Prof. Herbert Lins – MTE 1143
As veias abertas do STF: a sessão que expôs as feridas da mais alta Corte do país
CARO LEITOR, o Supremo Tribunal Federal (STF) viveu, ontem (15), um dos dias mais tensos de sua história recente. A sessão destinada a discutir as suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, terminou sem uma decisão e foi marcada por troca de acusações, gritos e evidente tensão entre ministros. O racha expôs uma Corte desgastada justamente às vésperas de uma eleição presidencial e renovação de dois terços do Senado Federal. O STF continuará sangrando, pelo menos, por mais uma semana, enquanto não define o que fará diante das acusações que atingem, em diferentes medidas, integrantes do tribunal no caso Vorcaro. É fato que esse episódio produz efeitos políticos e eleitorais, ainda que isso não seja desejável. Mas há outro fato incontornável: o brasileiro precisava enxergar o que existe por trás das portas do Supremo. As veias abertas da instituição ficaram expostas. E algumas revelam feridas que não deveriam existir e muito menos ser aceitáveis na mais alta Corte do país.
Cinco
A começar: pelo menos cinco dos dez ministros do STF estão, em diferentes medidas, citados nos relatórios da PF sobre o Banco Master. Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça, Kássio Nunes e Luiz Fux aparecem nos documentos.
Imparcialidade
Mais: quando filhos ou cônjuges de ministros atuam como advogados em casos ligados ao STF, a suspeita de conflito de interesses deixa de ser detalhe. Se há vínculo, a imparcialidade do julgador precisa estar acima de qualquer conveniência.
Questionamentos
Finalmente, ministros que recebem dinheiro público manterem participação ou propriedade em empresas também levanta questionamentos. Não parece razoável que quem julga interesses públicos tenha negócios privados capazes de colocar sua imparcialidade sob suspeita.
Reforma
São questões que poderiam integrar um futuro Código de Ética do STF, medida cada vez mais necessária. Também cabe discutir uma reforma da Corte, com mandato de dez anos e quarentena de dois anos após o exercício do cargo.
Escolha
Outra mudança seria alterar a forma de escolha dos ministros: o presidente indicaria nomes de uma lista tríplice, formada por integrantes do Judiciário federal e estadual e do Ministério Público próximos da aposentadoria.
Dividido
O candidato a senador Bruno Bolsonaro Scheid (PL) afirmou, em vídeo nas redes sociais, que o Brasil estaria dividido entre os que defendem a lei e os que, segundo ele, não a respeitam, citando o presidente Lula (PT-SP) e o ministro Alexandre de Moraes do STF.
Defendeu
No vídeo, Bruno Bolsonaro (PL) defendeu o impeachment de Alexandre de Moraes e disse que “ninguém está acima da lei”. Para o candidato, o país precisa se posicionar “do lado da lei” para superar injustiça, desigualdade e atraso. A crítica é direta.
Esclarecer
Falando em crítica direta, o deputado federal Maurício Carvalho (União) defendeu investigação transparente e independente sobre informações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Para ele, existem fatos relevantes a esclarecer no suposto envolvimento de ministros do STF e o Banco Master.
Tapete
Segundo Maurício Carvalho (União) que busca a reeleição, investigar não significa condenar. Significa esclarecer os fatos, garantir ampla defesa e aplicar a lei de forma igual. O parlamentar disse que dúvidas desse porte não podem ser simplesmente varridas para debaixo do tapete.
Transparência
O deputado federal Fernando Máximo (PL), candidato ao Senado, usou as redes sociais para defender que nenhuma autoridade está acima da Constituição, da lei ou dos demais Poderes. Para ele, denúncias envolvendo ministros do STF devem ser apuradas com transparência, devido processo legal e sem privilégios.
Silêncio
Já os candidatos ao Senado Acir Gurgacz (PDT), Aires Mota (PV), Luis Fernando (PSD), Engenheiro Túlio (Missão), Mariana Carvalho (Republicanos), Luciana Oliveira (PT) e Neidinha Suruí (PSB) permanecem em silêncio público sobre as suspeitas que envolvem ministros do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Posição
O contraste está posto: enquanto alguns candidatos ao Senado cobram investigação, transparência e respeito à lei diante das suspeitas que cercam o STF e o Banco Master, outros permanecem em silêncio. Em eleição, o silêncio também comunica uma posição.
Superar
O criador não vai superar a criatura. O governador Coronel Marcos Rocha (PSD), ao recuar da disputa pelo Senado para permanecer no governo e atuar como grande maestro das eleições tentando, inclusive, superar o feito do ex-secretário da Casa Civil Júnior Gonçalves. Rocha cada movimento político demonstra que desconhece os músicos, os instrumentos e, principalmente, as partituras da própria orquestra.
Entregou
Nas eleições de 2022, o então secretário da Casa Civil Júnior Gonçalves atuou como Mozart em uma disputa de piano com Muzio Clement. Neófito na política, entregou ao União Brasil um governador, quatro deputados federais e cinco deputados estaduais. Foi uma demonstração de articulação, montagem de grupo e leitura precisa do tabuleiro eleitoral.
Promessa
Já o governador Coronel Marcos Rocha assume o papel de Muzio Clement, depois de romper com Júnior Gonçalves e com o irmão dele, o vice-governador Sérgio Gonçalves, ambos do União Brasil, migrou para o PSD de Gilberto Kassab e prometeu entregar à legenda quatro deputados federais, cinco estaduais, um governador e ainda um senador competitivo. A promessa era ambiciosa. A realidade das urnas, porém, começa a cobrar a conta da promessa.
Duelo
No duelo de piano entre Marcos Rocha e Júnior Gonçalves, a impressão é de que a criatura continuará tocando melhor que o criador. Rocha não conseguiu montar a nominata dos sonhos prometida ao PSD para eleger quatro federais e cinco estaduais, mesmo tendo nas mãos o instrumento mais poderoso da política: a caneta de governador.
Enfraquecida
A própria nominata para deputado federal expõe o problema. O PSD distribuiu apenas R$ 100 mil do FEFC para Adilson Honorato e Júnior Lopes. Adilson, convidado pelo governador para disputar a Câmara dos Deputados, anunciou a desistência. Júnior Lopes também pode deixar a corrida. Se isso ocorrer, o que já era uma nominata enfraquecida poderá chegar às urnas ainda mais comprometida.
Fotografia
O episódio com Adilson Honorato é constrangedor. O governador o convida para ser candidato a deputado federal, mas não demonstra, na prática, a disposição política necessária para ajudá-lo a ser eleito. Convite sem estrutura, na política, pode virar apenas fotografia.
Razão
Marcos Rocha também não compreendeu que esta eleição não será vencida por onda, emoção ou barulho. Será uma eleição de razão, cálculo, estrutura, distribuição de recursos e matemática do poder. Nesse quesito, Júnior Gonçalves, a criatura, demonstrou mais habilidade que o criador.
Boatos
Enquanto isso, Marcos Rocha parece cada vez mais desconfortável com seu próprio candidato ao governo, Adailton Fúria (PSD). O ambiente de atrito alimenta boatos de rompimento e de exonerações de comissionados ligados ao grupo de Fúria.
Rompimento
A explicação oficial é uma do suposto rompimento entre Rocha e Fúria; nos bastidores, outra. Alguns dos que deixaram os cargos estão justamente na linha de frente da campanha. Para eles, pode ser também uma forma de preservar o CPF.
Aproximar
Os boatos ganharam ainda outra versão: a de que Marcos Rocha (PSD) estaria deixando a candidatura de Fúria para se aproximar de Hildon Chaves (União), que avança no chamado voto silencioso.
Armadilha
A aproximação de Marcos Rocha (PSD) de Hildon Chaves (União) pode ser real. Mas também pode ser uma jogada para desgastar Hildon e provocar reação no eleitorado antipalanque do governo. Na política, até o abraço pode esconder uma armadilha.
Tensão
Hoje, a disputa pelo governo apresenta Marcos Rogério (PL) na liderança, Hildon Chaves (União) em segundo e Adailton Fúria (PSD) em terceiro. Ao mesmo tempo, a relação entre o grupo palaciano e Fúria vive dias de tensão.
Disposto
O governador Coronel Marcos Rocha (PSD) quer que o candidato governista defenda os avanços do governo em algumas pastas e apresente propostas em áreas sensíveis sem desgastar a imagem de Rocha e de seus secretários. Fúria, aparentemente, não está disposto a tocar essa partitura.
Narrativa
A cúpula de Fúria (PSD) tenta, então, inverter a narrativa. Se não consegue colar sua candidatura ao governo, tenta colar o governo em Hildon Chaves (União) para produzir rejeição dentro da bolha anti-Rocha. É uma estratégia possível, mas Hildon não deveria entrar nessa pilha. Quanto mais o atacarem, mais deveria responder com serenidade.
Apoio
Hildon Chaves (União) precisa repetir o que já vem dizendo: dialoga com todos os rondonienses. Apoio não se rejeita, mas também não se fabrica. Todo apoio será bem-vindo quando for individual, espontâneo e sincero, de quem quiser ajudar a construir um novo ciclo para Rondônia.
Palanque
No fim, permanece a velha regra da política: voto não se rejeita, mas palanque não se impõe. E, em uma eleição sem onda, quem não souber ler a partitura poderá descobrir tarde demais que nem todo maestro consegue reger a própria orquestra.
Cássio I
Na busca pela reeleição, Cássio Gois (PSD) faz uma campanha ancorada na atuação parlamentar. O deputado transformou o mandato em presença nos municípios, com emendas destinadas à Saúde, Educação e infraestrutura.
Cássio II
Outro destaque é o apoio à agricultura familiar, com recursos que chegam à ponta e ajudam quem produz. Mais que discurso eleitoral, Cássio aposta na prestação de contas do mandato e nas entregas como argumento para renovar a confiança.
Outro
Não foi ninguém que me disse: ontem (15), vi um outro Paulo Moraes (Podemos), diferente daquele que conheci no gabinete do deputado estadual Alan Queiroz (PL). Tímido e reservado, quase irreconhecível diante do Paulo cordial que observei na rua, entre eleitores.
Aprendeu
Na tarde de ontem, no pit stop entre as avenidas Jorge Teixeira e Amazonas, Paulo chegou, desceu do carro e cumprimentou todos, sem distinção, até quem estava nas calçadas trabalhando como formiguinha. E ali, mostrou que aprendeu fazer política no corpo a corpo, de verdade.
Conquistar
Com sua força política, somada à do irmão, o prefeito Léo Moraes, e da mãe, Sandra Moraes, todos do Podemos, Paulo entra na disputa com potencial para conquistar uma votação expressiva e ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO).
Reforça
O prefeito Aldo Júlio (União) declarou apoio à candidatura de Mariana Carvalho (Republicanos) ao Senado e também à reeleição do irmão dela, o deputado federal Maurício Carvalho (União). A adesão reforça a articulação do grupo no interior e amplia o palanque da dupla.
Sério
Falando sério, a eleição começa a separar quem apenas aparece de quem sabe construir caminho. Entre disputas internas, alianças, entregas e movimentos de rua, a política vai deixando de ser promessa e virando matemática. E a urna não perdoa erro de cálculo.


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