O documentário Seringal: Outras Margens, dirigido por Rafaela Oliveira, propõe um olhar sensível sobre a história da Amazônia a partir de uma perspectiva pouco retratada: a das mulheres que viveram e trabalharam nos seringais.
A obra reúne memórias, arquivos históricos e reconstruções ficcionais para apresentar diferentes experiências de vida na região. Com depoimentos de mulheres como Aga Maria dos Santos, Francisca Freire Leão e Margarida Ayamara, o filme aborda aspectos da infância, do trabalho e da vida cotidiana nos seringais amazônicos.
Ao mesmo tempo, o documentário resgata a trajetória de mulheres indígenas submetidas a regimes de trabalho forçado e a diversas formas de violência durante o auge do ciclo da borracha, evidenciando como essas histórias foram historicamente silenciadas. A partir da extração do látex, símbolo central dos ciclos econômicos da região, o filme constrói uma narrativa que articula exploração, resistência e diferentes formas de existência nos seringais, revelando tanto estratégias de sobrevivência quanto relações de afeto e pertencimento.
Além de sua proposta estética e narrativa, o documentário também cumpre um importante papel social. Seringal: Outras Margens será exibido em comunidades ribeirinhas e escolas de Porto Velho, promovendo o acesso ao audiovisual e incentivando o diálogo sobre identidade, história e pertencimento. A iniciativa busca aproximar o público dessas narrativas, especialmente em territórios diretamente ligados à história retratada pelo filme.
A equipe reúne profissionais do audiovisual rondoniense, com destaque para a direção de fotografia, câmera, iluminação e som assinados por Leandro Marques, e a trilha sonora e mixagem de Anderson Benvindo. A pós-produção ficou a cargo de Rafael Rogante, responsável pela montagem e colorização, contribuindo para a construção estética da obra.
Na produção, nomes como Emily Lamarão, Tai Santana, Artur Nestor e João Leão atuam em diferentes frentes, reforçando o caráter colaborativo do projeto. A direção de arte e construção de cenário são assinadas por Osmar Scarpatti, que também integra a equipe de produção, enquanto Fabiano Barros atua no design de produção, assistência de direção e assessoria de imprensa.
O filme também se preocupa com a inclusão, contando com recursos de acessibilidade e uma equipe dedicada a garantir que a obra alcance públicos diversos.
O projeto foi selecionado pelo Edital nº 01/2024/SEJUCEL, por meio da Lei Paulo Gustavo, na categoria Bolsas para Artes em Vídeo. A iniciativa reforça a importância das políticas públicas de incentivo à cultura, que viabilizam a produção independente e permitem que histórias regionais ganhem visibilidade e alcancem novos públicos, fortalecendo a diversidade e a memória cultural brasileira.



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