PORTO VELHO, RO – Candidato ao Senado Federal pela Missão, o engenheiro florestal e paisagista Thulio Santiago Castro, conhecido como Engenheiro Thulio, concentrou as declarações mais incisivas de sua participação no RD Entrevista em ataques a Flávio Bolsonaro, do PL, críticas ao presidente Lula, do PT, e propostas de mudanças profundas na estrutura política, administrativa e penal do país. Durante o podcast apresentado pelo jornalista Vinícius Canova, no Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, Thulio também defendeu a fusão de municípios sem autonomia financeira e declarou que pretende atuar contra ministros do Supremo Tribunal Federal caso seja eleito.
Ao explicar o caminho adotado pela Missão na eleição presidencial, Thulio apresentou Lula como o adversário que precisa ser derrotado, mas sustentou que o primeiro obstáculo seria retirar eleitores da candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o senador pelo Rio de Janeiro não representa uma alternativa ao atual governo.
“A pessoa que nós precisamos vencer é o Lula, mas, para que a gente possa atingir o Lula, temos que tirar as pessoas da ilusão de que Flávio é a solução. Flávio é um problema, é um problemão. Por onde ele passa, deixa um rastro de bosta, e ele é o que está entre nós e o Lula”, afirmou.
Thulio declarou que a estratégia da Missão não consiste apenas em atacar o PT, porque, na avaliação apresentada durante a entrevista, essa seria a parte mais simples do enfrentamento político. O candidato disse que a dificuldade maior está em disputar o eleitorado de direita que ainda enxerga Flávio como herdeiro político de Jair Bolsonaro.
“Bater no Lula é muito fácil, é coisa de café com leite. É muito fácil bater no Lula, mas enfrentar essa pseudodireita é muito mais difícil. Para a gente seria muito mais fácil se abraçar com Valdemar da Costa Neto e dizer: ‘Nós queremos R$ 800 milhões de fundo eleitoral’. Não. Nós remamos contra a maré, fomos contra tudo isso”, declarou.
As críticas foram estendidas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Thulio afirmou que Bolsonaro chegou ao poder em 2018 diante de um cenário em que Lula estava preso e o PT politicamente enfraquecido, mas encerrou o mandato devolvendo o comando do país ao partido. Na avaliação do candidato da Missão, a derrota eleitoral de Bolsonaro deve ser considerada parte de sua responsabilidade política.
“Jair Bolsonaro entregou o Brasil ao PT. Isso é um fato, não sou eu que estou dizendo, são os fatos. Aí o PT veio, fez essa porcaria toda que está aí agora, e veio o filho dele”, disse.
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Ao falar especificamente de Flávio, Thulio utilizou termos duros para questionar sua capacidade política, sua firmeza e seu desempenho em entrevistas e sabatinas. Também mencionou episódios e casos associados publicamente ao senador, mas apresentou essas referências como parte de sua própria acusação política, sem detalhar processos ou decisões judiciais.
“O Flávio é um homem fraco, corrupto, sem um pingo de moral. Ele é tão egoísta que, mesmo diante de a candidatura dele estar derretendo, todo mundo está vendo, ainda assim permanece a pedido do próprio Valdemar da Costa Neto”, declarou.
Na avaliação de Thulio, o presidente nacional do PL estaria mais interessado na eleição de senadores e deputados federais do que na conquista da Presidência da República. O candidato acrescentou que a Missão decidiu seguir um caminho independente tanto do bolsonarismo quanto do PT e descreveu a disputa como uma guerra contra forças políticas e econômicas muito superiores.
“Eu podia me omitir, me corromper ou ir para a guerra, e decidi ir para a guerra. É uma guerra sangrenta, porque nossos inimigos são como dragões de sete cabeças cuspidores de fogo, e nós, da Missão, somos simples guerreiros com palitinho de picolé, tentando espetar esse dragão”, comparou.
Thulio declarou que sua candidatura pretende vencer, mas reconheceu a desigualdade financeira entre a Missão e os grupos tradicionais. Segundo ele, enquanto sua campanha enfrenta dificuldades até para custear deslocamentos, os adversários contam com fundos milionários, estrutura aérea e apoio de oligarquias. O candidato negou que exista culto pessoal a Renan Santos e afirmou que o presidenciável representa um conjunto de valores defendidos pelo movimento há mais de uma década.
O confronto com o sistema político também foi direcionado ao Supremo Tribunal Federal. No encerramento da entrevista, Thulio citou nominalmente Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, chamou-os de “políticos de toga” e afirmou que pretende agir contra os três caso chegue ao Senado.
Ao empregar o verbo “caçar”, o candidato fez questão de esclarecer que falava em “caçar, com cedilha”, afastando a interpretação de que estivesse usando o verbo “cassar”, ligado à retirada formal de mandato ou função. A diferenciação foi feita pelo próprio Thulio no momento em que descrevia a atuação política que pretende desenvolver contra os ministros.
“Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli são os meus três porquinhos. Eu estou caçando eles — e estou caçando com cedilha — porque esses caras são políticos de toga. Eles não são juízes e não defendem a Constituição. Então, vamos ter que começar por eles”, afirmou.
O candidato disse que pretende ajudar Renan Santos a construir instrumentos legais para enfrentar ministros e ressaltou que o Senado tem competência para analisar pedidos de impeachment de integrantes do Supremo. Thulio também responsabilizou Flávio Bolsonaro por ter atuado, em 2019, contra uma investigação de ministros da Corte, conforme sua versão apresentada no programa.
“Eu quero chegar a Brasília para que a gente possa mudar não só a realidade do nosso país, mas a do nosso querido estado de Rondônia, um estado de gente ordeira e trabalhadora, que não aceita mais ser tratado como colônia ou como problema”, declarou.
Outro bloco de forte repercussão foi dedicado a Guajará-Mirim e à proposta da Missão de fundir municípios sem capacidade de custear a própria estrutura. Thulio reconheceu a importância histórica da cidade, mas fez críticas à situação urbana, à infraestrutura, à arrecadação e à realização de shows financiados com dinheiro público.
“Existem dois tipos de município: aqueles que se pagam e aqueles que dependem de recursos da União para poder existir. Guajará-Mirim, por mais que tenha um peso histórico imenso, hoje é considerada uma vergonha para o nosso estado. Você anda, as ruas são feias, a cidade é suja e a infraestrutura está precária”, afirmou.
Segundo Thulio, a cidade teria duas alternativas: promover uma reorganização administrativa e financeira ou ser incorporada a outro município. Ele explicou que fusão não significaria destruir a área urbana nem retirar moradores, mas extinguir estruturas políticas e administrativas que, em sua avaliação, consomem recursos sem oferecer resultados compatíveis.
“Ou Guajará-Mirim toma jeito e se reestrutura, ou a gente vai ter que fazer a fusão de um município com o outro. Não quer dizer que eu vou passar um trator por cima e derrubar todo mundo. Não é isso. Mas você imagina uma cidade que tem prefeito, secretariado, vereadores, assessores, Procuradoria-Geral do Município, toda uma máquina alimentada pelo dinheiro do contribuinte e que não produz”, disse.
Thulio afirmou que o Livro Amarelo, documento programático da Missão, propõe reduzir para menos de 2 mil o número de municípios brasileiros. Durante a entrevista, ele mencionou que o país possui mais de 5,5 mil cidades, embora tenha admitido não recordar o total com precisão. O candidato relacionou a existência de pequenas estruturas municipais a cabides de emprego, corrupção, gasto excessivo e uso político da máquina pública.
O mesmo raciocínio apareceu na defesa da chamada Lei de Responsabilidade Gerencial. A proposta, segundo ele, estabeleceria metas objetivas para prefeitos e governadores. Gestores que encerrassem o mandato sem cumprir os parâmetros poderiam perder a possibilidade de concorrer novamente.
“Nós propomos até a perda da possibilidade de se eleger novamente, torná-lo inelegível. Vamos estabelecer, por meio do Congresso Nacional, parâmetros objetivos para que gestores, como governadores e prefeitos, possam atender. A meta é essa; se não atender, vai se ferrar”, afirmou.
Ao citar Buritis como exemplo, Thulio questionou gastos com eventos enquanto persistem problemas de saneamento, saúde e segurança. O candidato classificou shows públicos, contratação de aliados e nomeação de parentes como formas de compra de votos, dentro da interpretação política defendida por ele.
“Para mim, esses shows, ficar metendo parente e amiguinho no meio da gestão, isso é compra de votos. Vamos combinar aqui: isso é compra de votos, e é isso que a gente quer acabar”, declarou.
Na área da segurança pública, Thulio defendeu redução da maioridade penal para crimes hediondos, encarceramento por períodos maiores e pena de morte. Ao ser questionado sobre o lema “prendeu ou matou”, utilizado em suas redes, recorreu ao caso de adolescentes acusados de sequestrar, torturar e matar um motorista de aplicativo para sustentar que menores envolvidos em crimes bárbaros possuem capacidade de compreender seus atos.
“Você acha que eles não têm capacidade de saber que aquilo que estavam fazendo era diabólico, era maligno? Qual é a pena justa para quem comete um crime tão bárbaro? Eu tenho duas opções muito objetivas: prende por muito tempo ou vai para o colo do capeta, vai sentar no colo de Satanás. Esse é o nosso projeto”, afirmou.
Para viabilizar essas medidas, Thulio defendeu uma ampla reforma da Constituição e do Código Penal. O candidato disse que pretende atuar como constituinte e afirmou que a Carta de 1988 fracassou por não conseguir garantir, na prática, os direitos que enumera.
“Eu quero ser um constituinte. A Constituição de 1988 fracassou miseravelmente. São quase 40 anos, e a prova disso é esse país que temos hoje: um país violento, fracassado, com a economia dilacerada, onde as pessoas têm o tal direito nominal”, declarou.
No terço final do programa, Thulio relatou sua trajetória pessoal e profissional. Disse ser rondoniense, ter vivido aproximadamente dez anos em João Pessoa, na Paraíba, e retornado a Rondônia depois da morte da mãe. Afirmou que iniciou e concluiu Engenharia Florestal no estado e trabalhou com extensão rural e assistência técnica em comunidades do Baixo Madeira por meio de contrato envolvendo Emater e Incra.
O candidato contou que morou durante um ano em Nazaré, trabalhou com o pai no comércio de plantas e abriu, em 2014, seu próprio escritório de paisagismo. Também mencionou a atuação como perito ambiental e afirmou que o desejo de transformação associado à profissão contribuiu para sua entrada na política.
Thulio apresentou a Missão como um partido de direita surgido da trajetória iniciada pelo MBL nas manifestações da década passada. Disse que a legenda procura reunir pessoas em torno de valores comuns, citando honestidade, decência, combate à corrupção e oposição ao fisiologismo. O entrevistado também falou sobre o Livro Amarelo, que, segundo ele, reúne metas para transformar o Brasil em uma das cinco maiores nações do mundo nas próximas décadas.
A entrevista foi realizada no RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova no Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia. O programa é dirigido por Roberto Lamarão, também responsável pela pós-produção e motion.


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