Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das eleições de 2026 à frente de Lula (PT), com 47,03% dos votos contra 45,16% do petista. Se for eleito no segundo turno, o senador poderá ser oitavo presidente de um país da América do Sul que mantêm aproximação política e diplomática com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
Na segunda-feira (5), quando questionado sobre o desempenho de Flávio nas eleições, Trump se disse surpreso com o resultado.
"Bom, é uma grande vitória. Muito apertada, mas impressionante, na verdade", afirmou.
O americano evitou falar mais sobre a disputa no Brasil. Nos dias anteriores ao pleito do último domingo (4), o republicano não respondeu se apoiaria Flávio.
Apesar da não resposta do americano, durante 2026 Flávio Bolsonaro e Trump se aproximaram em diversas ocasiões, como:
Maio: Flávio foi à Casa Branca e disse ter pedido a Trump que os grupos criminosos PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) fossem classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas, algo que Lula lutava contra.
Junho: Trump publicou uma foto do encontro com Flávio no Salão Oval e elogiou o senador: “Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!”
Junho: Flávio afirmou que o Pix não deveria ser internacionalizado e defendeu que o Brasil barrasse sistemas de pagamento considerados “não ocidentais”.
Setembro: Flávio afirmou que, caso fosse eleito, o Brasil faria parte do Escudo das Américas, coalizão de segurança lançada pelo governo Trump que reúne países da região.
Doutrina Monroe: a política de Donald Trump
Em dezembro do ano passado o governo Trump divulgou sua nova estratégia de segurança nacional, e junto a ela vinha a intenção de retomar sua influência na região para conter o avanço de potências de outros continentes.
"Depois de anos de abandono, os Estados Unidos reafirmarão e aplicarão a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no hemisfério ocidental", dizia o documento.
🔎 A Doutrina Monroe foi uma política externa dos EUA apresentada em 1823 pelo então presidente James Monroe. Em linhas gerais, defendia que as potências europeias não deveriam interferir ou ampliar sua influência nas Américas, sob o princípio de que “a América é para os americanos”.
Essa nova investida do governo norte-americano nas américas foi chamada pelo jornal The New York Times de "Doutrina Donroe", uma combinação dos nomes Donald e Monroe.
O documento afirma que o realinhamento militar na América Latina se baseará em três elementos principais:
ampliar a presença da Guarda Costeira e da Marinha para controlar rotas marítimas, combater imigração ilegal e reduzir o tráfico de drogas e de pessoas;
reforçar a proteção das fronteiras e intensificar o combate aos cartéis de drogas, incluindo o uso de força letal em alguns casos;
estabelecer ou ampliar o acesso dos EUA a locais considerados estratégicos na região.
A estratégia diz ainda que os EUA buscam "reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental'.
Abaixo, confira todos os presidentes da América do Sul que são alinhados ao presidente dos Estados Unidos.
Abelardo De la Espriella, presidente da Colômbia
Abelardo de la Espriella (à esquerda), candidato eleito para presidente da Colômbia em apuração preliminar, e Donald Trump, presidente dos EUA. — Foto: Jaime Saldarriaga/AFP/Evelyn Hockstein/REUTERS
Eleito em junho deste ano, Abelardo De la Espriella contou com o apoio de Donald Trump durante a corrida presidencial na Colômbia.
Na plataforma Truth Social, Trump chamou o candidato colombiano de "um líder inteligente, forte e determinado". Também afirmou que De la Espriella teria sucesso ao liderar o combate ao crime e ao tráfico de drogas.
"O resultado desta eleição é muito importante para o futuro da Colômbia e para a relação do país com os Estados Unidos. Por causa de suas grandes realizações ao longo da vida e de seu apoio político a mim, pessoalmente, tenho a honra de dar a Abelardo meu apoio completo e total", publicou.
Após a vitória de 'El Tigre', o ocupante da Casa Branca afirmou que trabalhariam juntos para construir uma "relação poderosa" entre os dois países.
Javier Milei, presidente da Argentina
Javier Milei talvez seja o trumpista de maior destaque entre os mandatários sul-americanos. O presidente da Argentina fez diversas viagens a Mar-a-Lago, a residência particular de Trump, e é uma presença constante em eventos que reúnem a direita conservadora no país.


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