O Partido Democrata dos Estados Unidos, de oposição a Donald Trump, conquistou uma vitória expressiva nas chamadas midterms, as eleições para renovar parte do Legislativo dos EUA e de governos estaduais.
O resultado pode ter reflexos na permanência, nos EUA, de bolsonaristas que foram para o país, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu irmão, o ex-deputado do PL Eduardo Bolsonaro, o também ex-deputado do PL Alexandre Ramagem, o blogueiro e influenciador Allan dos Santos.
Antes dos resultados, com pesquisas projetando vitória dos democratas, brasileiros vinham pedindo nas redes sociais que políticos do partido atuem pela deportação de Flávio Bolsonaro, que chegou aos EUA na semana passada, após fugir do Brasil. A hashtag #DeportTheBolsonaros ficou entre as mais compartilhadas do X no Brasil na semana passada.
Mas como as midterms podem afetar a permanência de Flávio e dos outros bolsonaristas no país?
Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que eventual deportação ou expulsão do senador, por exemplo, não está nas mãos do Congresso. Isso porque as decisões sobre a permanência de estrangeiros nos EUA envolvem órgãos do Executivo, como o Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, e o Departamento de Segurança Interna (DHS), ambos submetidos ao governo Trump.
Mas as Casas poderiam abrir uma investigação para apurar um possível envolvimento das autoridades norte-americanas na fuga do senador brasileiro e se houve algum favorecimento na concessão de vistos para ele e sua família.
Além disso, ainda na visão dos especialistas, eventuais investigações e cobranças públicas poderiam ampliar a pressão política sobre o governo Trump e influenciar uma possível decisão das autoridades norte-americanas sobre a permanência de Flávio no país.
🔎 As midterms recebem esse nome porque acontecem na metade do mandato presidencial.
Imprensa dos EUA afirma que assessores de Trump e Milei ajudaram na fuga de Flávio Bolsonaro
Apesar dessa possibilidade, a avaliação é de que a situação de Flávio não deve estar entre as prioridades dos democratas, que conquistaram a maioria no Congresso.
A tendência, segundo eles, é que a oposição concentre esforços em limitar as ações de Trump, especialmente na política econômica e em questões internas, como o custo de vida da população, além de se preparar para a eleição presidencial de 2028.
Relembre os casos:
➡️ O senador Flávio Bolsonaro viajou para os EUA após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026. O político é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e de irregularidades no financiamento do filme "Dark Horse", sobre o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
➡️ O ex-deputado Eduardo Bolsonaro vive nos EUA desde o início de 2025. Ele foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão no Brasil pelo crime de coação no curso do processo, por atuar para interferir no julgamento do pai no processo sobre a trama golpista.
➡️ Alexandre Ramagem também fugiu para os EUA em 2025. O ex-deputado, que também comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, foi condenado a 16 anos e um mês de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele permanece nos Estados Unidos e é alvo de um pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro.


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