PORTO VELHO, RO - As negociações para a escolha da próxima Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Rondônia já contam com o compromisso do deputado estadual eleito Jurandir Oliveira (PSD). Antes mesmo de iniciar seu primeiro mandato no Parlamento estadual, o ex-prefeito de Santa Luzia do Oeste participou de reuniões sobre a futura composição do comando da Casa, definiu sua posição e assegurou que não pretende alterar o voto. A revelação ocorreu durante entrevista ao jornalista Vinícius Canova no podcast RD Entrevista, realizado nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, conexão direta com a verdade.
O assunto surgiu depois de o apresentador mencionar episódios de disputas anteriores pela presidência do Legislativo e questionar o parlamentar eleito sobre possíveis abordagens para conquistar seu apoio. Jurandir reconheceu que vem sendo procurado nas articulações, mas demonstrou contrariedade com práticas que, em sua avaliação, colocam em dúvida a manutenção dos compromissos políticos.
“A gente tá sendo com certeza assediado. Só que eu acho o seguinte... Eu acho isso aí um cúmulo, entendeu? Porque eu acho que o homem tem que ser homem, tem que ter personalidade”, declarou.
O uso da expressão pelo entrevistado ocorreu em referência às movimentações para a eleição interna. Ele não apresentou denúncias de irregularidades, não mencionou pagamentos ou oferecimento de vantagens e tampouco identificou os responsáveis pelas abordagens.
Questionado sobre a existência de uma decisão definitiva, Jurandir confirmou ter participado de encontros e antecipado seu posicionamento. Embora tenha preferido não revelar o nome escolhido, afirmou que sua palavra já está empenhada.
“Já participei de algumas reuniões, vão ter outras reuniões, mas eu já dei a minha palavra, já fiz o meu compromisso e não vou mudar de forma nenhuma, por nada”, declarou.
O compromisso de voto não significa que o deputado eleito tenha interesse em ocupar uma das posições de direção. Jurandir afastou a possibilidade de disputar a Mesa no primeiro mandato, argumentando que precisa conhecer melhor os procedimentos administrativos e legislativos da Assembleia.
Ele explicou que sua passagem pela Câmara Municipal de Santa Luzia do Oeste ocorreu há vários anos e reconheceu diferenças entre a atuação de um vereador e a de um deputado estadual. Segundo o entrevistado, a experiência acumulada como prefeito não elimina a necessidade de aprender com colegas que já conhecem a rotina do Parlamento.
Uma eventual participação em disputas futuras não foi descartada. Jurandir afirmou que poderá considerar essa possibilidade em outro mandato, desde que tenha adquirido o conhecimento necessário sobre o funcionamento da instituição.
A posição sobre a Mesa Diretora foi acompanhada de outra definição política importante: o relacionamento que pretende estabelecer com Marcos Rogério (PL), eleito governador de Rondônia no primeiro turno.
Embora tenha integrado a campanha de Adailton Fúria (PSD), Jurandir revelou que já esteve reunido com Marcos Rogério para discutir projetos e perspectivas para a próxima administração estadual.
O parlamentar eleito relatou que apresentou demandas relacionadas à sua região e a outros municípios, além de identificar propostas semelhantes às defendidas pelo futuro governador.
“A primeira coisa é trabalhar alinhado com o governador, com as pautas, com a política pública e o interesse do Estado e da população de Rondônia acima de tudo”, afirmou ao explicar sua disposição de cooperar com a administração que assumirá o Palácio Rio Madeira.
Durante a entrevista, Jurandir procurou distinguir a fidelidade eleitoral demonstrada durante a campanha da postura institucional que pretende adotar depois do resultado das urnas.
Segundo ele, não havia justificativa para abandonar a candidatura de Adailton Fúria enquanto a disputa estivesse em andamento. O deputado eleito afirmou que permaneceu pedindo votos para o correligionário até seus últimos compromissos eleitorais.
“Eu jamais ia abandonar o meu candidato a governador no meio do caminho por algum qualquer motivo, entendeu?”, declarou.
Com a vitória de Marcos Rogério, entretanto, Jurandir afirmou enxergar espaço para a construção de uma relação de trabalho voltada ao desenvolvimento de Rondônia.
Ele elogiou o conhecimento político do governador eleito, recordou sua atuação em benefício de Santa Luzia do Oeste e afirmou acreditar que a experiência parlamentar poderá contribuir para a condução do Executivo.
Ao abordar as consequências das eleições estaduais, Jurandir também comentou o resultado da disputa pelo Senado. O ex-prefeito declarou ter apoiado Sílvia Cristina e Mariana Carvalho, mas disse esperar uma atuação positiva de Fernando Máximo e Bruno Scheid, eleitos para representar Rondônia.
Para o entrevistado, os ocupantes das cadeiras no Senado e na Câmara dos Deputados possuem responsabilidades que ultrapassam as preferências partidárias manifestadas durante as campanhas. A representação federal, observou, precisa buscar recursos e defender assuntos relevantes para os municípios.
Essa cobrança adquiriu um tom mais duro quando a entrevista passou a tratar do pedágio da BR-364.
Jurandir afirmou que os parlamentares federais deveriam ter acompanhado com maior atenção a preparação da concessão rodoviária. Em sua avaliação, as reclamações sobre os valores das tarifas surgiram quando o contrato já estava concluído, situação que poderia ter sido enfrentada preventivamente mediante fiscalização dos procedimentos.
“Eu atribuo a todos, porque se eu sou um deputado federal ou sou um senador e está acontecendo um processo em relação ao meu estado e eu não saber o que está acontecendo, deixar acontecer para depois falar”, afirmou, ao desenvolver a crítica à falta de acompanhamento anterior à contratação.
O deputado eleito direcionou sua responsabilização aos 11 representantes federais de Rondônia que, segundo ele, deveriam ter examinado as condições do processo antes da formalização.
Entre os aspectos mencionados estavam o termo de referência, os valores que seriam cobrados da população e as obrigações impostas à empresa responsável pela rodovia.
A avaliação apresentada foi de que a sociedade rondoniense passou a enfrentar uma cobrança elevada sem que as melhorias esperadas na BR-364 estivessem plenamente disponíveis.
Jurandir sustentou que, depois da licitação e da assinatura do contrato, não consegue identificar uma maneira de cancelar a concessão. Mencionou o prazo de 30 anos e avaliou que os usuários continuarão suportando os custos.
Ao mesmo tempo, admitiu não possuir conhecimento jurídico aprofundado para examinar todas as possibilidades contratuais. Portanto, sua manifestação sobre a inviabilidade de cancelamento foi apresentada como uma percepção pessoal.
Mesmo considerando o assunto mais diretamente relacionado à representação federal, o futuro deputado afirmou que pretende participar das discussões na Assembleia e buscar entendimento com os parlamentares que atuam em Brasília.
O aproveitamento da estrutura do Legislativo estadual para encaminhar demandas também aparece em seus planos para a saúde.
Jurandir identificou o atendimento público como uma das maiores dificuldades de Rondônia e lembrou situações enfrentadas quando administrava Santa Luzia do Oeste. Relatou que moradores precisavam aguardar períodos de dois a três anos para conseguir cirurgias consideradas simples e determinados exames.
O ex-prefeito afirmou que a limitação de recursos e de serviços especializados frequentemente obrigava os municípios a transportar pacientes para outras cidades. Segundo ele, durante sua administração, chegava a haver cinco ou seis veículos circulando diariamente pelas rodovias para atender essa necessidade.
Como alternativa, defendeu a regionalização da assistência especializada. A proposta consiste em disponibilizar determinados serviços mais perto da população, reduzindo o deslocamento até Porto Velho ou outros centros de atendimento.
“Conversei isso com ele, para descentralizar a saúde, porque hoje os prefeitos sofrem, não só os prefeitos, a população sofre muito nessa BR para vir em busca de saúde especializada”, disse, referindo-se a uma conversa com Marcos Rogério.
A discussão sobre o acesso à saúde foi apresentada como um dos assuntos que pretende levar ao futuro governador. Para Jurandir, a descentralização pode diminuir as dificuldades vividas por pacientes que dependem do transporte municipal para realizar procedimentos fora de suas cidades.
Ainda na avaliação da política estadual, o entrevistado abordou o encerramento do governo Marcos Rocha, liderança do PSD.
Jurandir afirmou que não pretende desconsiderar a contribuição do governador aos municípios rondonienses. Destacou que Santa Luzia do Oeste recebeu apoio da administração estadual e atribuiu à relação com as prefeituras parte importante da atuação de Marcos Rocha.
Por outro lado, reconheceu que o governo atravessa uma fase de desgaste e admitiu que decisões tomadas durante uma administração podem produzir consequências políticas posteriores.
Ao ser perguntado sobre os desentendimentos entre Marcos Rocha e seu vice-governador, concordou que conflitos dessa natureza dificultam a governabilidade. Argumentou que administrar já representa uma tarefa complexa mesmo quando existe harmonia entre os integrantes da gestão.
A entrevista também registrou o posicionamento político de Jurandir na disputa pela Presidência da República.
O deputado eleito afirmou apoiar Flávio Bolsonaro e, antes da votação, apostou na vitória do candidato. Declarou que participava de atos de campanha e que pretendia realizar uma carreata em Santa Luzia do Oeste.
Apesar dessa preferência, disse não ter problemas com pessoas identificadas com a esquerda. Ao recordar os anos em que esteve à frente do Executivo municipal, observou que trabalhou durante governos federais de diferentes orientações políticas.
Segundo o entrevistado, a obtenção de recursos para Santa Luzia do Oeste não ficou condicionada à afinidade ideológica com o presidente da República.
A defesa de uma atuação voltada aos municípios também apareceu nas explicações sobre suas passagens por entidades municipalistas.
Ex-presidente da Associação Rondoniense de Municípios (AROM), Jurandir descreveu iniciativas de aproximação com órgãos de controle e representantes de outras esferas administrativas.
Ele lembrou reuniões com integrantes do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da Confederação Nacional de Municípios, além da participação em mobilizações realizadas em Brasília.
Ao avaliar a atividade da AROM, apresentou uma ressalva sobre a prestação de serviços aos municípios. Na concepção do ex-presidente, a associação deve priorizar sua função de representação política, reunindo reivindicações das prefeituras e defendendo pautas municipalistas perante os poderes públicos.
O deputado eleito manifestou expectativa positiva em relação à presidência de Marcelo, mencionado durante a conversa, por considerar importante uma gestão concentrada na busca de resultados para as administrações municipais.
Outra experiência recordada foi a participação na organização e na direção de um consórcio intermunicipal em Rondônia.
Jurandir explicou que essas estruturas permitem às prefeituras unir esforços em compras e compartilhar conhecimentos técnicos. Utilizou o exemplo da aquisição de produtos em maior quantidade para demonstrar como a cooperação pode proporcionar condições diferentes daquelas obtidas isoladamente.
O entrevistado relatou que integrou uma comitiva de prefeitos enviada a Santa Catarina para conhecer experiências semelhantes. Depois, participou da implantação da iniciativa em Rondônia, exerceu funções de vice-presidente e presidente e deixou o cargo para participar da eleição de 2026.
A renúncia também marcou sua saída da Prefeitura de Santa Luzia do Oeste. Jurandir afirmou ter entregado a administração ao vice-prefeito, integrante do PL, e manifestou confiança na continuidade dos trabalhos municipais.
Na parte dedicada à trajetória pessoal, o parlamentar eleito contou que chegou a Santa Luzia do Oeste ainda criança e permanece vinculado ao município há 46 anos.
Começou a trabalhar no serviço público municipal aos 17 anos, passou pela área da educação e ingressou na Polícia Militar em 1991. Segundo seu relato, permaneceu aproximadamente 15 anos na corporação antes de consolidar a carreira eleitoral.
Sua primeira vitória nas urnas ocorreu na eleição para vereador em 2004. Posteriormente, assumiu a presidência da Câmara Municipal e disputou a Prefeitura em 2008, quando foi derrotado por uma diferença que recordou ser de aproximadamente 240 votos.
Jurandir contou que voltou a concorrer quatro anos depois, conquistando a prefeitura. Ao longo da carreira, acumulou três mandatos à frente do Executivo de Santa Luzia do Oeste.
Em 2018, tentou chegar à Assembleia Legislativa, mas não conseguiu a eleição. Conforme declarou, Jean Mendonça obteve 1.643 votos a mais, diferença que o deixou fora do Parlamento naquele momento.
O ex-prefeito afirmou ter utilizado as derrotas como oportunidades para identificar erros, aperfeiçoar decisões e compreender melhor o processo eleitoral.
Em 2026, conquistou uma cadeira de deputado estadual pelo PSD com mais de 15 mil votos. Disse considerar especialmente relevante ter recebido apoio eleitoral nos 52 municípios de Rondônia, resultado que, em sua visão, amplia a responsabilidade de representar também regiões fora de sua base política.
Mesmo depois de conquistar um novo cargo, Jurandir não demonstrou intenção de permanecer indefinidamente na política.
Durante uma reflexão sobre a trajetória de antigos representantes rondonienses, sustentou que os políticos atravessam períodos de maior aceitação e fases de desgaste. Afirmou que prefere reconhecer o momento adequado para se retirar a prolongar sua atuação até perder o apoio dos eleitores.
O entrevistado também mencionou suas limitações acadêmicas, afirmando não possuir formação superior, e declarou que pretende iniciar o mandato com disposição para aprender.
Ao final do RD Entrevista, reforçou o compromisso de trabalhar com responsabilidade, manter diálogo com os diferentes poderes e disponibilizar seu futuro gabinete para atender demandas da população. Agradeceu os votos recebidos, destacou sua experiência administrativa e encerrou a participação com um pedido de orações aos rondonienses.
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Nota editorial: A entrevista foi gravada durante a semana anterior ao segundo turno presidencial, realizado ontem, domingo (25 de outubro). As declarações eleitorais refletem aquele momento. Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição.


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