessidades de seus municípios, independentemente de suas posições na disputa presidencial. A experiência de Porto Velho mostra que interlocução institucional não exige adesão irrestrita ao governo federal. Também não significa renunciar a críticas ou divergências. A relação entre a Prefeitura e a União em torno do Hospital Universitário é um exemplo de como decisões administrativas podem avançar mesmo num ambiente de forte polarização eleitoral. O desafio será preservar essa capacidade de diálogo sem transformar a cooperação em instrumento de promoção partidária.
Flávio, caso eleito, também herdará contratos, obras, convênios e compromissos administrativos iniciados em gestões anteriores. Entre eles estarão empreendimentos ainda em desenvolvimento, mas também estruturas e serviços que já começaram a funcionar e exigirão continuidade. A decisão de preservá-los, revisá-los ou estabelecer novas prioridades terá consequências para Rondônia, mas não pode ser antecipada apenas pela identidade política do candidato. Da mesma forma, uma eventual reeleição de Lula não assegurará automaticamente a conclusão dos projetos atualmente anunciados ou em execução. Continuidade de governo pode preservar estruturas administrativas, mas não substitui recursos disponíveis, planejamento e fiscalização.
A eleição de amanhã colocará Rondônia diante de dois caminhos políticos distintos. Com Flávio na Presidência, o estado poderá contar com uma concentração incomum de representantes próximos ao governo federal, situação que ampliará as possibilidades de articulação e a cobrança por resultados. Com Lula, permanecerá a necessidade de negociar com um presidente que perdeu em todos os municípios rondonienses no primeiro turno, mas cuja administração já participou de projetos importantes para o estado. Em ambos os casos, os interesses da população continuarão dependendo de decisões institucionais que não se resolvem apenas pela afinidade entre candidatos e eleitores.
A distinção é decisiva porque cada resultado produzirá responsabilidades diferentes. Se Flávio vencer, a proximidade partidária entre Brasília e as principais lideranças de Rondônia tornará mais difícil explicar eventuais dificuldades apenas pela falta de acesso político ao governo federal. Se Lula vencer, a divergência eleitoral não poderá servir, por si só, como justificativa para abandonar negociações, convênios ou projetos de interesse público. Nos dois cenários, os representantes rondonienses terão de demonstrar capacidade de atuação para além da campanha.
A votação de 25 de outubro decidirá quem ocupará o Palácio do Planalto, mas não resolverá automaticamente os problemas de Rondônia. O estado já demonstrou sua preferência eleitoral no primeiro turno e elegeu representantes com forte identificação partidária. Também possui serviços públicos em funcionamento, intervenções já entregues e projetos federais em diferentes estágios de execução. A partir de segunda-feira, a tarefa das lideranças será diferente daquela desempenhada nos palanques. Com Flávio, será necessário transformar alinhamento em resultados. Com Lula, será necessário conciliar oposição política e responsabilidade institucional. Em qualquer hipótese, nenhuma fotografia ao lado do presidente substituirá a manutenção de uma obra entregue, a conclusão de um empreendimento pendente ou a qualidade de um serviço que a população já utiliza.


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