Publicada em 19/01/2026 às 10h31
Porto Velho (RO) - O fim de semana foi de agitação intensa nos bastidores da política rondoniense, impulsionada por uma informação que correu com força nas redes sociais: o governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha (União Brasil), teria aceitado um convite do ex-senador Expedito Júnior para ingressar no PSD e, de quebra, assumir a presidência estadual do partido. Na mesma onda, a versão trazia um roteiro completo para 2026: Rocha permaneceria no mandato até o fim — reiterando que não disputará o Senado — e ainda se alinharia ao projeto de Adaílton Fúria, atual prefeito de Cacoal, como nome ao Governo de Rondônia.
A notícia, do jeito que foi espalhada, parecia mais do que mera especulação: foi tratada por alguns como “movimento consumado”. E é justamente aí que o bastidor costuma mostrar sua lógica própria: quando um rumor surge pronto demais, com peça encaixada e desfecho definido, geralmente há duas possibilidades — ou alguém está vazando para medir reação, ou alguém está tentando empurrar uma narrativa para criar fato político antes da hora.
Nesta segunda-feira (19/01), o cenário ganhou contornos mais concretos. Em conversa com a reportagem do Rondônia Dinâmica, Expedito Júnior confirmou que o convite foi feito, mas afirmou que o governador negou, pelo menos por agora. Segundo ele, as portas seguem abertas, deixando claro que o PSD não desistiu do diálogo. O site Rondoniagora também noticiou o episódio e atribuiu a Rocha a seguinte frase sobre uma eventual ida ao partido: “Não digo que dessa água nunca beberei, mas dificilmente volto atrás da minha decisão.”
O recuo imediato muda o clima, mas não elimina o barulho. Isso porque, no ambiente político, o simples fato do convite existir já tem significado. Se Rocha foi procurado, é porque há atores interessados em reposicionar peças desde já, mesmo antes do calendário eleitoral oficial pegar ritmo. E o PSD, comandado por Expedito, aparece como um partido que busca protagonismo no tabuleiro estadual — ainda mais num cenário em que ninguém quer chegar em 2026 apenas “assistindo” as articulações alheias.
Do lado do governador, a negativa indica cautela. Rocha tem um mandato em andamento e, mesmo reiterando que não irá ao Senado, ainda é um personagem central para qualquer desenho de sucessão. Ele pode influenciar alianças, liberar ou travar apoio regional, aproximar prefeitos e até reorganizar o peso das legendas. Migrar agora para um partido como o PSD, assumindo presidência e cravando rumos com antecedência, teria potencial para antecipar conflitos que, para quem governa, costumam ser evitados enquanto o mandato ainda exige base minimamente estável.
Já o componente Adaílton Fúria é o ponto que deu “sabor” ao rumor — e justamente por isso ele chama atenção. O prefeito de Cacoal vem sendo tratado como um nome em ascensão, com estrutura municipal, presença no interior e ambição clara. Colocar Fúria no enredo como “beneficiário” do suposto acordo dá uma pista do que está em jogo: a construção de um palanque robusto fora do eixo tradicional de Porto Velho, capaz de atrair grupos que procuram um nome com viabilidade e discurso de renovação.
Ainda assim, com Rocha negando o PSD neste momento, a leitura mais prudente é que nada foi fechado. A recusa esfriou a versão do “pacote completo”, mas o episódio reforça que os movimentos rumo a 2026 já estão sendo ensaiados com antecedência e que o governador segue no centro da conversa — seja como possível aliado, seja como peça disputada por diferentes projetos.
No final, a frase atribuída a Rocha sintetiza bem o estilo do jogo: não é um “nunca”, mas também não é um “sim”. É uma negativa com freio de mão puxado — suficiente para conter o noticiário do dia, mas sem impedir que o tema volte a circular a qualquer sinal de mudança no cenário político.



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