Publicada em 09/01/2026 às 10h59
Porto Velho (RO) - A três dias do início da cobrança do pedágio eletrônico na BR-364, a principal rodovia de integração de Rondônia, a reação da bancada federal finalmente ganhou volume público. Não porque o contrato tenha surgido agora, nem porque os pórticos tenham sido instalados de surpresa, mas porque a cobrança deixou de ser hipótese técnica e passou a ser um fato concreto, com data, valores e impacto direto no bolso do cidadão.
Leia também: BR-364 e pedágios: bancada reage só após pressão popular enquanto Bagattoli empurra a “conta” para Confúcio
A partir da próxima segunda-feira, 12 de janeiro, entra em funcionamento o sistema de livre passagem (free flow) no trecho concedido à Nova 364, conforme autorização e fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Sete pontos de cobrança passam a operar em Candeias do Jamari, Cujubim, Ariquemes, Ouro Preto do Oeste, Presidente Médici e dois trechos de Pimenta Bueno. Sem cancelas, sem paradas, com registro automático da passagem e pagamento posterior por aplicativo, site, TAG ou totens presenciais. Motocicletas seguem isentas; ambulâncias e veículos oficiais, desde que cadastrados, também.
Os valores estão definidos em contrato, reajustados pelo IPCA, com variação de 9,55%. Para veículos de passeio, as tarifas começam em R$ 5,40 e chegam a R$ 37,00, dependendo do trecho. A concessionária afirma ter investido cerca de R$ 360 milhões antes do início da cobrança, mantém 14 bases operacionais, atendimento 24 horas, ambulâncias, guinchos e mais de 3,3 mil atendimentos realizados desde setembro de 2025. Do ponto de vista técnico e regulatório, o modelo foi vistoriado, validado e considerado apto pela ANTT.
Nada disso, porém, reduziu a insatisfação social.
Quando a cobrança se tornou iminente, a pauta saiu dos relatórios técnicos e explodiu nas redes sociais. Foi nesse ambiente que a bancada federal de Rondônia passou a vocalizar indignação, notas públicas, vídeos e promessas de reação política e judicial. O movimento foi analisado em editorial publicado no dia 6 de janeiro pelo Rondônia Dinâmica, que apontou a mudança de tom: a reação ganhou força apenas quando o pedágio deixou de ser projeto e virou realidade.
A publicação teve repercussão expressiva. No Facebook, acumulou quase mil comentários, além de centenas de respostas encadeadas, formando um painel raro de percepção social. Nos comentários, a insatisfação pública aparece de forma direta e explícita. Um usuário escreveu: “Puro oportunismo politiqueiro desses deputados e senadores... pedágio? Pedágio que só trará prejuízos pro estado de Rondônia!”. Outro comentário afirma de forma objetiva: “O valor do pedágio é um roubo.”. Há também manifestações que cobram atuação anterior da representação política, como quando um usuário registrou: “A bancada federal de Rondônia só chega para fazer discurso e campanha política mas está aí uns ser governo e assim se vai a fila. Cabe agora o povo escolher.”.
A pressão recai especialmente sobre os efeitos econômicos da cobrança, com frases como: “Nós camioneiro vamos parar Rondônia. Esse preço do pedágios da 364 ê um assalto no bolso dos trabalhadores.”. Em meio às críticas, surgem menções diretas à classe política, como no comentário: “Esses políticos só querem lascar com o povo. Já pagamos mais de impostos pra sustentar esses ladrões que saqueiam o povo por leis que eles mesmos fazem.”. Também há advertências eleitorais claras, a exemplo de um usuário que escreveu: “O que vai ter de candidato perdendo votos e não se elegendo por causa desse pedagio em Rondônia não tá escrito, esperem para ver.”. O conjunto dessas manifestações, repetidas em comentários e respostas, revela rejeição frontal à cobrança e uma cobrança direta à bancada federal, associando o pedágio à omissão política e ao impacto imediato no cotidiano da população.
No plano político, a disputa de narrativas ficou evidente. O líder da bancada federal, deputado Maurício Carvalho (União Brasil), publicou nota atribuindo a concessão ao governo federal, por meio da ANTT, classificando as tarifas como abusivas e prometendo reação. O argumento central é de que o Congresso não votou os detalhes da concessão.
O senador Jaime Bagattoli (PL), por sua vez, intensificou críticas públicas e direcionou cobranças ao senador Confúcio Moura (MDB), associando o avanço da concessão ao período em que Confúcio presidiu a Comissão de Infraestrutura do Senado. Trata-se de uma estratégia política clara: reafirmar oposição prévia ao modelo e deslocar o desgaste para quem o defendeu institucionalmente.
Confúcio Moura, de fato, registrou apoio público à concessão durante o leilão realizado em março de 2025, tratando o projeto como avanço em segurança e infraestrutura. Esse é um dado objetivo. Agora, diante da pressão popular e da escalada do debate, o senador mantém silêncio, postura já observada em outros temas sensíveis de sua trajetória política.
O ponto central, contudo, vai além dos personagens. A concessão da BR-364 não surgiu de improviso. Edital, estudos, leilão, contrato, modelo tarifário e lógica do free flow são públicos e conhecidos há meses. O que mudou foi o tempo político. A indignação só se tornou unificada quando o custo passou a ser imediato, mensurável e inevitável para quem usa a rodovia diariamente para trabalhar, produzir e circular.
Não está em debate, neste momento, a legalidade do contrato nem a eficiência tecnológica do sistema. O que se expõe é a defasagem entre o tempo da decisão administrativa e o tempo da reação política. A BR-364, ao entrar na era do pedágio eletrônico, escancara um padrão recorrente: na política, a revolta costuma ganhar voz quando o fato já está consumado — e quando o silêncio passa a custar mais caro do que o discurso.
O pedágio começa a operar na segunda-feira. A conta, para o cidadão, já está em curso. O desafio da bancada, agora, é provar que a reação tardia pode ir além das palavras.



O problema não é o pedagio em si, mad os valores exorbitantes jamais visto no país.
Acho abusivo e lesando e vai impactar nos preços.
Todos os rondonirnses vão pagar por essa falta de compromisso da classe política de modo geral estadual e federal..
Esperar pra vê nas próximas eleições...
A fatura chega pro cidadão, mas vai chegar para os políticos q visam reeleição...