PORTO VELHO, RO - A movimentação política registrada em Cacoal, nos últimos dias, revela mais do que uma agenda institucional: marca, na prática, o primeiro gesto concreto de pré-campanha de Hildon Chaves ao Governo de Rondônia, com um elemento adicional que altera o tabuleiro — a escolha do território. Ao levar sua presença política para a cidade governada por Adaílton Fúria, do PSD, o ex-prefeito de Porto Velho não apenas se apresenta como postulante, mas sinaliza, de forma objetiva, a intenção de disputar influência diretamente no núcleo de um dos principais adversários.

Hildon virou o jogo do avesso com filiação ao União Brasil / Reprodução
Até então tratado como uma possibilidade remota no cenário eleitoral, frequentemente descrito como “carta fora do baralho” em razão do isolamento político e da permanência no PSDB, Hildon promoveu, em poucos dias, uma reconfiguração relevante de seu posicionamento. A filiação ao União Brasil, acompanhada de alinhamento com o vice-governador Sérgio Gonçalves, retirou o ex-prefeito de uma condição periférica e o inseriu no centro de uma construção majoritária que passa a ganhar contornos de viabilidade.
A consolidação dessa nova fase se materializa na definição de Cirone Deiró como pré-candidato a vice-governador. Deputado estadual com forte presença no interior, especialmente na região de Cacoal, Cirone carrega um histórico eleitoral ascendente, saindo de 9.962 votos em 2018 para 22.207 em 2022, quando figurou entre os mais votados para a Assembleia Legislativa. A incorporação desse capital político à chapa não apenas amplia a capilaridade do projeto, como cria uma ponte direta com bases que, até então, orbitavam o grupo liderado por Fúria.
O movimento ganha densidade adicional com a presença e a postura do vice-prefeito de Cacoal, Tony Pablo. Ao recepcionar Hildon Chaves e Cirone Deiró em sua cidade, Tony não apenas abriu espaço institucional, como também contribuiu para a construção simbólica do ato político. Em publicação nas redes sociais, registrou que “A festa da democracia começou… e hoje, o futuro político do nosso estado passa por Cacoal”, frase que contextualiza o momento como algo além de uma agenda pontual.
Durante a visita, as manifestações públicas reforçaram o ambiente de alinhamento. Hildon afirmou: “Estamos aqui em Cacoal e ao meu lado o atual vice-prefeito, Tony Pablo, de uma cidade maravilhosa, Cacoal.
Tony, eu tenho certeza que você será um grande prefeito e muito obrigado por nos receber aqui na sua cidade, na sua casa.” Na sequência, Cirone Deiró declarou: “Estamos aqui trazendo o nosso pré-candidato a governador, ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, para visitar aqui o nosso vice-prefeito e o nosso futuro prefeito da cidade de Cacoal, nos colocando à disposição e falando desse importante projeto para o estado de Rondônia.”
Já Tony Pablo, ao comentar o encontro, afirmou: “Eu fico feliz, é gratificante receber aqui uma liderança consolidada da política do estado de Rondônia, ex-prefeito da capital Porto Velho, foi reeleito ao lado do deputado Cirone Deiró, um grande amigo que tem trabalhado muito não só por Cacoal, mas por todo o estado de Rondônia. É a festa da democracia e eu desejo a todos os pré-candidatos sucesso e sempre trazendo Cacoal no coração e nas ações e nos projetos políticos. A gente precisa fazer com que Cacoal avance e eu espero contar com o apoio de todos vocês.”

Hildon Chaves e Cirone Deiró "invadira a praia" de Adaílton Fúria / Reprodução
A própria posição pública de Tony Pablo em relação ao cenário de 2026 reforça essa leitura. Ao afirmar que não é “cria” política de ninguém e que possui liberdade para fazer suas escolhas no momento oportuno, o vice-prefeito delimita um campo de autonomia que, na prática, abre espaço para a aproximação com o projeto encabeçado por Hildon Chaves, mesmo integrando atualmente a gestão municipal de Adaílton Fúria.
Nesse contexto, o ato realizado em Cacoal deixa de ser apenas uma agenda institucional e passa a representar um gesto político calculado. A presença simultânea de Hildon, Cirone e Tony no município evidencia uma tentativa de reorganização de forças no interior, justamente em uma região considerada estratégica e tradicionalmente associada à liderança de Fúria.
A leitura mais ampla desse movimento indica que a entrada de Hildon Chaves na disputa não apenas amplia o número de pré-candidatos, mas altera a dinâmica de ocupação de espaços políticos. Ao estruturar alianças, definir um vice com base consolidada e iniciar sua agenda pública no reduto de um adversário direto, o ex-prefeito rompe com a narrativa de isolamento e passa a operar de forma ofensiva.
Ao final, o que se observa é uma transição clara de posição: Hildon deixa a condição de letargia política, em que era visto como figura deslocada do processo, e passa a atuar com estratégia de expansão territorial. Ao escolher Cacoal como palco inicial, avança diretamente sobre uma área até então identificada com Adaílton Fúria, transformando o que era considerado domínio consolidado em terreno de disputa. Na prática, o ex-prefeito invade a base política do futuro adversário e inaugura uma pré-campanha marcada não pela cautela, mas pela ocupação direta de espaços estratégicos no interior de Rondônia.



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