PORTO VELHO, RO - Ricardo Frota, advogado, jornalista e analista político, concedeu entrevista ao programa RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, e fez acusações graves contra uma magistrada que participou dos debates eleitorais de 2024 em Porto Velho. Segundo Frota, a juíza Euma Tourinho utilizou um dos debates televisionados para apresentar, de forma "leviana" e "manipulada", palavras dele, um boletim de ocorrência originado de uma disputa de condomínio como se envolvesse violação de criança, causando dano irreparável à sua imagem e influenciando diretamente o resultado das urnas.
O pré-candidato ao governo do estado de Rondônia pelo PDT descreveu com detalhes o episódio. Durante uma eleição de condomínio, Frota afixou suas propostas no elevador do prédio onde mora. Um casal adversário teria arrancado o material. O porteiro da guarita, ao perceber que o elevador tinha câmera de segurança, gravou a cena e enviou ao então candidato. Frota disponibilizou as imagens no grupo de moradores do condomínio. No elevador, junto ao casal, estava uma criança de aproximadamente 11 ou 12 anos. A mulher se sentiu ofendida por ter a imagem da filha exposta no grupo e registrou boletim de ocorrência. Frota afirma que desconhecia a existência desse registro até o momento em que a juíza o confrontou publicamente durante o debate.
"Uma juíza [Euma Tourinho] chegou e falou: 'Olha, candidato, eu quero que você explique aquela ocorrência envolvendo criança', apontando o dedo, no tom de voz que ela utilizou. No mínimo, as pessoas iam pensar se tratar de um pedófilo, que foi o que a grande maioria acreditou, até eu poder disponibilizar a ocorrência. Mandei nas minhas redes sociais, e todo mundo que teve acesso à ocorrência ficou abismado com a abordagem dela", declarou Frota durante a entrevista.
O pré-candidato afirmou que o dano causado pela magistrada persiste até hoje, quase dois anos depois. Segundo ele, eleitores em potencial que chegaram a manifestar apoio à sua candidatura relataram que suas famílias decidiram não votar nele por causa do episódio.
"Volta e meia tem gente que me aborda e diz: 'Minha família ia votar em ti, mas só não votou por causa daquela situação que envolvia criança, que aquela juíza falou.' Então isso ficou muito forte na mentalidade de algumas pessoas", disse. Frota acrescentou que o peso da acusação foi amplificado justamente pela origem da informação. "Eu me reuni com alguns políticos e alguns deles tocaram nesse assunto. Quando eu expliquei, eles falaram: 'Caramba, foi isso? Eu sou político, cara, mas eu acreditei no que ela falou, porque é uma juíza.' Imagina então a população, as pessoas comuns que não têm nada a ver com esse contexto jurídico."
Ainda sobre o episódio, Frota foi categórico ao classificar a conduta da magistrada como irresponsável e incompatível com a função que exerce. "Uma juíza jamais poderia atuar de forma leviana, principalmente manipulando num debate, sabendo que ia ter um alcance gigantesco, de forma negativa. Vindo principalmente de uma pessoa que conhece, ou que deveria conhecer, como funciona o direito", afirmou. O pré-candidato disse que ainda está dentro do prazo para adotar medidas jurídicas e que pretende fazê-las, embora prefira evitar litígios. "Eu sou um cara muito tranquilo, eu não gosto de briga judicial, eu não gosto de prejudicar. Mas é uma coisa que até hoje repercute de forma negativa na minha imagem, e a gente vai ainda adotar algumas medidas contra isso."
Além do episódio com a magistrada, Frota também denunciou ter sido impedido de participar do principal debate eleitoral promovido pela Rede Amazônica, afiliada da Rede Globo em Rondônia, durante a campanha de 2024. Segundo ele, a emissora tinha a faculdade de convidá-lo, especialmente após a desistência de uma candidata [Mariana Carvalho, que não quis participar, embora Frota não a tenha citado nominalmente], mas optou por não fazê-lo. O pré-candidato obteve uma liminar judicial para assegurar o direito de participar, mas a decisão foi derrubada na reta final. "A emissora não está me atingindo quando faz isso. Ela está atingindo a população que gostaria de conhecer as propostas de um determinado candidato. Não só tolhiram o meu desejo de me apresentar, mas o desejo da população de conhecer e saber das propostas de mais um candidato", declarou.
A candidatura a prefeito de Porto Velho pelo Partido Novo em 2024 foi, segundo Frota, a mais pobre da história do município em termos de recursos. Ele recebeu 27 mil reais de fundo eleitoral para dividir com toda a sua nominata de vereadores, não teve tempo de televisão nem de rádio, perdeu 15 dias de campanha após a renúncia do vice já com o material gráfico produzido, e participou de apenas um debate. Ainda assim, obteve 4.389 votos. Para efeito de comparação, o candidato que ficou em último lugar entre os concorrentes à prefeitura recebeu 300 mil reais de fundo eleitoral e teve uma nominata que quase elegeu um vereador, com um candidato que obteve mais de 2 mil votos individualmente, — número superior ao total somado de todos os candidatos a vereador da chapa de Frota. No caso, referiu-se a Giovanni Marini, titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), na gestão Léo Moraes (Podemos)
"Mesmo assim, eu tive 1.030 votos a mais do que o Samuel [Costa, hoje no PSB, à época na Rede] sem aparecer. Isso me deu gás, me deu combustível para não parar, para entender que na política a gente precisa de pessoas boas, porque se não tiver espaço para pessoas boas, naturalmente os ruins vão assumir e vão continuar fazendo o que estão fazendo", afirmou.
Frota foi enfático ao criticar a forma como o Partido Novo conduziu sua pré-candidatura ao governo do Estado. "O partido está sendo utilizado como barriga de aluguel", disse, referindo-se a acordos que classificou como "nefastos" e "sorrateiros", tomados em "sala secreta", que teriam bloqueado sua candidatura apesar de ele ter ajudado a construir a legenda em Rondônia. A mudança para o PDT, partido de centro-esquerda fundado por Leonel Brizola, foi apresentada pelo entrevistador como inevitável alvo de questionamentos, dado o perfil conservador que Frota sustenta publicamente. Ele explicou que, com as portas fechadas em todos os partidos de direita que procurou — um deles alegando que sua votação poderia prejudicar outro candidato no mesmo reduto eleitoral —, restaram duas opções: desistir ou aceitar o convite do PDT.
"Eu troquei de roupa, eu mudei de rótulo, mas não mudei de conteúdo. As minhas convicções, aquilo que eu acredito e aquilo que eu defendo, continuam intactas", disse Frota, que frisou ainda que o líder do PDT em Rondônia, Acir Gurgacz, ex-senador, é empresário, tem fazenda e defende o agronegócio, o que tornaria indevida qualquer tentativa de associação automática ao PT ou à esquerda tradicional.
No campo propositivo, Frota apresentou as linhas gerais de seu programa para o governo do Estado. A base é o que ele chama de organização da casa: enxugar a máquina pública, reduzir cargos comissionados e substituir contratos emergenciais por concursos públicos. O pré-candidato citou a curva de Laffer, do economista estadunidense Arthur Laffer, para defender a redução de impostos como mecanismo de aumento da arrecadação por estímulo ao consumo. Apontou ainda que o estado tem batido recordes de arrecadação de ICMS e IPVA, e que a arrecadação federal recorde impacta diretamente nos repasses do Fundo de Participação dos Estados. "Não existe possibilidade de você melhorar a saúde pública, a segurança pública, a infraestrutura, se você não organizar a casa para você ter recurso. O que faz você ter uma boa administração é saber fazer uma gestão eficiente, gestão de pessoas, e saber organizar as contas para poder sobrar dinheiro para implementar", explicou.
Frota também abordou o problema crônico da saúde pública estadual, destacando a concentração de serviços em Porto Velho e a evasão de profissionais. Segundo ele, quase 60% dos médicos formados em Rondônia deixam o estado por conta de salários baixos e condições precárias de trabalho. Citou ainda o ranking do Instituto Trata Brasil, que avaliou as 100 maiores cidades do país em saneamento básico e colocou Porto Velho na última posição. Na educação, apontou que o índice de desenvolvimento da educação básica do estado está abaixo da média nacional, o que compromete inclusive a captação de transferências voluntárias do governo federal.
Na condição de representante jurídico da Federação Nacional dos Comunicadores, a Fenacom, Frota falou sobre os ataques recentes à imprensa em Rondônia, incluindo tiros contra a sede de um veículo de comunicação, assunto abordado pelo entrevistador. Ele descreveu a atuação da entidade como muito além de notas de repúdio, envolvendo mobilização direta junto à Polícia Civil, ao secretário de Segurança Pública e ao diretor-geral da Polícia. "Qualquer profissional que tenha desvio de conduta não terá proteção e nem pode. A gente não está para proteger pessoas que andam fazendo coisa errada. A gente quer proteger o bom profissional que, no exercício da sua profissão, está sendo vilipendiado", declarou.
O jornalista também perguntou sobre os embates públicos entre Frota e o jornalista e também pré-candidato ao Governo de Rondônia Samuel Costa, com quem divide espaço em debates televisivos na REMA. Frota confirmou que as discussões são genuínas — houve situações em que Samuel se levantou e foi embora com raiva durante o programa — mas ressaltou que a divergência de ideias é saudável em democracia. Reconheceu ainda, quando provocado pelo apresentador Vinícius Canova, que Samuel foi uma das poucas vozes a se manifestar publicamente contra sua exclusão do debate da Rede Amazônica. "A gente tem os nossos embates ali. Saiu dali, a gente janta, a gente vai lanchar, a gente troca ideias, a gente aprende um com o outro, porque estamos em processo de evolução constante", disse Frota.
Para encerrar, o pré-candidato falou sobre sua trajetória pessoal como argumento de representatividade. Filho de um pedreiro que passou em concurso da Justiça Federal e se tornou pastor, e neto de uma faxineira que se aposentou como chefe de Correio, Frota afirmou ter vendido picolé, din-din, cachorro-quente, sanduíche e trabalhado como servente de pedreiro antes de se tornar advogado e jornalista. Disputou eleição pela primeira vez em 2012, para vereador, e ficou completamente afastado da política até 2024. "Da mesma forma que Deus me abençoou, quero que essas pessoas possam ser abençoadas através de uma pessoa, e que eu seja esse instrumento utilizado por Deus para poder ser uma mudança da realidade de vida das pessoas", concluiu.



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