A secretária municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Campo Novo de Rondônia, Catieli Oliveira de Sousa, e o prefeito Alexandre José Silvestre Dias, o Alexandre do Fortaleza (União Brasil) / Reprodução
PORTO VELHO, RO - A secretária municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Campo Novo de Rondônia, Catieli Oliveira de Sousa, que integra a gestão Alexandre do Fortaleza, do União Brasil, divulgou um vídeo e uma nota institucional para contestar os questionamentos apresentados pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Thiago Onofre (Podemos), sobre despesas com a manutenção de um caminhão compactador de lixo. A manifestação, datada de 21 de outubro, apresenta a versão da pasta sobre os serviços realizados, os valores envolvidos e os procedimentos administrativos adotados pela gestão do prefeito Alexandre José Silvestre Dias.
Catieli sustenta que as contratações ocorreram regularmente, por meio de uma plataforma de gerenciamento utilizada pela Prefeitura, com pesquisas de preços e cotações entre diferentes empresas. Segundo a secretária, a escolha dos prestadores de serviço considerou as propostas de menor valor.
"Todos os serviços realizados foram feitos de forma legal, dentro da plataforma de gerenciamento de contratações da Prefeitura, com realização de pesquisa de preços, cotações com várias empresas e contratação do serviço mais barato."
Um dos principais esclarecimentos envolve a aquisição de um motor completo em 2026. De acordo com a gestora, a operação custou R$ 95 mil, incluindo óleo, filtros, lubrificantes e outros componentes necessários à substituição. Ela acrescentou que, após a troca, as manutenções passaram a ser realizadas na concessionária para preservar a garantia do serviço.
A secretária também relacionou as decisões tomadas pela pasta às dificuldades orçamentárias enfrentadas pela administração municipal. Conforme sua explicação, a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente trabalha com recursos reduzidos desde o início do exercício financeiro, situação que se agrava nos últimos meses do ano. Nesse contexto, afirmou que as despesas com manutenção foram autorizadas considerando a necessidade de manter a coleta de lixo em funcionamento.
Catieli relatou que, em diferentes ocasiões, o município precisou utilizar caminhões emprestados de outras prefeituras, mediante termos de cooperação, além de caçambas e máquinas destinadas às atividades agrícolas. Segundo ela, essas alternativas foram empregadas para evitar a interrupção do recolhimento de resíduos.
Outro ponto contestado pela gestora foi uma referência atribuída ao vereador sobre locação de veículos. A secretária negou que a pasta tenha contratado esse tipo de serviço e afirmou que os contratos e procedimentos licitatórios disponíveis no Portal da Transparência não apresentam registros de aluguel de veículos pela Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente.
Na manifestação, Catieli também informou que o município deixou de terceirizar a coleta convencional de lixo há aproximadamente seis anos. Segundo seus números, o serviço anteriormente custava cerca de R$ 24.750,00, enquanto a operação executada diretamente pela Prefeitura teria proporcionado redução superior a 50% nas despesas.
Em relação às condições do caminhão questionado, a secretária afirmou que o veículo possui mais de cinco anos de utilização e circula frequentemente por terrenos difíceis. Para ela, essas características precisam ser consideradas na avaliação das necessidades de manutenção, independentemente da quilometragem registrada.
A resposta institucional ainda trouxe uma crítica à maneira como os esclarecimentos da Prefeitura são recebidos no Legislativo. Segundo a nota, Thiago Onofre teria mencionado a possibilidade de a Secretaria responder aos questionamentos por meio de um "videozinho". A administração sustenta que a utilização de gravações ocorre porque pedidos anteriores para manifestação na tribuna teriam sido recusados.
"É importante registrar que todas as vezes em que a Secretaria é mencionada na Câmara de Vereadores e deseja prestar esclarecimentos, precisa recorrer ao vídeo, porque todos os pedidos de resposta e de uso da tribuna formulados pela pasta foram negados — e isso não ocorreu apenas uma vez."
A alegação sobre as negativas de participação na tribuna foi apresentada pela Secretaria, sem a identificação, na manifestação, das datas dos requerimentos mencionados. Catieli reconheceu a atribuição fiscalizadora dos vereadores, mas solicitou que as informações obtidas junto à administração sejam apresentadas de maneira clara e acompanhadas dos esclarecimentos encaminhados pela pasta.
A manifestação é um desdobramento de reportagem publicada pelo Rondônia Dinâmica em 21 de outubro de 2026, que apresentou os questionamentos feitos por Thiago Onofre durante pronunciamento na Câmara Municipal. Na ocasião, o presidente do Legislativo chamou atenção para despesas relacionadas a duas intervenções mecânicas realizadas em um intervalo de 28 dias e à posterior aquisição de um motor para o caminhão de coleta.
RELEMBRE
Presidente da Câmara questiona quase R$ 140 mil em reparos e compra de motor para caminhão de lixo
Segundo o parlamentar, a fiscalização começou depois que ele observou mecânicos trabalhando no motor do veículo nas proximidades da Secretaria Municipal de Agricultura. A situação motivou um requerimento para obter informações sobre os gastos realizados com o caminhão nos 12 meses anteriores.
Com base nas informações que afirmou ter recebido, Thiago relatou que uma oficina mecânica do município teria emitido uma nota fiscal de R$ 24.970 em 18 de novembro de 2025. A descrição mencionada pelo vereador indicava problemas de pressão no sistema de arrefecimento, retirada do cabeçote e identificação de um cilindro furado, permitindo a passagem de água para o motor.
O segundo registro, conforme a exposição do presidente da Câmara, teria sido emitido pela mesma oficina em 16 de dezembro de 2025, no valor de R$ 29.780. A descrição apresentada também mencionava problemas de pressão no sistema de arrefecimento e intervenções relacionadas ao cabeçote e ao cilindro.
"Em 28 dias, a mesma manutenção no motor do caminhão, com um gasto total de R$ 54.750,00.", declarou o vereador durante o pronunciamento.
As duas cobranças somariam R$ 54.750. Thiago questionou a semelhança entre os serviços descritos e a ausência, segundo sua avaliação, de informações suficientemente detalhadas sobre as peças utilizadas. O parlamentar também perguntou quais garantias haviam sido oferecidas pela oficina e por que intervenções relacionadas a problemas aparentemente semelhantes ocorreram em um intervalo tão curto.
Outra despesa mencionada pelo presidente da Câmara foi a aquisição de um motor novo da Iveco em 30 de abril, pelo valor de R$ 85 mil. Considerando essa quantia e as duas manutenções anteriores, os valores apresentados por Thiago alcançaram R$ 139.750. O vereador também afirmou que o caminhão possuía aproximadamente 50 mil quilômetros rodados quando ocorreu a substituição do motor.
A resposta da secretária apresenta uma diferença importante em relação a esse último valor. Enquanto Thiago mencionou R$ 85 mil para a aquisição do motor, Catieli informou R$ 95 mil para o motor completo, incluindo materiais associados à substituição. A divergência de R$ 10 mil permanece sem conciliação documental nas manifestações apresentadas, embora a gestora atribua ao valor informado por ela a inclusão de itens necessários ao serviço.
Há outra diferença entre as versões. A nota institucional afirma que as duas notas fiscais questionadas pertencem a dezembro de 2025. Entretanto, as datas informadas pelo vereador na tribuna foram 18 de novembro e 16 de dezembro daquele ano. A manifestação da Secretaria não esclarece essa diferença de referência temporal.
Os questionamentos de Thiago também envolveram a possibilidade de as intervenções anteriores estarem cobertas por garantia. Catieli respondeu que, após a aquisição do motor completo, as manutenções passaram a ser realizadas na concessionária. Essa informação, contudo, não esclarece quais garantias estavam previstas para os dois serviços executados em 2025, que constituíram parte central da cobrança parlamentar.
Durante o pronunciamento anterior, o presidente da Câmara defendeu a continuidade da fiscalização e afirmou que os questionamentos não deveriam ser interpretados como perseguição política. Ele também anunciou a apresentação de outro requerimento, desta vez relacionado à Secretaria Municipal de Obras, para ampliar a análise de documentos e despesas da administração.
Os valores e as descrições apresentados pelo vereador não demonstram, isoladamente, ocorrência de irregularidade, duplicidade de cobrança ou descumprimento de garantia. Da mesma forma, os esclarecimentos da Secretaria representam a versão da administração municipal e não substituem a verificação técnica dos serviços, das notas fiscais e das condições contratuais.
Ao encerrar sua manifestação, Catieli Oliveira de Sousa afirmou que a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente permanece à disposição para prestar informações adicionais. A nota institucional encaminhada pela administração municipal é reproduzida integralmente a seguir.
RELEASE PARA IMPRENSA
Assunto: Esclarecimento sobre serviços de manutenção de veículos da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Campo Novo
A Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Campo Novo, por meio de sua gestora, vem a público prestar esclarecimentos à população e aos veículos de imprensa sobre informações divulgadas recentemente a respeito de serviços de manutenção de veículos da pasta.
1. Legalidade dos processos
Todos os serviços realizados foram feitos de forma legal, dentro da plataforma de gerenciamento de contratações da Prefeitura, com realização de pesquisa de preços, cotações com várias empresas e contratação do serviço mais barato.
2. Contexto orçamentário
As duas notas fiscais citadas na mídia referem-se ao exercício de 2025, especificamente ao mês de dezembro, período em que, conforme o regime de orçamento público, há grande dificuldade de disponibilidade orçamentária para secretarias e órgãos públicos. A Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente já opera com orçamento reduzido ao longo do ano, o que se agrava no final do exercício.
3. Prioridade: continuidade do serviço essencial
Todas as decisões tomadas pela gestão visam à economia e à não interrupção de serviços públicos essenciais, como a coleta de lixo. Vale ressaltar que, em diversos momentos, a coleta foi realizada com caminhão emprestado de outro município, por meio de termos de cooperação, e com caçambas e máquinas da agricultura, sempre com o objetivo de não deixar a população desassistida.
4. Esclarecimento sobre valores
Sites divulgaram gasto de cerca de R$ 140 mil. No entanto, a resposta ao requerimento encaminhado à Câmara detalha cada nota fiscal. No exercício de 2026, a aquisição do motor completo foi feita por R$ 95 mil, valor que já inclui óleo, fios, lubrificantes e todos os itens que devem ser trocados juntos para garantir a validade do serviço realizado. Desde a troca, as manutenções têm sido feitas na concessionária, justamente para manter a garantia — cobrança feita inclusive pelo próprio vereador.
5. Esclarecimento sobre locação de veículos
Em momento algum a Secretaria realizou locação de veículos. No Portal da Transparência estão disponíveis todos os contratos e licitações da pasta, e em nenhum deles consta locação de veículos.
6. Economia com coleta própria
Há cerca de seis anos a Secretaria não terceiriza o serviço de coleta, buscando economizar. Quando a coleta era terceirizada, pagava-se cerca de R$ 24.750,00 à empresa contratada. Hoje, com a coleta própria, o custo foi reduzido em mais de 50%.
7. Condições do caminhão utilizado
O caminhão utilizado tem mais de cinco anos e, embora a quilometragem não seja elevada, roda em áreas de terreno muito difíceis. A marca do veículo também não possui histórico considerado satisfatório por especialistas.
8. Sobre respostas em vídeo e uso da tribuna
Quando o vereador está na tribuna, ele afirma que possivelmente a Secretaria responderia por meio de um “videozinho”, como de costume. É importante registrar que todas as vezes em que a Secretaria é mencionada na Câmara de Vereadores e deseja prestar esclarecimentos, precisa recorrer ao vídeo, porque todos os pedidos de resposta e de uso da tribuna formulados pela pasta foram negados — e isso não ocorreu apenas uma vez.
A Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente reitera que houve mistura de informações na divulgação midiática e permanece à disposição da população e da imprensa para prestar qualquer esclarecimento adicional.
Campo Novo de Rondônia, 21 de Outubro
ASCOM – Assessoria de Comunicação Social
Glecson Mendes dos Santos – DRT: 0003968/RO


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