PORTO VELHO, RO - O presidente da Câmara Municipal de Campo Novo de Rondônia, vereador Thiago Onofre (Podemos), questionou despesas que, segundo informações apresentadas por ele na tribuna do Legislativo, somam mais de R$ 139 mil em duas manutenções e na posterior aquisição de um motor para um caminhão compactador de lixo. O parlamentar apontou que uma mesma oficina mecânica teria realizado serviços relacionados a problemas semelhantes no motor do veículo em um intervalo de apenas 28 dias. As informações foram apresentadas durante pronunciamento no qual também cobrou esclarecimentos sobre os valores, os reparos executados e as garantias dos serviços.
Segundo Thiago, os questionamentos surgiram após um requerimento apresentado para obter informações sobre os gastos com o caminhão nos 12 meses anteriores. O presidente relatou que decidiu solicitar os documentos depois de observar mecânicos trabalhando no motor do compactador nas proximidades da Secretaria Municipal de Agricultura. Ao procurar saber quais serviços haviam sido realizados, afirmou ter recebido informações que considerou insuficientes para esclarecer as despesas.
Conforme o parlamentar, uma oficina localizada no município teria emitido uma nota fiscal de R$ 24.970 em 18 de novembro de 2025. A descrição mencionada por ele indicava que o motor apresentava pressão no sistema de arrefecimento e que, após a retirada do cabeçote, teria sido identificado um cilindro furado, permitindo a passagem de água para o motor.
O presidente da Câmara afirmou que, em 16 de dezembro do mesmo ano, a mesma oficina teria registrado outra cobrança, desta vez de R$ 29.780. Segundo sua exposição, a descrição do segundo serviço apresentava novamente problemas de pressão no sistema de arrefecimento, retirada do cabeçote e identificação de um defeito no cilindro.
"Em 28 dias, a mesma manutenção no motor do caminhão, com um gasto total de R$ 54.750,00.", declarou o vereador.
Thiago também questionou a ausência de informações específicas sobre peças eventualmente substituídas. De acordo com ele, as descrições mencionadas nas notas fiscais não detalhavam suficientemente os componentes utilizados ou os procedimentos que justificariam os valores cobrados.
"Na nota fiscal não consta aqui peças, simplesmente colocou-se o defeito que estava no caminhão, cobraram R$ 54.750.", afirmou.
Outro ponto levantado pelo presidente da Câmara foi a possibilidade de os serviços estarem sujeitos a alguma garantia. O parlamentar questionou por que o veículo teria passado por intervenções semelhantes em tão pouco tempo e se a oficina responsável deveria responder por eventual reaparecimento do defeito.
"Mas a oficina não dá garantia quando faz o motor dos caminhões?", perguntou.
Durante o pronunciamento, Thiago acrescentou que, em 30 de abril, teria ocorrido a aquisição de um motor novo da Iveco pelo valor de R$ 85 mil. Conforme seu relato, o caminhão apresentava aproximadamente 50 mil quilômetros rodados, circunstância que também motivou questionamentos sobre a necessidade da substituição.
Considerando os valores apresentados pelo vereador, as duas manutenções e a posterior compra do motor totalizariam R$ 139.750. A cifra corresponde à soma das despesas mencionadas na tribuna, sem que o pronunciamento, isoladamente, permita confirmar a regularidade dos pagamentos, a extensão dos serviços realizados ou as condições técnicas que levaram à aquisição do novo equipamento.
Embora Thiago tenha apontado semelhanças entre as descrições das intervenções, os elementos apresentados em sua manifestação não permitem concluir que houve cobrança indevida, duplicidade de serviços, descumprimento de garantia ou qualquer outra irregularidade. Essas hipóteses dependeriam de verificação documental e técnica, inclusive quanto às condições do motor, aos serviços efetivamente executados e às obrigações assumidas pela oficina.
O presidente da Câmara também mencionou comentários existentes no município sobre um suposto envolvimento de terceiros nas circunstâncias relacionadas às manutenções. O próprio parlamentar, contudo, reconheceu que não possuía confirmação dessas informações. Nenhum elemento apresentado no pronunciamento permite atribuir responsabilidade ilícita a servidores públicos, à empresa mencionada ou a outras pessoas.
Ao defender sua atuação fiscalizadora, Thiago afirmou que os questionamentos não deveriam ser interpretados como perseguição política ou divergências pessoais. Segundo ele, a apresentação das informações tinha como objetivo permitir que a população conhecesse as situações identificadas por meio dos requerimentos encaminhados pelo Legislativo.
O vereador também anunciou a apresentação de outro requerimento, relacionado à Secretaria Municipal de Obras, com a intenção de analisar documentos e despesas daquele setor. Durante a manifestação, mencionou ainda o Ministério Público ao cobrar atenção para situações que, em sua avaliação, precisam de esclarecimentos.
"Vamos levar essa denúncia à frente.", declarou.
Apesar da manifestação, não foi informada a existência de procedimento formal de investigação, conclusão de auditoria ou decisão de autoridade competente que tenha reconhecido irregularidades nas despesas questionadas. A próxima medida anunciada por Thiago Onofre foi a ampliação da fiscalização documental para outras áreas da administração municipal.
Dez trechos do discurso do presidente da Câmara Municipal de Campo Novo de Rondônia, acompanhados do contexto em que foram pronunciados.
O vereador compara cobranças que atribui à mesma oficina, datadas de 18 de novembro e 16 de dezembro de 2025. Segundo ele, ambas descrevem problemas semelhantes no motor do caminhão compactador de lixo.
Thiago Onofre questiona a falta de detalhamento de peças nas descrições que afirma ter consultado. Trata-se da avaliação apresentada pelo parlamentar sobre os documentos mencionados em seu discurso.
Após relatar a repetição de problemas mecânicos em curto intervalo, o vereador pergunta sobre a garantia dos serviços. O pronunciamento não estabelece quais condições de garantia seriam aplicáveis.
Segundo o parlamentar, em 30 de abril ocorreu a compra de um motor completo por R$ 85 mil. O ano dessa data não foi explicitado nesse trecho da fala. Somado às duas manutenções, o valor mencionado chega a R$ 139.750.
Thiago afirma que o caminhão tinha cerca de 50 mil quilômetros rodados quando o motor foi substituído. Essa informação, isoladamente, não demonstra se a troca era ou não necessária.
O vereador critica o que considera falta de questionamentos sobre os reparos e pagamentos. A fala expressa sua avaliação e não comprova ausência de fiscalização ou descumprimento contratual.
O trecho vem depois de o parlamentar usar expressamente a palavra “supostamente”. É uma suspeita formulada por ele, sem demonstração de irregularidade ou identificação de responsável.
O vereador anuncia a intenção de prosseguir com os questionamentos e diz ter apresentado outro requerimento, agora sobre a Secretaria Municipal de Obras. Não informa o protocolo de representação junto a órgão de investigação.
Antes de detalhar os valores, Thiago defende que os questionamentos na tribuna devem ser fundamentados em documentos. Afirma ter solicitado informações por meio de requerimento parlamentar.
A frase aparece depois de o vereador afirmar que continuará fiscalizando enquanto ocupar uma cadeira na Câmara. No trecho, ele não relata ter recebido ameaça de morte; a declaração se refere à sua disposição de continuar o trabalho.
As declarações de Thiago Onofre
Duas manutenções em 28 dias
“Em 28 dias, a mesma manutenção no motor do caminhão, com um gasto total de R$ 54.750,00.”
Descrição das notas fiscais
“Na nota fiscal não consta aqui peças, simplesmente colocou-se o defeito que estava no caminhão, cobraram R$ 54.750.”
Garantia dos reparos
“Mas a oficina não dá garantia quando faz o motor dos caminhões?”
Aquisição de outro motor
“Compraram na Iveco um motor novo para o caminhão, R$ 85 mil.”
Quilometragem do veículo
“Com 50 mil foi trocado o motor.”
Cobrança por explicações
“Ninguém cobra nada, quer dizer, vai lá e faz, paga, depois vai lá, faz de novo, não tem garantia, não Tem Nada.”
Suspeita levantada na tribuna
“Alguma coisa errada está acontecendo aí”
Continuidade da cobrança
“Vamos levar essa denúncia à frente.”
Importância dos documentos
“E é muito importante você ter documento para você falar.”
Permanência na fiscalização
“Se me matar ou eu perder o meu mandato.”


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