PORTO VELHO, RO - A disputa pelas duas vagas ao Senado Federal em Rondônia parece distante de qualquer definição objetiva e, ao menos pelos dados da mais recente pesquisa do Instituto Veritá, apresenta um cenário fragmentado, instável e ainda marcado por forte indefinição do eleitorado. Em vez de apontar um favorito absoluto, o levantamento sugere um jogo político truncado, no qual cada métrica beneficia um nome distinto, ampliando a percepção de uma corrida ainda aberta e sujeita a mudanças relevantes até 2026.
O retrato produzido pelo levantamento chama atenção justamente pela ausência de convergência entre os cenários analisados. Na pesquisa espontânea — aquela em que o eleitor responde livremente em quem votaria, sem acesso prévio a uma lista de nomes — a deputada federal Sílvia Cristina aparece na liderança, com 29,6% das respostas válidas. Na sequência surgem o também deputado federal Fernando Máximo, com 25%, e Bruno Bolsonaro Scheid, com 14,7%. O dado, num primeiro olhar, sugere força de lembrança eleitoral da parlamentar, indicando presença orgânica no imaginário político do eleitorado.
Ainda há um elevado grau de indefinição do eleitorado para o Senado. Apenas 109 dos 1.220 entrevistados — o equivalente a 9% da amostra — disseram já ter um nome definido nesse formato de pergunta livre, o que sugere que a disputa permanece bastante aberta e ainda sujeita a mudanças ao longo do processo político.
Esse ponto ajuda a explicar parte da complexidade do levantamento. Embora o percentual de 29,6% atribuído à deputada pareça elevado, ele se refere apenas às respostas válidas de um subconjunto reduzido do eleitorado. Ao mesmo tempo, 91% dos entrevistados ainda não apresentavam uma escolha espontânea consolidada para o Senado naquele momento, indicando que a corrida permanece em fase inicial de maturação política.
A fotografia muda significativamente quando os nomes dos possíveis candidatos são apresentados aos entrevistados. No cenário estimulado do primeiro voto ao Senado, Bruno Bolsonaro Scheid — braço político do ex-presidente Jair Bolsonaro e conhecido justamente pela associação nominal com o ex-chefe do Executivo — aparece na dianteira com 32,1% das respostas válidas, seguido de perto por Fernando Máximo, com 28%. O desempenho dos demais pré-candidatos se distribui de forma fragmentada, sem a formação de um bloco hegemônico capaz de estabilizar o cenário.
A diferença entre espontânea e estimulada revela um movimento politicamente relevante. Enquanto a espontânea mede lembrança imediata do eleitor, a estimulada costuma capturar reconhecimento de nome, identificação política e reação diante de opções concretas de voto. Nesse contexto, Bruno Bolsonaro cresce de forma relevante quando o sobrenome Bolsonaro entra diretamente no radar do entrevistado, enquanto Fernando Máximo mantém desempenho consistente nos diferentes cenários observados.
O cenário se torna ainda mais complexo quando se observa a segunda opção de voto ao Senado — aspecto central numa eleição em que cada eleitor escolhe dois candidatos. Nesse recorte, Fernando Máximo assume posição dominante com 33,8% das respostas válidas, enquanto Mariana Carvalho cresce e Bruno Bolsonaro permanece competitivo.
Ao consolidar os dois votos estimulados, a disputa ganha contornos ainda mais nebulosos. Fernando Máximo alcança 47,8% das manifestações totais, tornando-se o nome mais competitivo no agregado, enquanto Bruno Bolsonaro aparece com 39,9%. A consolidação sugere uma lógica distinta daquela observada no primeiro voto isolado: alguns nomes se fortalecem pela capacidade de funcionar como “segunda escolha” do eleitor, algo decisivo numa eleição senatorial.
Há ainda outro elemento que ajuda a explicar a sensação de truncamento do cenário: os próprios nomes analisados variam entre os questionários. Na espontânea aparecem figuras como Confúcio Moura, Marcos Rogério, Jaime Bagattoli, Hildon Chaves e Luciana Oliveira, ausentes da estimulada. Já no levantamento estimulado figuram Neidinha Suruí, Amir Lando, João Cipriano e Luís Fernando, praticamente inexistentes nas respostas espontâneas. Essa mudança de composição naturalmente interfere na redistribuição das preferências eleitorais e dificulta comparações lineares entre os cenários.
O resultado prático é um quadro sem hegemonia clara. A espontânea favorece Sílvia Cristina, deputada federal; a estimulada do primeiro voto projeta Bruno Bolsonaro Scheid à frente; e a consolidação dos dois votos fortalece Fernando Máximo, também deputado federal. Cada indicador empurra a interpretação para uma direção distinta, deixando a corrida mais aberta e politicamente confusa do que aparentam leituras superficiais.
Os dados técnicos da pesquisa reforçam a necessidade de prudência interpretativa. O levantamento do Instituto Veritá foi realizado entre os dias 4 e 8 de maio de 2026 em Rondônia, com 1.220 entrevistas distribuídas pelo estado. A pesquisa possui margem de erro de três pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) sob o número RO-02673/2026.



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