Há nove anos, o pastor Felipe convive com as limitações causadas por uma lesão medular. Tetraplégico, consegue movimentar os braços, utiliza cadeira de rodas motorizada e depende de auxílio para realizar parte das atividades do dia a dia. Apesar dos desafios, nunca deixou de acreditar que a medicina pudesse oferecer novas perspectivas de tratamento, e essa esperança ganhou um novo capítulo com uma parceria que aproximou Rondônia de um projeto de pesquisa de ponta.
A articulação foi conduzida pelo médico Dr. Fernando Máximo, que atualmente disputa uma vaga no Senado Federal, junto ao Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A iniciativa abre caminho para que pacientes de Rondônia tenham acesso a um projeto de pesquisa com a polilaminina, proteína desenvolvida pela cientista brasileira Dra. Tatiana Sampaio para o tratamento de lesões medulares.
"Quando sofremos uma lesão medular, aprendemos a conviver com muitas limitações, mas nunca deixamos de acreditar que a ciência pode avançar. Saber que existe um estudo promissor sendo desenvolvido por uma pesquisadora brasileira renova a esperança de milhares de pessoas que vivem essa realidade", relata Felipe.
O encontro, que ocorreu no mês de julho, reuniu a pesquisadora Dra. Tatiana Sampaio e os médicos Dr. Miter Mayer e Dr. Olavo. Como médico, Dr. Fernando Máximo conhece o impacto que uma lesão medular causa na vida dos pacientes e de suas famílias.
"Muitos pacientes, muitas vezes ainda jovens, passam a conviver com limitações permanentes após uma lesão medular. Como médico, acompanhei essa realidade e sei o quanto ela transforma a vida das famílias. Nosso objetivo é aproximar Rondônia de pesquisas e iniciativas que possam ampliar as perspectivas de tratamento e oferecer mais qualidade de vida aos pacientes", afirmou.
Um dos principais avanços da parceria é o modelo de atendimento. Em vez de transportar pacientes com mobilidade reduzida até o Rio de Janeiro, a equipe da UFRJ deverá se deslocar a Rondônia para realizar as aplicações e capacitar profissionais locais para dar continuidade ao atendimento.
De acordo com as tratativas entre Dr. Fernando Máximo e a equipe da Dra. Tatiana Sampaio, a proposta inicial contempla o atendimento a pacientes com traumas medulares agudos, ocorridos em até 72 horas, período considerado decisivo para a intervenção terapêutica. É uma fase distinta da que Felipe vive hoje, mas é justamente por conhecer de perto o peso de uma lesão medular, aguda ou antiga, que ele reconhece no projeto o início de um caminho maior para o estado.
"O próximo passo será apresentar o projeto à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), com o objetivo de viabilizar o convênio necessário para a implantação da iniciativa em Rondônia", destacou Dr. Fernando Máximo.
Para o pastor Felipe, a possibilidade de o tratamento chegar ao estado representa mais do que um avanço científico.
"Quem vive com uma lesão medular sabe que qualquer possibilidade de evolução representa uma nova esperança. Ver essa iniciativa chegar a Rondônia nos faz acreditar que, no futuro, mais pessoas poderão ter acesso a novas alternativas de tratamento sem precisar sair do estado".


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