O encontro do PL em Ji-Paraná, no dia 14, que marcou o lançamento da pré-candidatura a governador do senador Marcos Rogério, presidente da sigla em Rondônia, mobilizou a política regional. As filiações de vários deputados ao partido também foram momento marcante, pois o PL tem hoje o maior número de deputados na Assembleia Legislativa (Ale).
A semana que está terminando foi da maior importância para a política regional. A concentração do PL em Ji-Paraná contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que formata uma pré-candidatura ao cargo que já foi ocupado pelo pai, além da filiação de cinco deputados, colocando o partido com a maior bancada no Parlamento Estadual. O partido tinha dois deputados (Jean Mendonça, de Pimenta Bueno, e Eyder Brasil, de Porto Velho, que está deixando o PL), totalizando seis dos 24 parlamentares.
Não há dúvida de que é um desafio aos deputados que estarão buscando a reeleição e contam com a candidatura majoritária para dar o suporte necessário em uma campanha política. Dentre os novos filiados, o PL tem Luizinho Goebel, de Vilhena, que está no quinto mandato seguido. Na reeleição mais recente (2022), ele foi o 12º mais bem votado, com pouco mais de 14 mil votos. Taíssa Sousa e Nim Barroso, que também se filiaram ao PL, ocuparam as últimas colocações (23º e 24º), respectivamente, com 7.649 votos e 7.609 votos.
Também se filiaram ao PL o delegado Lucas Torres (Cujubim), com 14.298 votos (11º), e Alan Queiroz (PVH), com 10.553 votos, nas eleições de 2022. Eleito pelo PL, somente Jean Mendonça permanece no partido.
Após a concentração-monstra de Ji-Paraná, com a participação do senador Flávio Bolsonaro, comentou-se, após a solenidade, sobre a possibilidade de uma composição entre Marcos Rogério e o ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, para uma dobradinha nas eleições gerais de outubro, com este como vice. Essa hipótese ganhou espaço na mídia estadual.
Durante a semana, surgiu a notícia que pegou, inclusive, a crítica especializada de surpresa. Hildon foi a Brasília e assinou filiação ao União Brasil (UB), da Federação Brasil Progressista, na presença do deputado federal Maurício Carvalho, principal liderança do UB em Rondônia.
Para quem não se lembra, Maurício foi vice de Hildon na reeleição a prefeito de Porto Velho em 2020 e renunciou após se eleger deputado federal em 2022.
Na Capital Federal, Hildon se filiou ao UB na presença do presidente nacional do partido, Antônio Rueda, e de ACM Neto, presidente e vice, respectivamente, além de Maurício Carvalho. Na mesma ocasião da filiação, foi anunciada a pré-candidatura de Hildon a governador, já com o vice: o deputado estadual e ex-secretário-geral da Ale-RO, Cirone Deiró, quarto mais bem votado (22.207 votos) em 2022. Quem conhece política sabe que uma candidatura majoritária a governador deve ter a chapa composta por lideranças da capital e do interior, para se evitarem retaliações. Divisão nunca é bem-vinda na política.
Para evitar que a filiação de Hildon ao UB e o lançamento da pré-candidatura a governador, já com o vice, ficassem no oba-oba e provocassem especulações, a dupla Hildon-Deiró iniciou, neste final de semana, a pré-campanha em Cacoal, com participação em solenidade no Batalhão da PM, visitas aos órgãos de comunicação (jornal, rádio, TV, sites), ao comércio e a lideranças empresariais e agrícolas do município. Ou seja, a parceria é para valer e o sucesso em eleições só é possível colocando o pé na estrada, com organização e soma de lideranças.
Com a pré-candidatura a governador aberta, Hildon mantém seu propósito de quando deixou a Prefeitura de Porto Velho, após dois mandatos seguidos e com aprovação, segundo veículos de pesquisa, acima de 70%. Chegou-se a comentar que teria aberto mão do Governo do Estado para concorrer a uma das duas vagas ao Senado. Em Ji-Paraná, no encontro do PL, seria o vice do senador Marcos Rogério. No final, formatou a pré-candidatura a governador, já com chapa definida, com Deiró de vice.
O projeto de Hildon e Cirone provavelmente estaria “costurado” há tempo. O anúncio da pré-candidatura da empresária e esposa de Cirone, Noeli, a deputada estadual, na mesma ocasião em que o marido foi anunciado como vice, demonstra que tudo foi muito bem planejado, item fundamental em um processo político-eleitoral: planejamento.
Há dúvidas sobre o sucesso nas pré-candidaturas de Hildon e Cirone? Ou de que Noeli terá dificuldades em se eleger deputada estadual? Com certeza que não.
Ainda temos pouco mais de uma semana para findar a Janela Eleitoral, período em que os deputados (federais e estaduais) e também vereadores podem mudar de sigla partidária sem perder o mandato. Para os desavisados, o mandato pertence ao partido; por isso, para se lançar candidato, o interessado tem que estar filiado a um partido político seis meses antes das eleições. O prazo para troca de partido terminará no dia 3 e, até lá, certamente teremos mais mudanças no quadro político atual.
O PL, com as novas filiações, está com seis deputados, todos trabalhando pela reeleição. A meta é eleger cinco, como o UB em 2022. Dos 24 deputados da bancada atual, somente Rodrigo Camargo (Republicanos), que concorrerá à sucessão estadual; Ezequiel Neiva (UB), que depende de elegibilidade e projeta concorrer a deputado federal; e Cirone Deiró, a vice-governador. Os demais buscarão a reeleição.
As pré-candidaturas de Hildon e Rogério provocam uma reviravolta no quadro político. As filiações partidárias dos deputados em novos partidos, inclusive os federais, pois o mais bem votado em 2022, Fernando Máximo, com mais de 85 mil votos, deixou o UB e está no PL; Sílvia Cristina, eleita pelo PL, é a presidente estadual do PP; Thiago Flores se elegeu pelo MDB e está no Republicanos. O processo de mudança de partido, porém, deverá ter novos episódios.
Também há descontentamento de deputados estaduais que recentemente se filiaram ao PL devido ao “inchaço” da legenda. A maioria dos nomes é de parlamentares bons de votos e as chances de obter excelente votação e ficar de fora são reais.
A pré-candidatura de Hildon ao governo provocou uma reviravolta na política regional e o disse-me-disse predomina nos bastidores. Até o dia 3, muita água irá rolar por debaixo da ponte. E, na política regional, não será diferente.



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